Pre-Market: Mercado testa fôlego

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O fôlego de alta dos mercados financeiros pode ser testado nesta quarta-feira, com os investidores avaliando se não estão cometendo um erro ao esticar muito – e em um curto espaço de tempo – os preços dos ativos de risco. O recuo em algumas bolsas da Ásia hoje – à exceção de Xangai – reforça a ideia de que é arriscado apostar todas as fichas tendo como base as perspectivas econômicas para 2018 e a política de juros dos principais bancos centrais. Ainda mais se essa posição for feita com um valor maior do que se pode cobrir.

O sinal continua positivo em Wall Street nesta manhã, apesar do recuo do Dow Jones ontem, quando alcançou a marca psicológica dos 26 mil pontos, mas não conseguiu fechar acima desse nível. Mas a sessão asiática não conseguiu receber impulso dos índices futuros das bolsas de Nova York e recuaram, em meio às perdas das ações ligadas a energia, matérias-primas e saúde. O mesmo deve acontecer na Europa, onde pesa o avanço do euro.

A moeda única europeia tocou a máxima em três anos em relação ao dólar, mas agora devolve parte dos ganhos, ao passo que a libra esterlina está na linha d’água e o iene avança pelo sexto dia seguido. Com a moeda norte-americana tentando reaver parte do terreno perdido, o petróleo encontra espaço limitado para continuar subindo, enquanto os metais básicos caem. Na outra ponta, Bitcoin se recupera e é cotada acima de US$ 11 mil, após um tombo de 26% na véspera.

Todo esse movimento no exterior mais se parece a uma saudável e, portanto, natural, correção técnica, após a arrancada global dos ativos desde o início de 2018. Afinal, as últimas duas semanas foram muito fortes nos negócios com risco pelo mundo e, em alguns casos, os investidores começam a se perguntar se não extrapolaram, esgotando em pouco tempo todo o potencial de alta esperado ao longo do ano. Essa mesma percepção deve começar a prevalecer nos mercados domésticos, em breve.

Até porque não é nem a proximidade do julgamento do ex-presidente Lula, no dia 24, nem a perspectiva de votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, no mês que vem, que tem impulsionado os mercados domésticos neste início de ano. Não fosse o apetite dos investidores estrangeiros pelos ativos locais, a Bovespa não teria alcançado o nível inédito dos 80 mil pontos e o dólar tampouco se sustentaria em torno de R$ 3,20.

Esses vetores internos de influência nos negócios devem ser acompanhados com cautela. Por ora, os mercados domésticos  mantêm o otimismo expresso na alta contínua da Bolsa e no preço contido do dólar, mas há riscos relevantes para 2018 com potencial para impor forte reversão de expectativas. Os desafios enormes que o país tem no campo político levam a crer que os ativos locais têm sido alvo de capital especulativo, em busca de ganho fácil e rápido.

Afinal, os “gringos” já colocaram cerca de R$ 3,5 bilhões em capital externo na renda variável em menos de duas semanas, em um movimento alinhado à realocação global de recursos. O otimismo com o crescimento econômico global neste ano combinado com a retirada gradual dos estímulos monetários conduz esse fluxo, em busca de maiores retornos.

E as divulgações previstas para hoje podem dar pistas adicionais sobre quão suave (“dovish”) deve ser a postura dos bancos centrais dos Estados Unidos (Fed) e da zona do euro (BCE) em relação à liquidez jorrada desde a crise de 2008 para impulsionar as economias dessas regiões. A aposta é de que as taxas de juros nessas regiões devem subir bem menos que o estimado anteriormente.

A agenda econômica desta quarta-feira ganha força no exterior e traz em destaques os dados da produção industrial nos EUA em dezembro (12h15) e também o Livro Bege (17h), como é chamado o documento do Federal Reserve sobre as condições econômicas no país. Também serão conhecidos números da construção civil neste mês (13h) e sobre o fluxo de capital externo nos títulos norte-americanos em novembro (19h).

Ainda no exterior, merece atenção a leitura final do índice de preços ao consumidor (CPI) em dezembro na zona do euro. No fim do dia, a China anuncia dados de atividade de primeira grandeza, entre eles o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. Já no Brasil, está prevista apenas a divulgação dos dados parciais de janeiro sobre a entrada e saída de dólares no país (12h30). Logo cedo, Fipe e FGV publicam leituras regionais sobre a inflação no varejo (IPC).

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