Mercado de olho nas prévias: do PIB, com o IBC-Br, e da inflação, com o IPCA-15 e IGP-10

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O mercado acompanha de perto esta semana uma série de prévias de importantes índices. Terá destaque a divulgação do indicador mensal de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) de agosto, que sai quarta-feira, e serve de referencial para o Produto Interno Bruto (PIB) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cuja divulgação deve ocorrer somente daqui um mês. No mesmo dia, outra prévia, o IGP-10, mostrará como anda a inflação deste mês, e que será retratada totalmente no IGP-DI, divulgado em novembro.

Na sexta-feira, será a vez da prévia da inflação oficial, o IPCA-15, do IBGE, usado nas metas do BC e cujo número oficial sairá apenas no começo do mês que vem.  Todas essas prévias ajudam os analistas a acompanhar como andam a recuperação da economia e o comportamento da inflação e podem mexer com os mercado se apontarem novas tendências.  

Cenário político tem ação contra Temer e Aécio

O cenário político  ainda mostra tensão no acompanhamento da segunda denúncia contra Michel Temer e seus principais ministros na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve consumir mais tempo e recursos preciosos do governo para manter o presidente no cargo. Enquanto isso, senadores intensificam articulação por uma votação secreta para deliberar sobre possível afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na quarta-feira passada que a palavra final sobre punições a parlamentares em processos ainda em andamento cabe ao próprio Congresso, reduzindo a tensão entre os Poderes, mas abrindo mais uma polêmica sobre até onde vai a imunidade dos políticos diante de crimes graves, como corrupção.

Juiz dá liminar por voto nominal

Com votação no Plenário do Senado marcada para terça-feira, a ideia de votação secreta é reduzir o desgaste de senadores que pretendem reverter a suspensão das funções parlamentares do senador tucano e seu recolhimento durante a noite. A situação do parlamentar é delicada, já que o PT, que pretendia votar contra a punição apesar de ser oposição ao senador, resolveu apoiar o afastamento. No fim de semana, uma liminar do juiz Márcio Lima Coelho de Freitas, da Justiça Federal do Distrito Federal, obriga o Senado a realizar a sessão com voto aberto e nominal.

De olho no boletim Focus 

A semana começa com as projeções para os principais indicadores da economia feitas pelo mercado financeiro e coletadas pelo Banco Central no boletim semanal Focus. O valor do IPCA foi revisado na semana passada para cima, para 2,98% em 2017. Porém, as expectativas para 2018 seguem caindo, passando para 4,02%. Taxas de câmbio e Selic se mantêm em 3,16% e 7%, respectivamente, segundo economistas do Fator. 

IBC-Br pode desacelerar, mas reforçar recuperação 

O  índice calculado pelo BC incorpora a trajetória das variáveis consideradas essenciais para o desempenho de três setores da economia: agropecuária, indústria e serviços. Ele serve de indicador para a política monetária do BC enquanto não saem os dados oficiais do IBGE sobre o PIB. Caso a economia dê sinais muito fortes de aquecimento e risco de inflação, o BC pode aumentar ou manter os juros, ou vice-versa.  

Analistas do banco Fator lembram que os valores referentes a julho foram de alta do IBC-Br de 0,41% no mês e 1,41% no ano, ambos acima das projeções do banco e do mercado. Para o segundo trimestre de 2017, o valor de 0,3% representou um enfraquecimento do crescimento em relação ao primeiro trimestre, tendência que foi confirmada pelo PIB de 0,2% no mesmo período. “Agora estimamos as variações de 0,4% em comparação com agosto e 1,5% interanual”, destaca o Fator em seu relatório. 

A equipe da Rosenberg Associados avalia que o IBC-Br de agosto, a exemplo do que ocorreu com indústria e comércio, possivelmente registrará leve recuo na margem, após dois meses consecutivos de crescimento, também na margem. “De qualquer forma, deve continuar sinalizando melhora tanto no acumulado no ano como nos últimos 12 meses”, afirma em seu relatório. 

Arrecadação Federal sobe com economia

O Banco Fator lembra que, nesta segunda-feira, a Receita Federal  publica os valores da arrecadação de setembro. “Nossa estimativa é de R$ 99,89 bilhões que, se confirmada, representaria um crescimento nominal de 5,4% em relação à arrecadação federal de setembro do ano passado”, antecipam os analistas do banco. 

Prévias para inflação de outubro 

Em relação à trajetória do IPCA-15, a análise do Fator é que a dissipação do efeito do aumento dos tributos sobre o preço dos combustíveis, bandeira amarela na tarifa da energia elétrica e, novamente, aceleração da queda dos preços dos alimentos, contribuíram para queda do índice em setembro. “Esperamos para outubro variação de 0,24% ( mensal) e 2,61% ( anual).” 

A Rosenberg Associados espera variação de 0,33% para o IPC-15, maior do que a variação observada no mês anterior, de 0,11%. “Na comparação em 12 meses, a inflação deve encerrar o ciclo de arrefecimento observado desde setembro de 2016, passando de 2,6% para 2,7%”, estima. De volta à comparação mensal, destaque para aceleração do grupo Alimentação e Bebidas, puxada pela pressão sobre os alimentos in natura. Na contramão, o grupo Transporte deve arrefecer, em linha com a menor variação esperada para o subgrupo de combustíveis. 

IGP-10 deve manter deflação sobre outubro do ano passado 

Já o IGP-10 calcula os preços coletados nos 30 dias encerrados dia 10 de outubro e dá uma ideia de como estão os preços no atacado (IPA), varejo (IPC) e construção (INCC). Em setembro, o IGP-10 registrou o primeiro valor positivo após quatro meses seguidos em deflação, com alta de 0,39%. O IPA acompanhou esta virada com 0,53% de inflação, puxado pelos preços dos produtos industriais (1,08%), enquanto o IPA agrícola perde ímpeto em sua queda. “Nossa estimativa é que ocorra uma aceleração sobre o mês anterior para 0,68% e uma deflação de 1,1% em comparação com outubro de 2016”, diz a equipe do banco Fator. 

Setor de Serviços tem recuperação lenta 

Também será divulgado na terça-feira pesquisa mensal do IBGE para o setor de serviços, destaca relatório do Banco Fator. Os analistas lembram que o setor, em julho, manteve o padrão de alguma melhora em relação ao ano anterior (queda menos intensa), mas voltou a se contrair, com queda de 0,8%. “Parece que o setor de serviços, por ter entrado mais tarde na recessão, ainda não está em processo de recuperação com a mesma intensidade dos outros”, dizem os analistas. A equipe destaca ainda que serão divulgados o Índice Nacional Expectativa do Consumidor, pela  CNI, e o Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito, pelo Serasa. 

China é destaque na agenda internacional 

Para a equipe do Itaú Unibanco, o principal destaque da agenda internacional  é a apresentação de dados do PIB do terceiro trimestre e de produção industrial (setembro) da economia chinesa. A mesma avaliação fazem os analistas da Rosenberg Associados, ressaltando que a expectativa dos dados que saem na quinta-feira é de estabilidade na comparação trimestral livre de sazonalidade. 

Nesta segunda-feira são publicados também os valores para Produção Industrial japonesa de agosto. Em julho foi registrado uma crescimento de 2,10% em relação ao mês anterior e 5,4% em relação ao mesmo mês de 2016. Também será conhecida a variação mensal da utilização da capacidade instalada e a Balança comercial. Esta última registrou um superávit de 113.6 bilhões de yens em agosto, lembra o banco Fator. 

Cenário externo: mais positivo do que negativo para a bolsa 

O economista economista-chefe da Home Broker Modalmais, Alvaro Bandeira, avalia que, no  cenário externo, exceto pelo risco geopolítico do Brexit (saída da Grã-Bretanha da União Europeia) e Catalunha (independência da Espanha), além do representado pela Coreia do Norte, não se vislumbra retrocesso econômico. “Os agentes do mercado já incorporaram a perspectiva de gradual aumento de juros nos EUA, compensado em parte pela manutenção da distensão monetária na zona do euro e novas medidas visando acelerar a economia japonesa”, argumenta. 

Bandeira mantém otimismo com relação à alta do mercado de ações no Brasil. “É claro que a cada recorde histórico batido os investidores se movimentam e realizações de lucros de curto prazo ocorrem; porém, até aqui, tais realizações estão sendo bem absorvidas por recursos que ingressam e a B3 segue seu caminho de alta”, destaca. 

Ajustes de curto prazo não alteram tendência de alta 

A análise de Bandeira é que, por enquanto, ainda não existe volume de lançamentos de ações com capacidade de equilibrar oferta e demanda por títulos, e os ajustes acabam se dando pela elevação de preços dos ativos. “Haverá um momento (ou momentos), onde a oferta de títulos não será tão bem absorvida e o mercado pode mostrar algum ajuste de curto prazo”, estima. Mas ele acredita que, apesar disso, a tendência primária é ainda de alta, com o Ibovespa ganhando o patamar de 77.000 pontos e descortinando novo objetivo em 78.500 a 78.800 pontos. 

O economista analisa que com cenário de recuperação econômica global, reforçado por declarações do FMI, é possível intuir melhores resultados para as empresas no geral, incluindo as locais já adaptadas ao momento econômico e menos alavancadas — o que ajudaria a melhorar preços relativos dos ativos. 

Atenção ao cenário político e ao andamento das reformas 

Mas o cenário interno segue exigindo atenção. “No Brasil, certamente ainda teremos alguns estresses relacionados ao ambiente político e com relação à capacidade de o governo introduzir e acelerar reformas estruturantes”, afirma Bandeira. “Lembramos declarações dadas pelas três principais agências de classificação de risco do mundo colocando reformas como essenciais para o Brasil seguir ajustando”, completa. 

 

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