Semana terá atividade do IBC-Br, IGP-10, arrecadação, Ibovespa perto dos 80 mil e Lula

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Por Sandra da Motta

Indicadores da atividade interna, inflação e dados de arrecadação são os principais focos de atenção na agenda local, que abre a semana com a divulgação pelo Banco Central, nesta segunda-feira, do seu índice de atividade, o IBC-Br, referente a novembro. O mercado também fica de olho na publicação, em data ainda não definida, dos valores da arrecadação federal de dezembro. Na terça-feira, 16, será conhecido o IGP-10, prévia do IGP-M e do IGP-DI e primeiro índice de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) referente a janeiro. Os IGPs servem de parâmetro para reajustes de tarifas públicas, contratos de aluguel, além de seguros e planos de saúde em contratos mais antigos.

Atividade econômica da China e feriado nos EUA

Na agenda externa, analistas da Rosenberg Associados (RA) e do Banco Fator destacam os dados de atividade da economia da China (quarto trimestre- 2017), a serem divulgados na quinta-feira. A expectativa do mercado aponta para crescimento do PIB de 6,7% que, uma vez confirmado, indicaria modesta diminuição do ritmo de atividade do país ao longo do ano passado.

Também estão no radar a apresentação de dados de balança comercial na zona do Euro, nesta segunda-feira — dia em que os mercados americanos ficam fechados por conta do feriado do Dia de Martin Luther King — e, na quarta-feira, de informações sobre a produção industrial de dezembro dos EUA (que subiu 0,2% em novembro) e da indústria manufatureira daquele país.

Disputa Maia-Meirelles e julgamento de Lula

No cenário político, as atenções devem se voltar para a movimentação dos três presidenciáveis do campo governista – Rodrigo Maia (DEM-RJ), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (PSD) — enquanto crescem as expectativas em relação ao julgamento do recurso do ex-presidente Lula (PT), no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), marcado para o dia 24, em Porto Alegre.

Procura por um “culpado” cria ruído entre presidenciáveis

Levando temas da política e da economia na agenda, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem compromissos nos EUA (Washington e Nova York) e em Cancún. Ele viajou dois dias depois da agência Standard & Poor´s rebaixar a nota de crédito do Brasil e de se indispor com o ministro Meirelles, que, num primeiro momento, debitou na conta do Congresso o rebaixamento, o qual teria ocorrido como consequência do atraso na reforma da Previdência. Maia defendeu-se afirmando que as duas denúncias do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Michel Temer, é que teriam pressionado a decisão do S&P, por terem diminuído o ritmo das reformas.

Reunião de Cármen Lúcia e presidente do TRF4

Já os apoiadores do ex-presidente Lula (PT) anunciam mobilizações no País, especialmente em Porto Alegre, para tentar reverter sua condenação em primeira instância. No âmbito do Judiciário, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lucia, deve se reunir na segunda-feira com o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, para tratar, entre outros assuntos, da segurança do Tribunal no dia do julgamento e das ameaças que juízes e desembargadores do Tribunal estariam recebendo.

Rebaixamento do Brasil e alta do IPCA não afetam redução de juros

Na avaliação da equipe do Banco ABC Brasil, o rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil e o número mais forte do que esperado no IPCA (inflação oficial) de dezembro (+ 0,44%) certamente não podem ser considerados boas notícias mas, dado o cenário externo ainda positivo, “podem ser minimizados, não configurando um perigo, seja para a recuperação da economia ou para a intenção do Banco Central (BC) de proceder mais um corte nos juros na reunião do Copom de fevereiro”.

Em relatório, os analistas do banco afirmam que mesmo com os acontecimentos dos últimos dias, mantêm as estimativas da semana anterior. “Nossa perspectiva (ainda é que) a inflação encerre 2018 em 4,2%, os juros caiam até 6,75% ao ano, a economia brasileira cresça 2,5% e o dólar feche o ano ao redor de R$ 3,50”, ressaltam.

Bolsa interrompe 11 pregões de alta, mas fecha semana positiva

Olhando mais para o mercado de ações, após a interrupção da sequência de 11 pregões seguidos de alta na B3 na semana anterior, analistas seguem tentando identificar tendências. Alvaro Bandeira, economista-chefe da ModalMais, avalia que, além das realizações de lucros de curto prazo, houve sinalizações importantes no segmento internacional, particularmente em juros. “Isso acabou por acelerar realizações (de lucros), não tão bem absorvidas pelo fluxo de recursos que está ingressando para compra de ações”. Mais para o final do período, diz o economista, com a S&P rebaixando a nota de classificação de risco do Brasil para BB-, “os mercados reagiram com maturidade nos diferentes segmentos” e fecharam com alta na bolsa e queda no dólar diante do real.

Já o BB Investimentos lembra em relatório que, apesar de o rebaixamento provocar certo temor nos agentes sobre a possibilidade de uma queda mais abrupta do Ibovespa, isto não aconteceu, e o índice zerou as perdas experimentadas durante o pregão, encerrando “de lado”, aos 79.349 pts (-0,02%) na sexta-feira. Com isso, avançou 0,35% na semana – a quarta consecutiva de alta, com destaque para o apetite dos investidores estrangeiros, que registraram entrada líquida de capital pelo 13º pregão seguido. “No exterior, depois de leve desaceleração no rali de alta nos principais mercados acionários pelo mundo, as bolsas retomaram movimento ascendente”, destaca a equipe.

B3 em busca dos 80.000 pontos

Pela análise técnica, diz Bandeira, seria preciso a B3 voltar a superar o patamar de 79.400 pontos, para buscar em seguida 80.000 pontos e, em seguida, 81.500 pontos. “Somos da opinião de que o quadro é mais favorável para alta que baixa, mas não deveríamos perder o patamar de 77.000 pontos, sob pena de precipitar mais”.

IBC-BR e arrecadação: à espera de sinais positivos

De acordo com o Banco Fator, em outubro, o IBC-Br — proxy mensal do Produto Interno Bruto (PIB) — superou as expectativas da equipe (- 0,4%) e do mercado (0%), ao crescer 0,3% no mês sobre o mês anterior, na série com ajuste sazonal. Em comparação com o mesmo mês de 2016 houve uma alta de 2,92%, recuperando o fraco resultado de setembro (0,68%). Para novembro, a expectativa do banco é de nova alta, mas menor. “Nossa expectativa é desaceleração para 0,2% na variação mensal e 2,70% em relação a novembro de 2016”. Já para a Rosenberg Associados, as projeções são de 0,2% e 2,54%, respectivamente.

UBS estima crescimento de 1% para o PIB em 2017 e 3,1% em 2018

O Banco UBS estima que a atividade econômica medida pelo IBC-Br relativa a novembro venha com variação de 2,8% (anualizada) e de 0,5% no mês em relação ao mês anterior. “Veremos se a cobrança de impostos (relativa a dezembro) melhorou como seria de se esperar de uma recuperação econômica”, complementam os analistas do banco em seu relatório. A equipe estima que a economia brasileira cresça 1% em 2017 e 3,1% em 2018, com mais sinais de recuperação “não só dos gastos dos consumidores, mas também de investimentos fixos”.

Arrecadação pode subir em dezembro

Para a arrecadação de dezembro, que será anunciada pela Receita Federal, a estimativa do Banco Fator é de R$ 138,8 bilhões. Se confirmada, dizem os analistas, representaria uma alta nominal de 8,8% em relação à arrecadação federal de dezembro do ano passado. Em 12 meses, significaria um valor de R$ 1,34 trilhão e no fechamento do ano, a arrecadação de 2017 seria 4,2% superior à do ano anterior. “Contudo, não podemos descartar a possibilidade de receitas extraordinárias, fenômeno comum em 2017, levarem estes resultados a uma quantia superior.”

A equipe de consultores da RA, por sua vez, estima resultado de R$ 135,2 bilhões. “Confirmada, será uma continuidade dos sinais mais animadores da economia nos últimos meses, com destaque para os impostos relacionados à atividade econômica”, afirmam. “Esperamos crescimento real de 0,4% da arrecadação em 2017, deixando para trás três anos consecutivos de queda nesta base de comparação”, completam.

IGP-10 deve ter desaceleração na comparação mensal

O IGP-10, em dezembro, voltou a acelerar na comparação mensal, superando a expectativa do mercado (0,81%), chegando em 0,90%, lembram os analistas do Fator, destacando que esse choque teve sua origem no IPA (Índice de Preços no Atacado), o qual registrou forte alta de 0,21% em novembro para 1,22%, contando com o aumento dos preços industriais (1,33%).

Na análise interanual, o IGP-10 manteve-se no campo deflacionário; no entanto, desde julho de 2017, quando foi registrado o primeiro valor negativo, os preços caminham com deflações cada vez menores. “Nossa projeção é de uma desaceleração (mensal) para 0,70% e, na comparação com janeiro de 2017, deflação de – 0,56%”, estima a equipe Fator. A Rosenberg projeta desaceleração, na comparação mensal, para 0,72%, e a LCA, para 0,69%.

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