Pré-Market: Reforma entra na reta final

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O governo sonha em ganhar a aprovação da reforma da Previdência de presente de Natal e a votação da matéria na Câmara na semana que vem deve pautar os mercados domésticos até lá, com os investidores buscando maior segurança quanto à aprovação das novas regras. As negociações com a base aliada para garantir os 308 votos tendem a ditar o rumo dos negócios locais nos próximos dias, mesclando volatilidade com uma dose extra de cautela.

A retomada das articulações entre os principais líderes do governo e as bancadas dos partidos aliados para aprovar a matéria ainda este ano na Câmara vai exigir o pagamento de uma fatura extra de pelo menos R$ 14,5 bilhões em troca de votos. E essa conta pode crescer mais, com compensações fiscais aos Estados, ajuda financeira a prefeitos e novas emendas parlamentares.

Se esse toma-lá-dá-cá ampliar as chances de aprovação da reforma da Previdência, o otimismo nos mercados tende a se refletir em uma valorização da Bovespa, do real e melhores avaliações sobre o prêmio de risco do país. Até por isso, não deve ser coincidência o fato de a data da votação pelos deputados em plenário ter sido escolhida em meio à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano.

Afinal, se as reformas estruturais continuarem passando no Congresso, prossegue aberto o caminho para o Banco Central continuar cortando a taxa básica de juros. Não é novidade que a Selic cairá mais meio ponto em dezembro, indo a um novo piso histórico, de 7%. A dúvida fica em relação aos próximos passos em 2018. Se a Previdência passar na Câmara, o Copom pode ter um estímulo adicional para seguir cortando a Selic, rumo a novas mínimas.

Por ora, os mercados domésticos não devem arriscar grandes apostas, antes de saber se o governo Temer está vencendo o desafio de conquistar os 308 votos. No exterior, os investidores também estão atentos às chances de aprovação da reforma tributária do governo Trump no Senado nos próximos dias, em meio a uma semana carregada de indicadores e eventos econômicos.

Os últimos dias de novembro trazem indicadores domésticos sobre a confiança do consumidor (amanhã), as contas públicas (quarta-feira) e o mercado de trabalho (quinta-feira). Hoje, tem a Pesquisa Focus (8h25), mas os dados da balança comercial só saem na sexta-feira. Neste dia, já virando a folhinha para o mês de dezembro, o destaque fica com os números do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano.

O PIB também é destaque nos Estados Unidos. Na quarta-feira, será conhecida a segunda estimativa sobre o desempenho da economia norte-americana entre julho e setembro, após a leitura inicial apontar crescimento de 3,0% no período. No dia seguinte, saem dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo no país em outubro. Antes, têm indicadores do setor imobiliário e sobre a confiança do consumidor. Já o indicado para assumir o Federal Reserve, Jerome Powell, será sabatinado no Senado, amanhã.

Na Europa e na Ásia, merecem atenção os dados da indústria na zona do euro, no Reino Unido, no Japão e na China ao longo da semana, além dos números sobre a inflação ao consumidor e sobre a taxa de desemprego na região da moeda única. Além disso, o cartel de países produtores e exportadores de petróleo reúne-se em Viena, na quinta-feira, quando deve definir pela extensão dos cortes na produção da commodity.

À espera de tantos eventos, os investidores estão colocando parte do dinheiro no bolso, depois de garantirem ganhos em meio à temporada de balanços e ao crescimento econômico dos países. O sinal negativo prevaleceu na Ásia e contamina a sinalização para o dia em Wall Street, penalizando ainda o início da sessão na Europa. O dólar está de lado em relação aos rivais, ao passo que o petróleo recua.

Comentários

  1. joao diz:

    FIM DOS PRIVILÉGIOS VIRÁ MAIS CEDO MAIS TARDE.
    POLITICOS NÃO PODEM DEFENDER OS PROPRIOS PRIVILEGIOS.

  2. joao diz:

    QUEM DEFENDE PRIVILÉGIOS NÃO DEFENDE O TRABALHADOR.

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