Semana tem indicadores de atividade, IGP-M, ata do Copom e chances de votação da reforma política na Câmara

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A segunda semana de setembro será recheada por divulgações de termômetros de inflação e da atividade econômica, além dos reflexos da prisão do empresário Joesley Batista e do Furacão Irma nos Estados Unidos. O destaque, no Brasil, vai para a primeira prévia do IGP-M de setembro, que a Fundação Getulio Vargas (FGV) anuncia nesta segunda-feira. Também na segunda-feira, é preciso fica atento ao relatório Focus, do Banco Central (BC), que trará as previsões do mercado no fim da semana passada, depois da decisão de baixar os juros em 1 ponto percentual e indicar mais dois cortes pelo menos. Muitos bancos revisaram suas projeções para a Selic nos próximos meses por conta dessa indicação.

Na a terça, o IBGE divulga o comportamento das vendas no varejo e o volume do setor de serviços relativos a julho, e na quinta, o Banco Central anuncia seu índice de atividade econômica (IBC-Br) do mesmo mês. Elaborado mensalmente pelo BC, o indicador antecipa a trajetória de três setores essenciais da economia: agropecuária, indústria e serviços e serve de prévia para o Produto Interno Bruto (PIB) oficial do IBGE.

Ata do Copom ajuda a prever trajetória da Selic

A equipe de economistas do Itaú Unibanco destaca, ainda, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), a ser publicada na terça-feira. Na última quarta-feira, o banco já havia alterado sua projeção de fim de ano para o juro básico de 7,25% para 7,0%, depois da decisão da autoridade monetária de reduzir a Selic para 8,25% ao ano. “Como sempre, o racional da decisão será explicado em mais detalhe na ata do Copom”, ressalta relatório do Itaú.

Na avaliação dos economistas do maior banco privado do País, o Copom entendeu, em sua análise para baixar a Selic, “que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural (leia-se neutra).” E destacou que as reformas, como as recém aprovadas mudanças na área de crédito (referência à nova taxa de juros de longo prazo do BNDES, TLP) contribuem para reduzir as estimativas da taxa de juros estrutural”.

Cenário político e TLP

Para o Bradesco, que também revisou a Selic para 7% no final de 2017, os destaques da semana serão os dados de atividade de julho e a possibilidade da votação da reforma política na Câmara. “Esperamos que as vendas no varejo e os dados de serviços devem manter um ritmo positivo de crescimento, ainda inflados pelos saques do FGTS (que terminaram em meados de julho)”, dizem economistas em seu relatório. “Na mesma direção, o indicador de PIB mensal do Banco Central deve apresentar novo crescimento, refletindo os dados melhores de atividade do período”.

Também de olho no cenário político, os analistas do Banco Fator destacam que a semana anterior foi agitada, passando pelo anúncio de Janot sobre a revisão da delação premiada de Joesley Batista; depoimento do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci sobre Lula e Dilma e pela prisão de Geddel Vieira Lima, que participou dos governos de Lula, Dilma e era muito próximo do atual presidente Michel Temer. “O saldo para Temer só não é favorável pelo último episódio; o estrago causado por Palocci no PT deve afetar a posição do partido para as eleições de 2018”, ressaltam em relatório.
Já a aprovação da TLP e das metas fiscais (déficit) para 2017 e 2018 pelo Congresso manteve, na visão do Fator, as expectativas de que a péssima situação fiscal continuará sendo tolerada pelos formadores de preços e agências de avaliação de risco.
A projeção de juros do Fator também foi revisada para baixo, avaliando que o discurso do Copom deixa a entender que estamos próximos à taxa de juros neutra. Caberia, portanto, trazer a Selic para baixo deste nível de modo a estimular a economia e devolver a inflação para a meta; e encerrar o ciclo de queda. “Isto significa que os cortes continuarão, porém com mais cautela; esperamos reduções de 0,75, 0,50 e 0,25 nas próximas reuniões, caminhando para o fim do ciclo e chegando a 6,75% em janeiro”.

Vendas no varejo restrito e IBC-Br positivos

Outras projeções do Fator para os indicadores que saem esta semana são: alta de 0,2% (mês contra mês/julho) e de 3,2% sobre o ano passado no varejo restrito e queda de -1,4% e alta 4,3%, respectivamente, para o varejo ampliado. Para o IBC-Br de julho, a estimativa é de altas de 0,1% e 0,45%, nos mesmos períodos. “Devem influenciar estes números o bom resultado da indústria divulgado pelo IBGE (na semana anterior), assim como os valores para comércio e serviços”.

No que se refere ao IGP-M, os consultores do banco ressaltam apenas que o índice parece caminhar para o fim de quatro meses seguidos em deflação, lembrando que o valor de agosto, de – 0,17%, foi modesto em relação aos – 0,84% de julho. “O IPA industrial e o agrícola perdem ímpeto em sua queda e o INCC deve se estabilizar em torno de 4,0%”.

Economia global tem crescimento no terceiro trimestre

No exterior, também com ampla agenda de divulgações econômicas na semana, o banco Itaú avalia que as atenções estarão voltadas para os dados de produção industrial da China (quarta-feira) e para a inflação do consumidor dos EUA (quinta-feira), ambos relativos ao mês de agosto, assim como para decisão de política monetária do BC da Inglaterra, também na quinta-feira.

O Bradesco estima que diversos indicadores devem confirmar crescimento forte e espalhado, com inflação comportada, lembrando que serão conhecidos desempenhos de vendas no varejo e produção industrial da China e dos Estados Unidos, além de índices de inflação ao consumidor de agosto dos Estados Unidos e do Reino Unido. “Os dados deverão reforçar a visão de um crescimento forte e espalhado da economia global, neste terceiro trimestre, com evolução ainda moderada dos preços ao consumidor”, destacam economistas em seu relatório.

B3: a caminho dos 77 mil pontos?

Na avaliação de Álvaro Bandeira, sócio e economista-chefe da Modalmais, a B3 (antiga Bovespa), ainda que sujeita a realizações de lucro, deve manter a tendência primária de alta, mesmo considerando a proximidade do recorde histórico alcançado no final de maio de 2008.
“Qualquer melhora da situação política e/ou econômica vai conseguir manter essa tendência de alta por mais tempo, extrapolando o recorde por força da atração maior de recursos para o segmento e ainda sem muitas emissões de ações”, analisa o economista. ” Assim, depois de superar o recorde histórico, podemos traçar como novo objetivo a ser alcançado o patamar de 77.000 pontos do Ibovespa“, estima, afirmando que o cenário “é válido dentro da perspectiva de melhora do quadro local e sequencia de melhora do panorama internacional”.

 

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