Desde 2016, 1 milhão de domésticos foram demitidos

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Pelo menos um milhão de empregados domésticos perderam seu trabalho no período de janeiro de 2016 a maio deste ano. O dado é mais um indicativo da crise econômica que atinge o país e da queda de poder aquisitivo da classe média.

Segundo dados obtidos junto à Caixa Econômica Federal por meio da Lei de Acesso à Informação, somente neste ano 416.657 domésticos sacaram o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por motivo de demissão sem justa causa. O levantamento de 2017, que traz a posição dos dados em 30 de junho, mostra que o total dos saques ficou em R$ 572,2 milhões, o que corresponde a um valor médio de R$ 1.373,28 por doméstico demitido.

Os números são mais um indicativo do arrocho financeiro pelo qual passa a classe média, principal contratante da mão de obra doméstica. Os saques acumulados nos cinco primeiros meses do ano correspondem a 69,4% do acumulado em todo ano de 2016.

No ano passado, 600.376 trabalhadores domésticos retiraram R$ 747,9 milhões das contas do Fundo por motivo de demissão por justa causa. O valor médio por saque foi de R$ 1.245,70.

Se mantida a velocidade média mensal das demissões em 2017, seriam necessários apenas mais três meses para que o número atual de demitidos atingisse ou mesmo ultrapassasse o total de 2016.

Os números liberados pela Caixa mostram ainda que, em maio deste ano, foram identificados depósitos na conta do FGTS de 1.247.803 domésticos, totalizando R$ 191,7 milhões.

O número da Caixa é muito menor que o de empregados em serviços domésticos estimado pelo IBGE, que no trimestre encerrado em junho era de 6,137 milhões de trabalhadores, queda de 2,9% em relação aos 6,319 milhões do mesmo período do ano passado, ou 183 mil trabalhadores a menos. A grande diferença entre Caixa e IBGE se deve ao fato de muitos trabalhadores exercerem funções temporárias, como faxineiros, e não terem o registro em carteira que implicaria no recolhimento de contribuições. E muitos ainda não têm sua situação regularizada, trabalhando de maneira informal, apesar da regulamentação da profissão pelo Congresso.

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