Decisão da sexta reunião do Copom em 2017 ficou em linha com expectativa do mercado financeiro de corte de 1% na Taxa Selic

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira, com unanimidade, cortar em um ponto percentual a taxa básica de juros da economia brasileira, que passou de 9,25% para 8,25% ao ano. A decisão do Copom não surpreendeu os analistas do mercado financeiro, que projetavam que o Banco Central reduziria a Taxa Selic em 1%.

Na última pesquisa realizada pelo Banco Central junto aos maiores especialistas do mercado financeiro brasileiro, a projeção era de que os juros básicos atingiriam o patamar de 8,25% ao ano já na sexta reunião de 2017, encerrada nesta quarta-feira, e que seriam reduzidos gradualmente nas próximas duas reuniões, até encerrarem o ano estipulados em 7,25% ao ano.

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O corte de 1% na sexta reunião do ano fortalece a projeção atual dos analistas, que apostam que os juros básicos brasileiros encerrarão o ano abaixo da casa dos dois dígitos. Do patamar atual, falta cortar um ponto percentual nas próximas duas reuniões para que a Selic encerre 2017 em 7,25%, atingindo o menor patamar da história..

Em comunicado divulgado após a reunião do Copom, o Banco Central indicou que o processo de corte da taxa básica de juros da economia continuará no futuro.

O BC informou que, no cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio estimadas pelo mercado, suas projeções para a a inflação recuaram para em torno de 3,3% para 2017 e elevaram-se para aproximadamente 4,4% para 2018.

Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2017 em 7,25%, cai para 7,0% no início de 2018 e eleva-se para 7,5% ao final do ano que vem“, acrescentou o Copom. Em julho, o Banco Central estimava que a trajetória de juros que poderia alcançar 8% ao ano no fim de 2017.

O Copom avaliou, porém, que pode reduzir o ritmo de corte dos juros no próximo encontro do Copom, marcado para 24 e 25 de outubro.

Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária (ritmo de corte dos juros)“, informou.

Acrescentou que o processo de redução dos juros “continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação“.

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação terminou o último ano em 6,29%, o menor nível desde 2013 (5,91%).

Em razão do fraco nível de atividade, a inflação está bem comportada. Nos primeiros oito meses deste ano, segundo o IBGE, a inflação oficial (medida pelo IPCA) ficou em 1,62%, menor índice para o período desde o início da série histórica do indicador. Em doze meses, somou 2,48%.

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais, podendo chegar a 6,5%. Para 2017, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. Assim, a inflação não poderá superar 6% ao final deste ano. O mercado financeiro prevê que a inflação deve encerrar em 3,38% no final do ano

O objetivo do corte da taxa básica é estimular a economia. O índice é usado nas negociações de títulos públicos Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros do mercado. Ao aumentar o índice, o Banco Central torna o crédito mais caro e segura o excesso de demanda dos consumidores. Com juros menores, os níveis de produção e consumo em um cenário de baixa atividade econômica podem ser retomados, já que o crédito fica mais acessível, mas o controle da inflação fica enfraquecido.

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