Veja como ficam a poupança e outros investimentos com os juros baixos

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Ontem (7) o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 6,75% ao ano, o menor nível da história. Esse foi o 11º corte consecutivo na taxa básica de juros, justificado pela evolução da inflação em patamares confortáveis e pela recuperação consistente da economia nacional apresentada por indicadores. Apesar de essa medida ter um aspecto positivo para o mercado, ela também impacta diretamente outras taxas de juros, em especial os investimentos de renda fixa.

O objetivo do Banco Central (BC) é estimular o crédito para que o consumo continue a crescer. Como a Selic funciona como uma referência mínima para outros juros, é de se esperar que as operações financeiras fiquem mais baratas, incluindo o rendimento de aplicações.

Poupança

Desde 2012, a Selic mexe com a remuneração da poupança. Os investimentos feitos antes do dia 3 de maio de 2012 não foram afetados e continuam sendo remunerados pela Taxa Referência (TR) mais 0,5% ao mês. Mas qualquer outra aplicação depois dessa data segue uma regra diferente.

Quando a taxa básica de juros é igual ou inferior a 8,5%, como agora, a remuneração passa a ser de 70% da Selic mais a TR.

“Não vale a pena! É importante sair da popança e buscar outras oportuninflaç˜idades”, afirma Marcelo Coutinho, especialista em finanças. Apesar da poupança continuar rendendo mais do que a inflação atual, a qual foi de 0,29% em janeiro, ela não possui uma lucratividade tão boa quando comparada com períodos anteriores.

CDB

Para Coutinho, no momento os CDBs são as melhores opções para quem prefere investimentos de renda fixa. Os Certificados de Depósitos Bancários (CDB) permitem saber com antecedência o prazo e as condições de remuneração, com taxas pré ou pós-fixadas, dependendo da sua escolha.

“Você tem duas linhas de CDB, uma dos bancos principais que pagam menos e outra dos bancos de segunda linha”, comenta o especialista. Coutinho explica que apesar do nome parecer depreciativo, os bancos de segunda linha na verdade são bancos menores, como o Original, o Alfa e o Fibra. 

Eles também são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura montantes de até R$ 250 mil por aplicação nas instituições financeiras, e usam as taxas mais atrativas para captar mais dinheiro. O risco é mais alto, mas esses bancos chegam a pagar “de 20% a 25% acima do que pagam os bancos de primeira linha”, argumenta Coutinho.

A questão principal é saber por quanto tempo esse investimentos deve durar. “Um CDB de liquidez diária ou um CDB de seis meses te paga 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que costuma oscilar bem próximo à Selic, mas as vezes você pega um outro CDB do mesmo banco e ele paga 118%”, segundo o especialista.

Quanto mais longo for o tempo do título, maior será a sua rentabilidade. Mas é preciso estar disposto a ficar sem a quantia por um tempo. Quando se retira o investimento antes do prazo, não se recebe tudo o que ele rendeu até então, o que pode acabar sendo uma mau negócio no final das contas. O melhor é que o CDB seja mantido do início ao fim.

Ao mesmo tempo, é preciso destacar que os CDBs cobra um tributo do Imposto de Renda. A taxa varia de acordo com o o prazo da aplicação, quanto mais longo o tempo, menor é essa taxa. Em investimentos de até 180 dias, 22,5% do lucro é cobrado. Entre 181 dias e 360, são 20%. Entre 361 dias e 720, são 17,5%. Mas para mais de 721 dias, a taxa é fixada em 15%.

 LCI e LCA

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letra de Crédito de Agronegócio) também possuem uma boa rentabilidade, de acordo com Coutinho, porque quando esses títulos “te pagam 98% ou 100%, eles equivalem a 128%, 130% do CDI”. Outra vantagem é que elas são isentas da cobrança do imposto de renda para pessoas físicas, ou seja, o lucro é totalmente embolsado pelo investidor. Além disso, é possível saber com antecedência o prazo e as condições de remuneração.

Aqui, os lucros também são baseados em uma porcentagem do CDI e são melhores quando os investimentos são mais longos. A única questão é que tanto a LCI quanto a LCA não podem ser resgatadas antes que do vencimentos dos títulos, então é preciso ter certeza que o dinheiro aplicado não será necessário ao longo do prazo.

Novamente, Coutinho reforça que bancos de segunda linha costumam ter retornos melhores do que os de primeira linha, mas que é preciso ficar atento ao limite de R$ 250 mil do FGC. “Buscar alternativas melhores e mais rentáveis” é a melhor ideia para o especialista.

Repórter da ADVFN, Ana Beatriz Bartolo é estudante de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Interessada em política e economia, trabalha por um jornalismo ético que cumpra seu papel social. Contato: anab@advfn.com.br

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