2018: Primeira semana terá balança comercial, produção industrial, setor automotivo e IPC da Fipe

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No ano que se inicia sinalizando volatilidade como mote nos mercados locais, sobretudo por conta da eleição presidencial, a agenda econômica da semana traz como destaques resultados de balança comercial, o índice de gerentes de compras (PMI na sigla em inglês), produção industrial e de veículos. A B3 ficou fechada nesta segunda-feira, feriado de Ano Novo. Na terça-feira, a balança comercial de dezembro será divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento e, na quarta-feira, saem os dados de vendas de veículos de dezembro, anunciados pela Fenabrave. O IBGE anuncia ainda, na sexta-feira, a produção industrial de novembro. No mesmo dia, sai o IPC da Fipe e a Anfavea deve apresentar dados da produção de veículos, ambos referentes a dezembro.

Agenda internacional: destaques são PMI e ata do Fomc

No cenário internacional,  a semana começa com divulgação dos indicadores de PMI chinês, americano e canadense. O PMI (Purchasing Managers Index) é um índice elaborado pelo instituto de pesquisa Markit a partir de consultas aos gerentes de compras das empresa. Como esses profissionais controlam os estoques usados na produção, o PMI é considerado um indicador antecedente chave de referência para medir negócios e condições econômicas, refletindo a atividade da indústria de transformação e a aquisição de bens e serviços, lembram as equipes do Banco Votorantim e do Departamento de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco em relatórios.

Serão anunciadas ainda na semana a ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que sai na quarta-feira, e os resultados de desemprego na Alemanha, EUA e Canadá, finalizando o período com os resultados de inflação na China. A ata do Fomc pode dar mais detalhes da visão dos comandantes da política monetária americana sobre a recente aprovação pelo Congresso do pacote de corte de impostos para pessoas físicas e empresas e seu impacto sobre a economia americana e sobre a inflação e os juros. Qualquer aceleração no ritmo de alta dos juros nos EUA afetará bastante os preços de commodities e os países emergentes, especialmente os em situações mais delicadas nas áreas fiscal, caso do Brasil, e externa.

2017: pontos positivos e negativos para os mercados

Na avaliação de Alvaro Bandeira, economista-chefe do Home Broker Modalmais, o ano de 2017 para os mercados no Brasil se encerra, apesar de muitas incertezas, como um ano positivo, em que a B3 (antiga Bovespa) fechou com valorização de 27%, dólar oficial Ptax com valorização anual de 1,5% e cotado a R$ 3,308, retorno das aberturas de capital de empresas na bolsa (IPOs, ainda concentrados) e setor externo tranquilo, principalmente por conta do investimento direto crescendo forte.

Ele destaca ainda como aspectos positivos a inflação caindo nos últimos meses, assim como juros e desemprego; comprometimento da renda familiar e endividamento menores; vendas no varejo e produção industrial se expandindo com apoio de políticas episódicas de governo, como a liberação de recursos do FGTS e, mais recentemente, do PIS/Pasep.

Dívida perto de 80% do PIB mostra necessidade de reformas

Pelo lado negativo, o economista ressalta o elevado déficit fiscal, dívida pública crescente e se aproximando de 80% do PIB, e orçamento de 2018 começando comprometido pela não aprovação de medidas arrecadadoras como a tributação dos fundos fechados.
“Sem reformas estruturantes, não há como intuirmos recuperação consistente”, diz Bandeira. Para ele, sem as reformas, a sinalização para os investidores locais e internacionais “será ruim e as agências de classificação de risco podem promover rebaixamento da classificação (do Brasil), dificultando tudo mais um pouco, num ano de eleições complicadas e ainda sem direção”, acrescenta.

Primeiro trimestre de 2018: período de definições

O primeiro trimestre de 2018, diz Bandeira, parece ser crucial para definições. “Logo em janeiro, teremos o julgamento de Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) pelo TRF-4 (24/01), que, dependendo do placar, pode clarear um pouco a campanha eleitoral”. Caso a votação seja 3 votos a zero, será mais difícil ao ex-presidente recorrer, mas se houver algum voto a favor, ele poderá entrar com pedidos de revisão.

Em seguida, lembra ele, vem a votação marcada da reforma da Previdência na Câmara depois do Carnaval, em 19 de fevereiro, que, se aprovada, “seria boa sinalização” de ajuste fiscal para o futuro. Mas apenas isso, destaca, não bastaria. “Temos que promover a reforma do estado brasileiro com privatizações e concessões aceleradas, a reforma tributária, a política e muitas outras adaptações, visando maior consistência da recuperação econômica local”.

Panorama  externo favorável e volatilidade interna nos mercados de risco

Do lado externo, analisa Bandeira, não se vê grandes riscos nas principais economias. “Os EUA podem crescer de forma mais acelerada com a reforma tributária aprovada, a zona do euro vem firmando recuperação, o mesmo acontece com Japão, China e Índia, que vão seguir crescendo forte, apesar da desaceleração relativa”.  Já o lado ‘turvo’, na visão dele, “ficaria por conta de eventuais políticas monetárias mais restritivas (alta dos juros nos EUA) e Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), além do provável risco geopolítico de Coreia do Norte e países árabes”.

O início do próximo ano, estima  o economista, “ainda será complicado, o que pressupõe manutenção da volatilidade elevada nos mercados de risco”. Apesar disso, ele acredita que “as empresas estão melhor adaptadas e podem conseguir melhorar retornos e voltar a pagar dividendos mais atraentes aos investidores”.

Cenário político e eleições 2018

Passado o período de festas, o cenário político de 2018 inicia com os mesmos temas do ano passado: reforma da Previdência  e o quadro de candidaturas  à Presidência da República. Tudo ainda em fase de especulação.

Na virada de 2017 para 2018, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi destaque na Folha de S.Paulo, defendendo em artigo assinado a aprovação reforma da Previdência neste ano. Em tom de apelo, Maia se mostra contrário à possibilidade de votação da matéria no próximo governo, justificando que a omissão do Legislativo agravaria o desequilíbrio fiscal, prejudicando os investimentos  em saúde, educação e segurança.

Maia admite ser “presidenciável” e rejeita aliança com Meirelles

No plano eleitoral, o presidente da Câmara já admite ser um dos presidenciáveis do DEM,  ao lado do prefeito de Salvador, ACM Neto, do senador Ronaldo Caiado (GO) e do ministro da Educação, Mendonça Filho. Ao falar de candidatura do partido, Rodrigo Maia acrescenta que o DEM  não deixará a base do governo Temer, mas descarta  compor com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, presidenciável do PSD, indicando que o campo governista está muito longe de uma aliança.
As forças de oposição ao governo Temer, por sua vez, começam o ano na expectativa do julgamento do recurso do ex-presidente Lula (PT) na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, marcado para 24 de janeiro, em Porto Alegre.

Liminar proíbe acampamento pró-Lula em Porta Alegre

A Justiça, atendendo a pedido do Ministério Público, que alega razões de segurança e de trânsito no local,  proibiu liminarmente o Movimentos dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) de montar acampamento em um parque ao lado da sede do Tribunal, criando uma área de segurança em torno do local.
Aliados do ex-presidente, que lidera as pesquisas de intenção de voto, estão organizando manifestações para tentar reverter a condenação em primeira instância e garantir sua candidatura. Já o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, deve  começar neste mês a organizar sua equipe de campanha e projetar nomes do seu futuro governo.

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