Investimentos de varejo crescem 9,5% e chegam a R$ 1,7 tri, com 73,6 milhões de contas

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Os investimentos de varejo, incluindo o varejo de alta renda, fecharam 2017 em R$ R$ 1,694 trilhão, um crescimento de 9,5% sobre o ano anterior, informou nesta quarta-feira (21) a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Só a caderneta de poupança, que responde por R$ 610 bilhões desse total, cresceu 8,8%, enquanto os fundos de investimentos ganharam 32%, subindo seu patrimônio para R$ 538 bilhões. Já os títulos e valores mobiliários perderam espaço nas carteiras de varejo, com queda de 7,4%, para R$ 492 bilhões.

O número de contas de investidores subiu 5,9%, para 73,6 milhões. Não se pode dizer que esse é o numero de investidores pois pode haver clientes com várias contas em diferentes bancos e tipos de aplicação, como poupança, fundos e títulos.

Mais 3,7 milhões de pequenos investidores

O varejo tradicional, que inclui aplicações de poupança, fechou o ano passado com R$ 916,1 bilhões em investimentos, um crescimento de 7,4%. O número de contas de pequenos investidores cresceu 5,8%, para 67.549 investidores, um aumento de 3,7 milhões de contas.

Já o varejo de alta renda, uma parcela mais remediada da classe média, passou de 5,666 milhões de investidores para 6,052 milhões em 2017, um aumento de 6,8%. O aumento do número de investidores, porém, foi compensado pelo maior valor investido. O saldo de aplicações do varejo de alta renda subiu 12,1%, para R$ 778,1 bilhões.

Poupança continua como destaque para varejo

O aumento dos investidores de varejo em 2017 reverte a queda de 3,1% de 2016, afirma José Rocha, presidente do Comitê de Varejo da Anbima. Fundos mais sofisticados ganharam espaço, especialmente na alta renda, reflexo da queda da taxa de juros Selic, que leva o investidor a procurar mais risco.

Mas a poupança ainda permanece como principal instrumento do varejo, com 62,6% do total investido pelo varejo de menor renda e 11,6% no de alta renda. Em número de contas, a poupança é líder absoluta, respondendo sozinha por 62,561 milhões dos 73,6 milhões de  contas do varejo em geral, registrando ainda um aumento de 5,3% contas sobre 2016.

Juro menor aumenta procura por diversificação

Rocha diz que já se notam mudanças de comportamento nos investimento, atreladas às mudanças na economia do país. “No ano passado, a queda da inflação, dos 6% esperados no começo de 2017 para menos de 3% no fim do ano, aumentou os ganhos reais da renda fixa e atraiu mais investidores”, lembra.

Para 2018, o comportamento também está atrelado a economia, e com juros ainda mais baixos. “Existem analistas que acham que os atuais 6,75% ao ano de juros não são o fundo do poço e que a Selic pode cair mais, e isso vai forçar cada vez mais os investidores a buscar ativos de maior risco”.

Mesmo assim, a poupança deverá continuar com papel importante no varejo, acredita Rocha, especialmente para a baixa renda. “Não dá para atrelar o perfil de risco do investidor à renda, mas há uma certa correlação e o pessoal da base da pirâmide de renda, do varejo tradicional, tem uma preferência pela poupança e, com a melhora do emprego e da renda, uma parte do ganho vai para consumo e outra para a caderneta”, diz.

Já a diversificação atinge mais os clientes de varejo de alta renda, que aumentaram a fatia de fundos multimercados e de ações de 5,6% para 10,2% das carteiras.

Compromissadas despencam e LCI e LCA diminuem

Outra mudança importante foi a redução das aplicações em operações compromissadas, nas quais o banco pega um título de sua carteira e o revende para o investidor com a promessa de recompra-lo quando ele quiser. Esse tipo de operação foi limitado pelo Banco Central em 2016 pois aumentava o risco dos bancos e criava uma aplicação de alta liquidez com um papel longo. “A tendência dessa aplicação é acabar este ano”, diz João Albino, presidente da Comissão de Private Banking da Anbima. . As compromissadas passaram de 6,4% em 2016 para 3,1% das carteiras em 2017.

Diminuíram também as aplicações em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócios (LCA), papéis isentos que foram a mania do mercado há quatro anos atrás. Agora, a falta de empréstimos nessas áreas para lastrear essas emissões dos bancos reduziu a remuneração e afastou os investidores. LCA caiu de 7,8% para 4,3% das carteiras e LCI, de 11,1% para 9,3%

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