Pesquisa FOCUS: PIB, Inflação, Juros, Dólar e Dívida Pública

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PIB

A última edição da pesquisa Focus, divulgada segunda-feira (07/08), manteve a expectativa de crescimento do PIB de 2017 de 0,34% e a de 2018 em 2%. A inflação e os juros em queda, o consumo contido, a produção estagnada e o emprego parando de cair são as características do cenário econômico brasileiro, agravado pela deterioração das contas públicas. O rombo previsto pelo Tesouro para este ano não será cumprido e deve passar de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões. Isto é certo. Definitivo. A solução, segundo o Ministro Meirelles é corte na despesa ou aumento de impostos. Não há outra solução. A classe política tem visão diferente. Não concorda cortar despesa diante da ameaça ao cargo da presidência, também em razão do período eleitoral que se aproxima e da necessidade de manter maioria na base do governo mediante concessão de emendas parlamentares para deputados e senadores. É a tradicional compra de votos, nascida nos albores da república e mantida até hoje como se fosse um legitimo instrumento de consolidação da nossa democracia. A curva das projeções da Focus para o PIB deste ano reflete na sua trajetória a possibilidade de mais um ano perdido. Não será alterando a legislação eleitoral que o Congresso vai melhorar. Precisamos melhorar a qualidade das pessoas eleitas. Precisamos melhorar o processo de escolha dos nossos eleitores. A retomada do crescimento depende essencialmente da confiança da sociedade em um governo que desperte o “espírito animal” ou “estado de ânimo” de cada investidor. Lamentavelmente o déficit de confiança do nosso governo é do tamanho do das contas públicas.

Inflação

A pesquisa Focus alterou a expectativa de inflação de 2017 de 3,40% para 3,45%. A projeção para 2018 foi mantida em 4,20%. Confirmando as expectativas geradas por vários índices já divulgados, relativos ao comportamento dos preços em julho, como o IPC-FIPE (-0,01), o IPC-C1 da FGV (0,31%), o IPC-S, também da FGV (0,38%), o IBGE publicou quarta-feira (09/08), o IPCA de 0,24%, revelando a queda continuada da inflação. Após uma deflação de 0,23% em junho, o IPCA de 0,24% deste mês acumula uma inflação de 1,43% no ano e de 2,71% nos últimos doze meses. Os principais itens responsáveis pelo aumento do índice foram os combustíveis e energia elétrica e mesmo assim, o índice acumulado em doze meses, pela primeira vez em dez anos ficou abaixo de 3%, piso da meta do governo federal adotado em junho de 1999. A meta atualmente é 4,5%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo. A inflação acumulada até julho de 1,43% também é recorde desde o início da série do IPCA em 1994. A estimativa da pesquisa Focus para a inflação deste ano de 3,45% é atingível, basta que o IPCA médio mensal do período AGO/DEZ não ultrapasse a 0,397%. A inflação média mensal do período JAN/JUL foi de 0,196%, logo, mantida um índice aproximado no período AGO/DEZ é bem provável que a inflação do ano seja inferior a 3%.

Juros

A pesquisa Focus desta semana reduziu a estimativa da taxa Selic deste ano de 8% para 7,50% e a de 2018 de 7,75% para 7,50% em razão do comportamento da inflação se manter com tendência de queda. Considerando que o cenário econômico esperado pelo Copom se mantenha com crescimento contido e inflação em queda, é provável que na próxima reunião a Selic seja reduzida para 8,25%.

Dólar

O dólar à vista variou esta semana dos R$ 3,125 de segunda-feira (07/08) aos R$ 3,175 nesta sexta-feira (11/08). A pesquisa Focus desta semana manteve a previsão da taxa do dólar de 2017 em R$ 3,30 e a de 2018 em R$ 3,43. A taxa de câmbio acumula alta de 1,57% na semana e de 1,80% no acumulado do mês. Apresenta queda de 2,34% no ano e de 2,10% nos últimos doze meses. O conflito ainda diplomático entre EUA e Coreia do Norte deve manter o câmbio volátil nas próximas semanas.

Dívida Pública

A pesquisa alterou esta semana a previsão da dívida líquida do setor público de 2017 em 51,50% para 51,70% e a de 2018 de 55,15% para 55,24% do PIB. A dívida líquida corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e o resto do mundo. O saldo líquido é o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central.

Fonte: Carlos Dix Silveira

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