Pais investidores darão aplicações para os filhos no Dia das Crianças

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Na casa de Gustavo Chamati, domingo que vem será, além do Dia das Crianças, uma oportunidade para engrossar as finanças da pequena Liz, de 2 anos, filha do empresário. A menina vai ganhar de presente seu segundo bitcoin, moeda digital que está no centro de um grande debate sobre o futuro do mercado financeiro. No ano passado, Liz ganhou uma moeda no valor de R$ 2 mil, hoje o investimento já vale R$ 15 mil.

O exemplo de Gustavo Chamati pode parecer incomum, mas na verdade é apenas um entre tantos outros pais que pretendem presentear os filhos com títulos de renda fixa, ações e até moedas. Iniciar as crianças no mundo dos investidores, por sinal, é uma prática que vem sendo cada vez mais explorada pelas instituições financeiras, sejam elas bancos, corretoras ou gestoras.

Nos últimos 12 meses, o crescimento desse público foi de 60% na Azimut Brasil Wealth Management. O número cadastrado de crianças avançou quase 17 vezes desde a criação da empresa de investimentos Rico. Já na Easynvest, apesar de ainda representar uma pequena fatia dos clientes, esse público cresceu 90% no último ano.

Na corretora Coinvalores, Maria Luiza, filha do administrador de empresas Marcelo Costa, já sai na frente de muito investidor. Logo que nasceu, no ano passado, ela ganhou uma conta no fundo de ações voltado para esse público, chamado Coin Kids. “Meus pais fizeram isso comigo lá atrás e minha poupança foi crescendo, com a ajuda de tios e avós também. Resolvi fazer o mesmo com a minha filha, mas optei por um investimento que no longo prazo supera a taxa DI (que acompanha a Selic).”

Mês a mês, o pai faz um aporte de R$ 100. Como é um investimento mais agressivo, ele e a esposa, a publicitária Flávia Ruiz, se dividem. Ele fica com o fundo e ela garante os aportes na poupança, investimento mais conservador.

Liz, que vai ganhar sua segunda moeda digital este mês, também tem seu colchão de segurança. Seu padrinho fez uma poupança para ser abastecida nas datas comemorativas e garantir dinheiro lá na frente.

Já Francisco Ennes, de Belo Horizonte, dá para cada um de seus três netos 100 ações do banco Itaú em todas as datas comemorativas. “Acredito na instituição e creio que daqui a 30, 50 anos essas ações vão valer muito.”

Cláudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), conta que esses casos mostram que o planejamento financeiro tem sido discutido de uma forma mais ampla, seja porque a crise ajudou a buscar conhecimento ou porque os debates da Previdência pedem atenção para o futuro.

Para ela, os pais têm preferido fazer investimentos para os filhos em contas separadas para ter mais restrições e proteger o investimento dos pequenos do ímpeto de sacar. “Em caso de necessidade de resgate, os pais pensariam duas vezes porque ‘estariam roubando das economias do filho’. Os níveis de policiamento e de comprometimento são diferentes”, resume.

Opções

O prazo mais longo, Cláudia explica, favorece a opção por produtos com um pouco mais de risco. “A carteira pode ter reveses, mas a renda variável tende a ter mais atratividade em períodos longos”. O cenário de quedas de juros, que onera a rentabilidade da renda fixa, também contribui para essa escolha por ativos mais arriscados.

Jussara Pacheco, da Coinvalores, também defende que “ações costumam ganhar de investimentos mais conservadores no longo prazo”.

Mas a renda fixa ainda tem seu papel na carteira dos pequenos. Roberto Indech, economista-chefe da Rico, conta que investiu para a filha de 5 meses em títulos públicos atrelados à inflação com vencimento em 2035 e vê muitos pais fazendo o mesmo.

O diretor de investimentos da Azimut, Luiz Nazareth, diz que a demanda dentro da gestora cresce mais focada em previdência, representando 90% do volume de negócios para esse público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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