Comércio Varejista no Brasil: Quase todas as atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram avanço anual em Julho de 2017

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Em relação a julho de 2016, o total do comércio varejista (3,1%) avançou pelo quarto mês consecutivo, com perfil disseminado de resultados positivos em sete das oito atividades. Os destaques na formação da taxa global, foram Tecidos, vestuário e calçados (15,5%); Móveis e eletrodomésticos (12,7%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,0%).

Ainda com resultados positivos, figuram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,4%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (11,6%); e Livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%). O único recuo em julho foi em Combustíveis e lubrificantes (-0,9%).

Clique aqui para saber mais detalhes sobre a Pesquisa Mensal do Comércio realizada em julho de 2017.

O setor de Tecidos, vestuário e calçados, com crescimento de 15,5% no volume de vendas frente a igual mês do ano anterior, exerceu a maior contribuição positiva à taxa global do varejo de julho de 2017. Em termos acumulados, o resultado foi positivo para os sete primeiros meses do ano (7,1%), enquanto a comparação acumulada em 12 meses permaneceu no campo negativo (-1,2%). O desempenho deste setor vem se beneficiando do aumento da massa real de rendimentos circulante na economia4 , além da influência de uma base baixa de comparação.

Com avanço de 12,7% no volume de vendas em relação a julho de 2016, o setor de Móveis e eletrodomésticos representou o segundo maior impacto positivo na formação da taxa global do varejo (Tabela 3), acumulando nos primeiros sete meses do ano taxa de 6,8%. A comparação acumulada nos últimos 12 meses (-1,2%), embora sinalizando redução no ritmo de queda, permaneceu negativa (Tabela 1). Por se tratar de uma atividade cujas vendas são associadas às condições de crédito, o comportamento deste setor, vem sendo afetado pela redução dos custos de financiamento, além da influência de uma base baixa de comparação.

O segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, com crescimento de 4,0% no confronto com julho de 2016, exerceu a terceira participação positiva no resultado geral do comércio varejista (Tabela 3). No acumulado dos sete meses do ano e dos últimos 12 meses as variações foram, respectivamente, -0,2% e -3,0%. Esse setor contempla um mix diversificado de itens, muitos deles de reposição doméstica, tais como artigos do lar, cama, mesa e banho.

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com avanço de 2,4%, registrou o terceiro resultado positivo do ano e exerceu a quarta contribuição para o resultado geral. Em termos de variação acumulada, as taxas foram de -0,4% no ano, e -2,2% em 12 meses.

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com variação de 0,3% em julho sobre igual mês do ano anterior, exerceu o quinto maior impacto positivo no resultado global. Esta atividade vem tendo seu desempenho influenciado pelo avanço da massa salarial real, além da influência do comportamento dos preços do grupo alimentação no domicílio que evoluíram abaixo índice geral. Em termos de resultados acumulados, as taxas de variação foram: -0.5% para o acumulado nos sete primeiros meses do ano e de -1,7% para os últimos 12 meses.

O segmento de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, também responsável pela quinta contribuição negativa na formação da taxa global do comércio varejista, registrou aumento de 11,6% no volume de vendas em julho de 2017 comparado ao de julho de 2016. Os resultados nas vendas em termos acumulados foram: -0,6% no acumulado do ano e de -3,6% nos últimos 12 meses.

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria, com variação de 0,2% no volume de vendas sobre julho de 2016, respondeu pela sétima contribuição positiva no resultado global. Nos acumulados dos sete meses do ano e dos últimos 12 meses as taxas foram, respectivamente, -3,3% e -8,1%. Os preços dos produtos de papelaria, com crescimento acumulado em 12 meses acima do índice geral de preços explicam em parte a trajetória declinante desta atividade, além da restrição orçamentária das famílias e, no que tange a jornais e revistas, por certa substituição dos produtos impressos pelos de meio eletrônico.

O comércio de Combustíveis e lubrificantes, com variação de -0,9% no volume de vendas, em relação a julho de 2016, foi o único setor que pressionou negativamente o resultado geral do varejo. Em termos de desempenho acumulado, as taxas de variação ficaram em -3,1% para os sete primeiros meses do ano e -5,4% para os últimos 12 meses.

Considerando o comércio varejista ampliado, em julho de 2017, o avanço de 5,7% no volume de vendas frente ao mesmo mês do ano anterior refletiu, principalmente o comportamento das vendas de Veículos, motos, partes e peças, que apresentou aumento de 6,5%, seguido por Material de construção (11,0%), ambas comparações sobre julho de 2016. As taxas acumuladas para estas atividades foram, respectivamente, de: -2,9% e 5,6% em sete meses, e de -7,3% e -0,2 nos últimos 12 meses. Vale ressaltar que, em ambos segmentos, esses resultados foram influenciados pela base de comparação baixa, representada perdas passadas importantes.

JL Torres é Sócio-Diretor da ADVFN Brasil. Além de ser um dos principais colaboradores do Jornal ADVFN, também é responsável pelas newsletters Mercado Diário e Semanário Bovespa

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