Yellen admite surpresa com inflação fraca, mas defende alta gradual de juros

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Janet Yellen, a presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, admitiu num discurso feito neste domingo que as autoridades da instituição estão intrigadas com o comportamento dos preços no país, mas reforçou que a inflação deve se recuperar nos próximos meses e que, consequentemente, os juros norte-americanos devem subir gradualmente, de forma a ajustar a política monetária à recuperação da economia.

Em janeiro, o índice de inflação preferido do Federal Reserve indicou que os preços estavam 2% mais altos na comparação anual. Excluindo do cálculo os preços dos alimentos e da energia, a alta era de 1,9% – ou apenas 0,1 ponto porcentual abaixo da meta do banco central. De lá para cá, porém, a inflação perdeu força rapidamente. A leitura mais recente do índice, referente a agosto, foi uma alta de 1,4% para o indicador cheio e de 1,3% para a versão que exclui alimentos e energia.

O motivo para a desaceleração é uma incógnita para os membros do Fed. Segundo a ata da mais recente reunião do comitê de política monetária do banco central norte-americano, vários membros do grupo acham que, no médio prazo, a inflação deve se recuperar, visto que o desemprego nos Estados Unidos está baixo. Outros apontaram que esse movimento pode ter sido causado por fatores temporários, enquanto parte deles mencionaram que a alta dos preços está lenta por questões estruturais.

Em seu discurso, Yellen apresentou mais detalhes sobre esta avaliação. Ela afirma que o fator temporário afetando a inflação pode ser o grande declínio nos preços de telefonia móvel. Também reconheceu que a lentidão na alta dos preços pode ser resultado de uma ociosiodade oculta no mercado de trabalho, da queda nas expectativas de longo prazo para a inflação, do aumento nas compras online e da inflação baixa no setor de medicina da economia norte-americana.

“Minha melhor aposta é de que as leituras fracas [de inflação] não vão persistir, e que com o fortalecimento contínuo do mercado de trabalho a inflação deve aumentar no ano que vem”, disse ela, acrescentando que o Fed está monitorando o desempenho da economia e os indicadores e reagirá de acordo se houver queda da inflação ou outro fator imprevisto pela atual política monetária.

Ou seja, se o cenário caminhar dentro do previsto, o mercado deve esperar novas altas de juros nos Estados Unidos, desta vez aliadas à redução do balanço do banco central do país – o que deve resultar numa redução significativa da liquidez no sistema financeiro a partir de meados do ano que vem.​

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