Saldo comercial chinês e índices de preços brasileiros

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O saldo comercial da China em julho foi de US$ 46,7 bilhões, acumulando mais de US$ 230 bilhões em 2017. Foi uma queda de 3,3% em relação ao saldo de julho do ano passado, com uma alta de 11% nas importações e de 7,2% nas exportações. Os analistas das principais casas ouvidas após a divulgação não gostaram do dado, mostrando preocupação com a queda do ritmo de crescimento das exportações em julho. Veja o gráfico do saldo comercial da China:

As moedas deram uma trégua ao dólar, pela ausência de notícias no noticiário econômico. O único dado a ser anunciado na agenda dos EUA de hoje é o da geração de vagas, medida pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

Brasil

No Brasil o destaque vai para os índices de preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O IGP-DI de julho mostrou deflação pelo quinto mês consecutivo e acumulou uma queda de 2,87% no ano e de 1,42% em doze meses. Os produtos agropecuários caíram 13,17% no ano, no atacado, refletindo as condições de oferta da carne, dos grãos e a queda do dólar. Esse dado mostra que os contratos comerciais (aluguéis, convênios, contratos, etc) deverão ter reajuste negativo nesse ano, promovendo um impulso deflacionário sobre os preços, após vários choques positivos nos anos de 2014, 2016 e 2016. De ponto de vista macroeconômico, a contribuição dos IGPs para a inércia inflacionária será a da redução da inflação para esse ano e para o ano que vem. O IPC-S, no entanto, apresentou uma aceleração do índice, de 0,41%. A alta dos preços aos consumidores foi motivada basicamente pelos aumentos da Petrobrás e do sistema de geração de energia elétrica, por conta da estiagem de inverno nas regiões Sudeste e Centro Oeste. Como esses dois itens pesam fortemente sobre os orçamentos das famílias, a sua alta leva à aceleração dos índices de preços. Veja a tabela do IPC-S:

Apesar da alta esporádica do IPC-S, as projeções anuais para a inflação devem se manter inalteradas.

O mercado acionário não tem uma direção definida para o dia, seja a partir dos mercados externos, seja a partir do noticiário doméstico. No Brasil, o governo continua revelando uma dificuldade enorme para entregar as medidas que levariam a uma mudança do regime fiscal, que aponta para um déficit primário da ordem de R$ 169 bilhões nesse ano. Após várias sondagens junto às lideranças parlamentares, parece que o governo jogou a toalha na questão da “reoneração”, que devolveria à previdência a cobrança dos impostos que foram retirados pelo governo Dilma. Esse é um sinal das dificuldades que serão enfrentadas na reforma da previdência e na tributária.

O que esperamos é um pregão com tendência de queda para Vale e siderúrgicas, por conta da queda dos preços do minério de ferro na China e de alta para Petrobrás.

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