Palavras do Gestor

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Em outubro, a bolsa encerrou com uma alta de apenas +0,02% com 74.308 pontos. Muito diferente da primeira semana, onde a bolsa atingiu 5% de alta e o índice a 78.024 pontos.

Neste momento, o fluxo estrangeiro continuava positivo.

A partir da segunda semana, alguns fatores começaram a mudar o cenário interno, apesar de dados econômicos favoráveis:

  • A Procuradoria Geral da República (PGR) encaminhou a segunda denúncia do presidente Michel Temer, apesar de menos votos em relação à primeira votação, a Câmara, ainda, conseguiu votos suficientes para barrar mais esta denúncia.
  • Até o mês de setembro, os investidores estrangeiros internaram aproximadamente R$ 15 bilhões. No mês de outubro, a conta ficou negativa em R$ 1,8 bilhão. Apesar disso, o saldo continua bem positivo.
  • A escolha do novo presidente do FED, nos EUA, também acabou trazendo um certo estresse. Entretanto, a escolha do Jerome Powell foi bem aceita.
  • Essas e outras notícias, o dólar encerrou com alta de 3,44%, com dólar comercial a R$ 3,27. Esta variação cambial no mês de outubro deverá afetar o resultado contábil de várias empresas com dívida.
  • As pesquisas eleitorais de 2018 apontam Lula (36%) e Bolsonaro (17%) com maior número de votos e indo para o segundo turno. Mas estranhamente em setembro, o nível de rejeição de Lula era de 50,8% e de Bolsonaro de 52,2%.

Em outubro, os resultados do 3º trimestre de 2017 começaram a ser divulgados. Grande parte dos resultados operacionais e financeiros melhoraram o lucro líquido, por conta da forte queda do dólar de 4,4% reduzindo drasticamente a variação cambial das empresas. Do lado dos bancos, os resultados do ItauUnibanco e do Santander foram fortes e ficaram muito próximos das estimativas dos analistas. Do Bradesco ficou afetado pela grande quantidade de pessoas que aderiram ao PDV (7,4 mil adesões).

No campo econômico, algumas notícias positivas foram divulgadas. A reunião do Banco Central reduziu a taxa Selic de 8,25% para 7,50% a.a. Estima-se que na última reunião do BC (06/12/2017), a taxa será reduzida para 7% a.a. A redução da taxa Selic tem o intuito de ativar a economia através de crédito barato. Entretanto, o reflexo dessa redução na economia tem sido de forma lenta e gradual. Podemos notar alguns dados: 1) Em outubro, a intenção de consumo das famílias cresceu 1,4% atingindo 77,9 pontos, sendo a maior variação desde março/2017. 2) Com a aproximação do Natal, em outubro o emprego cresceu 0,90% em relação a setembro. 3) A Fenabrave divulgou crescimento de 27,56% nas vendas consolidadas (carros, comerciais leves, caminhões e ônibus) em outubro.

Nos EUA, a escolha do novo presidente do FED criou certo pessimismo ao mercado. Acreditava-se que a escolha errada pudesse trazer ajustes nos juros mais rapidamente. Entretanto, o presidente Trump anunciou Jerome Powell (democrata). Powell já participa como membro do FOMC há 5 anos. Assim, acredita-se que a sua nomeação será uma continuidade da atual política monetária.

No Brasil, o cenário político continua complicado. O presidente Michel Temer continua enfraquecido, mas tenta dar prosseguimento nas reformas, o mínimo que seja. As decisões quanto as reformas estão em compasso de espera, já que segundo dados via a imprensa, foi dada a largada para as eleições de 2018. O PSDB estuda até dezembro sair da base de apoio ao atual presidente. Talvez o candidato mais provável será o Geraldo Alckimim e estuda-se o João Doria como vice.

Para este final de 2017, acreditamos que as vendas tendem   a superar 2016 com a ajuda da queda dos juros. Talvez as reformas sejam discutidas para a aprovação de um pacote mínimo, muito longe do que poderia ser. No primeiro dia de outubro tivemos saída de R$ 258 milhões dos investidores estrangeiros da bolsa. Novos IPOs estão programados para novembro e dezembro, sendo as maiores a BR Distribuidora e o Burger King.

Acreditamos, ainda, que nem tudo está perdido. Temos que acompanhar o andamento das reformas.

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