Presidente Huck? Pesquisa Estadão-Ipsos mostra apresentador com 60% de aprovação

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Figuras do entretenimento na política são comuns tanto no exterior, como o ex-ator de cinema Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, ou mesmo o jornalista do Fantástico e ex-ministro e ex-senador Hélio Costa. Há um número enorme de radialistas/políticos, caso do agora preso ex-governador do Rio Anthony Garotinho e o do empresário e apresentador Silvio Santos, que quase chegou a concorrer à Presidência.

Não é surpresa, portanto, o crescimento do apresentador Luciano Huck nas pesquisas para a Presidência da República. Segundo levantamento Barômetro Político Estadão-Ipsos, publicado hoje pelo jornal, o marido da também apresentadora Angélica saltou de 43% de aprovação dos entrevistados em setembro para 60% agora, enquanto sua desaprovação recuou de 40% para 32%. A pesquisa Ipsos não mede intenção de votos, mas a aprovação a determinado nome apresentado ao consultado.

O que preocupa no cenário Huck é que esses outros artistas/políticos citados que tiveram sucesso em suas tentativas eleitorais começaram a carreira pública gradualmente, em cargos menores e por vários anos até chegar a funções no Executivo. Huck sairia direto do Caldeirão para o Palácio do Planalto. A dúvida dos analistas é sobre a experiência e a capacidade do apresentador para administrar um país complexo e burocrático por natureza como o Brasil. Além disso, sem base partidária, ele terá de lidar com um Congresso fisiológico, acostumado a negociar duro com presidentes muito mais experientes politicamente, e que mesmo assim acabaram derrotados pelos parlamentares, caso da ex-presidente Dilma Rousseff. Fernando Collor de Mello também sofreu o mesmo problema, ao se eleger sem base partidária e tentar governar sem se articular com o Congresso. O grande aliado do quase-futuro possível presidente no Congresso seria o senador Aécio Neves, do PSDB, mas, depois dos escândalos da JBS, o antigo companheiro de noitadas de Huck terá dificuldades em se reeleger em 2018.

Outro fator que ainda deve influenciar o cenário é o efeito vidraça, aquele que ocorre quando um candidato se destaca nas pesquisas e passa a ser alvo de ataques dos adversários. Esses ataques produzem ainda mais impacto quando o alvo são pessoas de fora do universo político, empresários ou figuras públicas, que têm seu passado ou seus negócios investigados minuciosamente e sofrem tendo culpa ou não. Por isso, muitos desistem no caminho.

O crescimento de Huck demonstra o desgaste dos políticos tradicionais e a total falta de articulação das forças de centro, que não conseguem encontrar em seus quadros um nome de consenso e que ao mesmo tempo não se confunda com os escândalos dos políticos atuais. A busca por novos nomes já favoreceu o prefeito de São Paulo e empresário, João Dória Junior, que depois de acelerar demais a campanha para a Presidência logo após assumir o primeiro cargo, na maior e mais complexa cidade do país, acabou sendo alvo de ataques e perdeu espaço no PSDB para seu mentor, o governador Geraldo Alckmin. Dória, que já tinha alguma experiência política em secretarias de governos passados, está agora com uma desaprovação de 63%, ante 56% na pesquisa anterior, também um pouco pelo efeito-vidraça. Alckmin, apesar de ser citado como opção por muitos empresários e analistas, tem aprovação de 24%, ligeiramente acima dos 22% da pesquisa anterior, mas uma rejeição de 67%, superior à do prefeito. Sua vantagem é o apoio de parte do PSDB e de outros partidos que ele soube articular sob seu governo.

Enquanto o Centro não encontra um nome, os extremos seguem em campanha garantindo espaço. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, candidato deste os anos 1980, vem em segundo lugar entre os mais aprovados, segundo o Estadão-Ipsos, com 43% de avaliação positiva, mas 56% de negativa. Ele empata com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que ainda não definiu se será candidato, com 42% de aprovação. Já Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem 60% de rejeição e 24% de aprovação, o que o coloca perto de Alckmin. Um alívio para quem teme um radical de direita sem programa econômico ou mesmo de governo como o ex-militar.

Marina Silva, da Rede, caiu de 36% para 35% de aprovação e de 51% para 56% na desaprovação. O juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, tem 50% de aprovação, mas não é candidato.

A única certeza é que o cenário só se definirá no começo do ano que vem, com a condenação ou não do ex-presidente Lula, o desempenho da economia, que pode criar outros nomes, como o do próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e as articulações dos partidos. Meirelles aparece com 70% de desaprovação na pesquisa do Estadão, e apenas 7% de aprovação, o que significa que a economia vai ter de melhorar muito para ele avançar.

Mas a expectativa é de que o cenário eleitoral ganhe importância para os mercados nos próximos meses. A falta de um nome de peso e com popularidade para levar adiante as reformas estruturais e o ajuste fiscal preocupa analistas, que temem um retrocesso nos frágeis mecanismos de controle fiscais hoje existentes. “O teto dos gastos não aguenta já em 2019 se nada for feito na Previdência”, alerta o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Ele espera que surja um nome de centro que consiga completar o ajuste do país. E segue otimista com o crescimento da economia do ano que vem, que pode ficar em 3%.

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