EUA parecem desconsiderar peso da China na própria economia

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O governo dos Estados Unidos indicou que pretende adotar medidas para diminuir o déficit comercial com a China em US$ 100 bilhões, aumentando o receio dos investidores com a possibilidade de a tensão entre os dois países provocar um forte período de desequilíbrio no comércio mundial, com consequências negativas para a economia.

A Casa Branca argumenta que o amplo déficit dos Estados Unidos com a China é indício de práticas injustas por parte do governo chinês no comércio mundial. A maioria dos especialistas, porém, aponta que o número apenas reflete o fato de que várias indústrias voltadas à exportação que antes estavam pulverizadas no continente asiático e em outros países passaram a se concentrar na China.

Isto também significa que a China importa componentes de vários países do mundo para transformá-los no produto final e vendê-los ao exterior. Empresas, inclusive americanas, se aproveitam do papel da China na estrutura do comércio global. A Apple é um exemplo disso. A empresa possui 200 fornecedores com mais de 700 fábricas espalhadas em todo o mundo, e a maioria destas unidades está na China (346). Japão (126) e Estados Unidos (69) vêm em seguida.

Várias empresas norte-americanas possuem investimentos no mercado chinês e em alguns casos chegam a vender mais produtos por lá do que em sua terra natal – caso das montadoras, por exemplo. Além disso, os consumidores dos Estados Unidos são amplamente beneficiados pelas importações da China, compostas em grande parte por bens de consumo fabricados a um custo menor que nas fábricas locais.

Os chineses vendem essencialmente produtos eletrônicos aos Estados Unidos – computadores, telefones, semicondutores, equipamentos de áudio e vídeo, peças de motores e eletrodomésticos -, mas também entram na lista roupas, calçados e móveis. Os norte-americanos, por sua vez, vendem aos chineses principalmente oleaginosas e grãos, como a soja, aeronaves e afins, veículos, medicamentos, produtos químicos e sucata.

Qualquer tentativa do governo dos Estados Unidos de moldar à força os termos do comércio com a China deve resultar em problemas. Do lado da produção, há mais setores dos Estados Unidos expostos ao mercado chinês do que contrário. Além disso, a aplicação de barreiras ao comércio entre os países deve gerar um fortalecimento artificial na inflação, podendo colocar em risco o esforço do Federal Reserve, o banco central norte-americano, para garantir um retorno sustentável dos preços e juros a níveis considerados normais.

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