Comércio Varejista no Brasil: Seis das oito atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram avanço anual em Agosto de 2017

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Na comparação com agosto de 2016, o volume de vendas no varejo brasileiro avançou 3,6%, com seis das oito atividades investigadas registrando taxas positivas. Os destaques foram observados em móveis e eletrodomésticos (16,5%), seguido por hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,7%) que exerceram, nessa ordem, as principais contribuições para o resultado global. Ainda com taxas positivas relevantes figuram tecidos, vestuário e calçados, com avanço de 9,0%, e outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,1%), ambos ocupando a terceira maior participação na taxa global.

As demais taxas positivas foram registradas nos setores de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (4,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (1,0%). Por outro lado, combustíveis e lubrificantes (-2,9%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-4,4%) reduziram o volume de vendas comparado a agosto de 2016, pressionando negativamente o resultado global do varejo.

A atividade de móveis e eletrodomésticos respondeu pela principal participação positiva no total do varejo, com crescimento de 16,5% no volume de vendas em relação a agosto do ano passado, quarta taxa positiva consecutiva nessa comparação. Em termos acumulados, os resultados foram de 8,0% de janeiro a agosto de 2017 e 0,8% nos últimos 12 meses. Além da influência de uma base deprimida de comparação, o comportamento positivo do setor vem sendo influenciado pela redução da taxa média de juros no crédito às pessoas físicas e pela manutenção da massa de rendimento real circulante na economia.

O setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com avanço de 1,7% no volume de vendas sobre agosto de 2016, exerceu o segundo maior impacto positivo na formação da taxa global do varejo. Este é o quinto avanço consecutivo nessa comparação, confirmando a trajetória ascendente do segmento. A atividade teve seu desempenho influenciado pela manutenção da renda real das pessoas ocupadas e pela descompressão dos preços dos alimentos em domicílio, segundo IPCA. Entretanto, o indicador acumulado de janeiro a agosto de 2017 ainda registra variação negativa (-0,2%) e o indicador acumulado nos últimos 12 meses, perda de 1,3%.

O segmento de tecidos, vestuário e calçados, com variação de 9,0% no volume de vendas em comparação com agosto de 2016, representou a terceira contribuição positiva à taxa global do varejo. Em relação às taxas acumuladas, os resultados foram de 7,3% de janeiro a agosto de 2017 e de 0,3% nos últimos 12 meses. O setor apresentou desempenho acima da média geral, influenciado pela base baixa de comparação, além da manutenção da massa de rendimento real habitualmente recebida.

A atividade de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba segmentos como lojas de departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc., foi também o terceiro segmento com maior influência positiva na formação da taxa do varejo, com crescimento de 6,1% no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2016, quinto resultado positivo consecutivo. Já em termos acumulados, as taxas foram: 0,6% em 2017 e -1,7% nos últimos 12 meses.

O setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria registrou avanço de 4,4% no volume de vendas em relação a agosto de 2016, acumulando taxas de 0,2% no ano e de -1,5% nos últimos 12 meses. O comportamento elevado dos preços de produtos farmacêuticos conteve o desempenho da atividade, mesmo considerando a essencialidade dos produtos comercializados.

O segmento de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação apresentou variação de 1,0% sobre igual mês do ano anterior, quinto aumento consecutivo. Para períodos mais longos, as taxas foram: -0,4% acumulado de janeiro a agosto de 2017 e -2,8% nos últimos 12 meses.

A atividade de combustíveis e lubrificantes, com variação de -2,9% no volume de vendas em relação a agosto de 2016, representou a maior pressão negativa no resultado total do varejo. Já as taxas acumuladas foram de -3,1% em 2017 e, nos últimos 12 meses, de -4,8%.

A atividade de livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 4,4% no volume de vendas sobre agosto de 2016, voltou a registrar recuo nas vendas nessa comparação. Em termos de taxas acumuladas, em 2017 e nos últimos 12 meses, as variações foram de -3,4% e -7,3%, respectivamente.

Em agosto de 2016, o comércio varejista ampliado registrou avanço de 7,6% comparado com o mesmo mês do ano anterior, desempenho influenciado pelo comportamento das vendas de veículos, motos, partes e peças, que apresentaram crescimento de 13,8%, e do avanço de 12,6% em material de construção. No entanto, os resultados acumulados para veículos, motos, partes e peças mostram taxas negativas no acumulado em 2017 (-0.8%) e no acumulado em 12 meses (-5,1%), enquanto em material de construção as taxas acumuladas são positivas: 6,5% no acumulado no ano e 1,5% no acumulado em 12 meses.

Entenda a Pesquisa Mensal do Comércio

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), produz indicadores de curto prazo relativos ao setor varejista brasileiro.

Iniciada em janeiro de 1995, a pesquisa cobre todo o território nacional e é divulgada mensalmente, após coleta de dados em mais de 5.700 empresas comerciais, selecionadas a partir do cadastro das empresas com vinte ou mais pessoas ocupadas (assalariadas e não assalariadas).

A PMC abrange dez grupos de atividades: combustíveis e lubrificantes; supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; tecidos, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; equipamentos e materiais para escritório, informática e de comunicação; livros, jornais, revistas e papelaria; outros artigos de uso pessoal e doméstico; veículos e motocicletas, partes e peças; e materiais de construção. Os oito primeiros segmentos listados têm receitas geradas predominantemente na atividade varejista. Já os dois últimos (veículos e motos, partes e peças e materiais de construção), englobam varejo e atacado.

Para realização da pesquisa, o IBGE coleta dados sobre a receita bruta mensal das empresas, proveniente da revenda de mercadorias, não deduzidos os impostos incidentes e nem as vendas canceladas, abatimentos e descontos incondicionais. Também não estão incluídas as receitas financeiras e não-operacionais. A partir da receita bruta de revenda investigada são construídos indicadores para duas variáveis: Receita Nominal de Vendas e Volume de Vendas.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre a Pesquisa Mensal do Comércio realizada em Agosto de 2017.

JL Torres é Sócio-Diretor da ADVFN Brasil. Além de ser um dos principais colaboradores do Jornal ADVFN, também é responsável pelas newsletters Mercado Diário e Semanário Bovespa

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