Dois terços dos fundos de ações rendem menos que o esperado, mostra S&P; mas não demita seu gestor

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A maior dos fundos ativos de ações, que buscam superar índices de referência do mercado, não conseguiu cumprir seu compromisso e ficou para trás nos 12 meses encerrados em junho. É o que mostra o levantamento SPIVA (S&P Indices Versus Passive) para a América Latina, publicada hoje pela Standard & Poor’s Dow Jones Indices. Segundo o estudo, 2 em cada 3 fundos de ações no Brasil apresentaram performance abaixo do índice S&P/Brazil BMI nos 12 meses terminando em 30 de junho de 2017. O S&P/Brazil BMI é o indicador mais abrangente do mercado acionário brasileiro. Mas o resultado no período foi melhor que no ano completo de 2016, quando apenas 18% dos fundos haviam superado o referencial.

Movimento normal em retomadas

Antes de sacar o dinheiro do seu fundo, porém, é preciso avaliar as condições desses resultados. No caso do Brasil, a alta do mercado foi muito concentrada em papéis de maior liquidez, que vinham sofrendo há vários anos pelo impacto da intervenção estatal, caso da Petrobras e das empresas elétricas, e pela crise política e econômica. A retomada concentrada em papéis mais líquidos e em investimentos estrangeiros, que privilegiam a liquidez, faz com que os fundos ativos, em geral mais diversificados, não acompanhem os índices, nos quais as empresas mais líquidas são destaque.

Assim, é normal em períodos de forte e rápida recuperação dos índices os gestores ativos fiquem para trás. Tanto que os fundos ativos foram ainda pior no ano passado, quando a retomada do mercado foi mais forte e rápida, após o impeachment de Dilma Rousseff, mostra a S&P.

O contrário ocorre quando os índices sofrem fortes baixas. Em geral, os gestores ativos caem menos que seus índices de referência. O mesmo ocorre em outros países, uma vez que os índices de ações estão em suas máximas históricas nos EUA, na Europa e em vários países da América Latina.

Neste ano, small caps lideram

Neste ano, o índice S&P Brasil MidSmallCap, que reflete os papéis de empresas menores, subiu 10,6%, mais que o de grandes empresas, que teve alta de 3,7%. Já em 12 meses encerrados em junho, o resultado foi próximo de 23% para os dois, o que indica que a retomada do mercado se deu primeiro em ações de grandes empresas, no ano passado, e depois se espalhou para as menores, neste ano.

Já na renda fixa, os ganhos foram de 6,6% de janeiro a junho no caso dos papéis privados e de 6,5% nos títulos públicos, mostrando que prêmio de risco para o investidor optar por títulos privados é baixo, de acordo com os dados do Índice de Mercado Anbima.

Perdas no curto e no longo prazo

Segundo a S&P, no geral, os resultados de fundos superados por seu benchmark nas cinco categorias de fundos brasileiros analisadas no estudo demonstram que a maioria dos gestores teve desempenho inferior aos benchmarks da sua categoria, tanto no curto quanto no longo prazo.

Além disso, um volume significativo de fundos no Brasil foi liquidado nos últimos cinco anos, especialmente na categoria de renda variável. Aproximadamente 45% destes fundos se tornaram obsoletos.

Desempenho pior também no Chile e no México

Mas a dificuldade dos gestores ativos não é privilégio dos brasileiros. No Chile, tanto no curto quanto no longo prazo, a maioria dos gestores ativos de fundos de renda variável não conseguiu acompanhar os benchmarks; 80% tiveram um desempenho inferior no período que inclui o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017 e 89% nos últimos cinco anos.

A história é similar no México, onde os gestores de fundos ativos que investem em ações mexicanas tiveram dificuldades em acompanhar o desempenho geral do mercado nos doze meses anteriores junho, período em que 86% dos fundos tiveram um desempenho inferior ao S&P Mexico BMI. Resultados similares foram observados no longo prazo, já que 85% dos fundos tiveram um desempenho inferior ao mercado no período de três anos e 64% no período de cinco anos.

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