Semana terá IPCA de fevereiro, produção industrial, recurso de Lula, restrições ao aço nos EUA e desemprego

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Dados da indústria relativos a janeiro e balanço da produção de veículos em fevereiro, que serão apresentados na terça-feira pelo IBGE e pela Anfavea, respectivamente, e anúncio da inflação oficial de fevereiro (IPCA), que sairá na sexta-feira. Estes serão, segundo analistas de mercado, os principais destaques da semana na agenda econômica local — informações importantes a considerar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, agendada para a penúltima semana do mês, que poderá ou não sinalizar com novo corte na taxa básica de juros da economia, a Selic.

No exterior, as atenções devem estar no desemprego nos EUA e na confirmação do presidente Donald Trump da decisão de impôr tarifas de 25% para o aço e 10% para o alumínio importado. O anúncio das alíquotas e as declarações de Trump, de que guerras comerciais são boas e fáceis de vencer, mexeram com os mercados, que caíram e depois se recuperaram na sexta-feira. No Brasil, as ações de siderúrgicas despencaram.

A União Europeia respondeu que também deve impôr restrições a produtos importados dos EUA, assim como o Canadá e a China, e diversos outros países, que prometem também recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Trump respondeu que se os europeus impuserem restrições, ele vai criar outras sobre os carros importados da Europa.

Lula aguarda decisão do STJ; partidos começam a definir candidaturas

Com o governo abandonando a agenda de reformas no Congresso, o cenário político da semana deve se concentrar ainda mais na eleição presidencial de outubro, com a pauta direcionada para o Judiciário e os partidos políticos.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pautou para esta terça-feira o julgamento do habeas corpus preventivo da defesa do ex-presidente Lula contra sua condenação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Disposto a manter sua pré-candidatura, o ex-presidente tentará impedir sua prisão, embora boa parte das projeções no mercado apontem que não terá sucesso, o que o levaria a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda no lado da oposição, o PSOL deverá oficializar sua candidatura à presidência: Guilherme Boulos. Seu nome deve ser oficializado no próximo sábado, e tem o respaldo de artistas brasileiros, entre eles, Caetano Veloso.

Principal rival de Lula nas pesquisas, o deputado Jair Bolsonaro deverá filiar-se ao PSL, legenda pela qual pretende disputar a eleição. A expectativa é que o parlamentar atraia deputados federais para dar peso político à sua filiação.

No campo governista, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), tende a manter o foco das atenções, pois segue trabalhando nos bastidores para viabilizar seu nome, com especulações de uma possível filiação ao MDB. Esse movimento, porém, depende da decisão do presidente Michel Temer concorrer ou não à eleição pelo partido, o que pode inviabilizar as pretensões de Meirelles.

Diante do fraco desempenho nas pesquisas, Meirelles aposta nos números positivos da economia para entrar no jogo eleitoral. Como o cenário no lado das forças que apoiam o governo é ainda de muita indefinição, as especulações vão continuar nos próximos dias. A aliança PSDB-MDB, com Meirelles vice do tucano Geraldo Alckmin, por exemplo, seria uma delas, segundo matéria no jornal O Estado de S.Paulo.

De olho nos dados do mercado de trabalho americano e reunião do BCE

Na agenda internacional, as atenções estarão voltadas principalmente para os dados de mercado de trabalho nos EUA (divulgação na sexta-feira) e a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, dia 8. Segundo a equipe de analistas do Banco Votorantim, ainda que nesse encontro não sejam esperadas sinalizações mais fortes da autoridade monetária europeia, serão divulgados, na quarta-feira, dados de PIB e produção industrial dos principais países da zona do euro.

Temor de inflação nos EUA cria volatilidade no mercado acionário

Analisando os indicadores do mercado de trabalho americano, economistas da consultoria Rosenberg Associados (RA) lembram que no começo de fevereiro a subida dos salários acima do projetado foi um dos gatilhos para o aumento das preocupações com a inflação, acarretando alta da volatilidade e perdas relevantes no mercado acionário.

“Deste modo, o dado deve ganhar relevância na próxima sexta-feira. Além disso, na Europa, a reunião do BCE será foco, especialmente na expectativa de rediscussão do plano de compra de ativos”, diz a equipe da RA em relatório. A consultoria destaca ainda a eleição na Itália, no final de semana, “que se mostra altamente incerta e deve marcar a volta da figura política de Berlusconi como força de influencia na formação de coligações, com chance de que seu partido lidere o parlamento.”

Inflação na China e reunião sobre política monetária no Japão

Na Ásia, o destaque fica por conta dos dados de comércio exterior e inflação na China e reunião do Banco do Japão. De acordo com analistas do Banco Fator, o Banco do Japão (BoJ) pode dar algum sinal mais robusto de que pretende rever sua política monetária. “Como já notamos, recentemente, o Banco Central do Japão não precisou manter o ritmo de compra de títulos públicos para manter o yield dos títulos de 10 anos em zero, e seu presidente, Kuroda, indicou que a revisão da postura ultra-expansionista da política monetária está se aproximando”.

No caso da China, lembra o Fator, a balança comercial em janeiro manteve a forte aceleração das importações (17,58%), que mais uma vez superou o crescimento das exportações (8,29%). Deste modo, o saldo acumulado em 12 meses (US$ 394 bi) foi 21,47% inferior ao registrado em janeiro do ano anterior, fazendo com que a corrente de comércio, calculada a partir da soma das importações e exportações, crescesse 21,96%.

IPCA: estimativas perto de 0,30% em fevereiro

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que mede a inflação oficial do país, a estimativa da Rosenberg Associados é variação de 0,29%, a mesma do mês anterior. Na comparação em 12 meses, estima a equipe, a inflação deve arrefecer, de 2,86% para 2,81%.

De volta à comparação mensal, a RA dá destaque para a deflação do grupo Alimentação e Bebidas, reflexo da reversão da pressão recente observada nos itens in natura. Em contrapartida, estima que o grupo Habitação deve ficar mais pressionado, em linha com o fim do efeito deflacionário sobre o item energia elétrica residencial, influenciado pela queda da cobrança via bandeiras tarifárias, de vermelha para verde.

Os analistas do Banco Fator ressaltam que no primeiro mês do ano, o IPCA surpreendeu o mercado ao registrar uma taxa de 0,29%, e voltar para baixo do piso da meta do Banco Central, com inflação de 2,86% no ano.

A desaceleração na variação mensal ocorreu por influência das deflações em habitação (0,85%) e vestuário (0,98%). Já o IPCA-15, prévia da inflação oficial, desacelerou de 3,02% para 2,86% em fevereiro, mantendo a composição desinflacionária que leva o Copom a comentar que os núcleos estão baixos. “Nossa previsão para o IPCA de fevereiro é de alta de 0,31% — o que levaria para 2,83% o acumulado em doze meses; será o oitavo mês consecutivo com resultado abaixo do piso da meta do Copom”, projeta o Fator.

A LCA projeta alta na variação mensal de 0,28 e a Gradual Investimentos, de 0,30%.

IGP-DI de fevereiro sai na quarta-feira

Para o IGP-DI de fevereiro, que a FGV divulga quarta-feira, a estimativa dos analistas é de uma desaceleração (na variação mensal) para 0,02%, e que a no ano a taxa fique em – 0,26%.

Produção industrial pode ter desaceleração em janeiro e alta no ano

O resultado do setor industrial de dezembro, publicado pelo IBGE, lembra a equipe do Banco Fator, cresceu 2,8% sobre novembro com destaque para indústria de transformação, e 4,4% sobre o mesmo mês de 2016. Desta maneira a produção industrial cresceu 2,5% em 2017 sobre o ano anterior, carregada pelo setor automobilístico, sendo o primeiro resultado positivo desde 2013 (2,1%). “Estimamos uma desaceleração (janeiro) na margem (variação mensal) para 0,9% e aceleração no ano de 6%.”

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