Ações da JBS: comprar ou não?

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O grupo JBS (BOV:JBSS3) está no centro da mais recente crise política brasileira, que teve como resultado um forte impacto no mercado financeiro e na economia. Em 18 de maio, logo após as revelações iniciais da delação dos controladores, Joesley e Wesley Batista, as ações derreteram 9,7% e terminaram o dia a R$ 8,58. O impacto das denúncias levou consigo o Ibovespa para uma baixa de 8,8%. Depois, em 22 de maio, os ativos da JBS foram derrubados em 31,3% para R$ 5,98.

De lá para cá, a companhia começou uma série de vendas no valor de R$ 6 bilhões para atender às exigências de pagamentos do acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões. O programa está em andamento e tem um lado positivo, que é a redução do endividamento e a consequente desalavancagem. Na governança corporativa, a empresa anunciou mudanças de executivos, criação de cargos e o programa “Faça Sempre a Coisa Certa”. A marca sofreu um grande impacto e o nome JBS é agora muito familiar a brasileiros que não o conheciam, mas pelos motivos errados. Ainda assim, você investiria nas suas ações?

Os analistas do Banrisul, por exemplo, voltaram a selecionar os papéis do frigorífico após seis meses fora.

“Como em Bolsa tudo é uma questão de preço, sua relação risco x retorno parece extremamente atrativa, mas indicada apenas para investidores que não tenham problemas cardíacos. De concreto, temos o ‘risco de imagem’ perante os consumidores o maior fator negativo – ainda difícil de quantificar”, avaliam Fabio Francisco Gonçalves e Guilherme Castilho Volcato.

Uma das alternativas propostas pelo BNDES, um dos maiores acionistas do grupo com 21,3% do total, é o afastamento da família Batista do comando da companhia. “Se a companhia, além do mais, está passando por um período delicado, que é associado à figura desses administradores, mais uma razão para que essa composição [do conselho] seja revista”, disse o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro.

Operações

O Citi, que recomenda a compra das ações com um preço-alvo de R$ 12,50 (potencial de 60%), ressalta que três anúncios recentes ajudaram a atenuar as preocupações de liquidez na JBS. “Primeiro, a JBS concluiu negociações de dívida de curto prazo com seus credores mais importantes, que incluíram um pagamento inicial de R$ 3 bilhões estimado em 12 meses. Em segundo lugar, fechou a venda de alguns ativos de carne bovina para Minerva por quase R$ 1 bilhão. Por fim, a JBS confirmou que o seu controlador J&F está na fase final da venda da Vigor”, diz o analista Alexander Robarts em um relatório publicado no último dia 2 de agosto.

A JBS anunciou ontem o acordo para vender a totalidade de sua participação na Vigor Alimentos para a Lala, o maior grupo da indústria de lácteos do México, por US$ 1,8 bilhão.

O Banrisul, que indica uma alocação de 12% em seu portfólio para os papéis da JBS, também avalia que a renegociação parece ter acalmado o mercado, que já demonstra isso nos preços. “Quanto às multas, elas cairão integralmente sobre os controladores, preservando totalmente os minoritários”, pontuam os analistas.

Desde o pior momento após a delação, as ações da JBS já recuperaram 31% de seu valor.

Fonte: Money Times. 

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