2018: Credit Suisse prevê mais investimentos e menos flexibilização na política monetária

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Em relatório assinado pelos analistas Nilson Teixeira, Iana Ferrão, Leonardo Fonseca e Lucas Vilela, o Credit Suisse apontou as suas expectativas para 2018 e 2019. A retomada da economia impactará diretamente em questões como inflação, taxa de juros e os investimentos no país.

Após o superávit de US$ 67 bilhões em 2017, o banco espera que a balança comercial recue para US$ 50 bilhões no ano que vem e US$ 40 bilhões no ano seguinte. Isso seria resultado da queda nas safras agrícolas e nos preços das commodities metálicas, principalmente do minério de ferro, assim como o aumento da demanda doméstica, que impulsionará as importações.

Investimentos

Por outro lado, o crescimento da atividade interna, resultado da melhora gradual da economia, terá um impacto positivo nas remessas de lucros e dividendos. A expectativa do Credit Suisse é que as emissões subam para US$ 26 bilhões em 2018 e US$ 30 bilhões em 2019. Além disso, esse cenário econômico tende a atrair mais os investidores estrangeiros para o mercado de ações, enquanto os títulos de renda fixa se tornam menos atrativos para o capital internacional.

A perspectiva favorável para a economia brasileira e a alta líquidez dos mercados externos também devem fazer como que o Investimento Direto no País (IDP) passe para US$ 95 bilhões e depois para US$ 205 bilhões nos próximos dois anos, respectivamente.

Classificação de risco

Credit Suisse aponta que a situação atual do país, em relação à atividade e às contas públicas, é pior do que a maioria dos países que possuem classificação de risco BB e BB-. “Um eventual rebaixamento da classificação do Brasil pelas agências de risco em 2018 e 2019 seria explicado, provavelmente, por questões fiscais (e.g., não aprovação de medidas relevantes de ajuste fiscal, como a reforma previdenciária) e pela perspectiva de baixo crescimento do PIB nos próximos anos”, diz o relatório.

Inflação

A expectativa é que no próximo ano, o IPCA fique em torno dos 4,7%, com a inflação dentro da meta prevista pelo Banco Central, de acordo com o modelo Vetor Autorregressivo Bayesiano (BVAR) usado para o relatório. Esse resultado será causado, especialmente, pela alta dos preços livres (alimentos, indústria e serviços).

O aumento da demanda em relação a produção fará com que a inflação de alimentos suba para 4,7% em 2018. A variação só não será maior, segundo o Credit Suisse, por causa dos estoques das safras de grãos e da queda nos preços da carne bovina no mercado internacional. Ao mesmo tempo, esse aumento, assim como o menor reajuste no salário mínimo, deve levar a inflação de serviços a cair para 4,2%.

Por outro lado, a perspectiva indica que a inflação de bens de consumo passará para 2,5% em 2018. “Essa alta decorrerá da maior elevação dos preços de bens tanto não duráveis quanto duráveis. O cenário de inflação industrial ainda baixa em termos históricos assume uma baixa depreciação cambial e uma retomada gradual da indústria”, explica o relatório.

Já sobre a inflação dos administrados, a tendência trazida pelo Credit Suisse é que ela caia para 7,1% ao longo do ano. A gasolina deve manter uma inflação de 4,2%, recuando apenas no segundo semestre, assim como os planos de saúde, que devem assumir um aumento de 13,6%. A subida também é esperada para o setor elétrico, sendo que o banco afirma que “a inflação de energia elétrica será de 10,5% em 2018, se o ano terminar com bandeira vermelha nível 1, e de 13,9%, em caso de bandeira vermelha nível 2”.

Em contrapartida a esse cenário, é preciso destacar as eleições à presidência como uma fator importante para que as expesctativas citadas se concretizem. Uma campanha protagonizada por candidatos com agendas contrárias às reformas fiscias pode causa uma depreciação cambial significativa e, consequentemente, um IPCA mais elevado.

Política monetária

Credit Suisse estima que a taxa Selic finalize 2018 valendo 7,5% ao ano. Apesar do banco esperar um corte de 0,25 p.p. na primeira reunião do Comite de Políticas Monetárias (Copom), em fevereiro, ele defende que a taxa de juros se manterá estável ao longo dos meses, até que volte a subir e encerre 2019 em 9,5% a.a..

“Nossa projeção de alta da taxa Selic está associada à leitura de que o hiato do produto fechará no início de 2019, sendo necessário eliminar o efeito expansionista dos juros vigentes desde meados de 2017, e à expectativa de manutenção do desequilíbrio fiscal nos próximos anos, que tende a elevar a inflação”, justifica o relatório.

A redução dos juros e a melhora na economia poderão fazer com que o estoque de crédito bancário cresça para 6,3% este ano e para 7,8% no próximo. Essa retomada deve ser impulsionada pelo crescimento de 7,3% no crédito livre em 2018 e de 8,8% em 2019. O relatório também aponta que a taxa de inadimplência cairá para 3,2% agora, antes de voltar a subir para 3,4% no ano seguinte.

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