Só 18% dos brasileiros conseguiram poupar em janeiro; 46% tiveram de sacar parte das economias

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Dados do Indicador de Reserva Financeira apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que, neste começo de ano, pouca gente conseguiu fazer uma reserva de recursos. Apenas 18% dos brasileiros puderam poupar algum dinheiro em janeiro, enquanto mais de dois terços (71%) dos consultados não conseguiram guardar qualquer parte de seu orçamento.

Os coordenadores do estudo explicam que o baixo número de poupadores tem se mantido estável desde o início da série histórica. Em dezembro de 2017, o percentual de poupadores era de 21% e em janeiro do ano passado, estava em 17%.

Dificuldade maior em poupar está nas faixas C, D e E

Por faixa de renda, o problema aparece com mais força nas classes C, D e E, nas quais oito em cada dez pessoas (76%) não conseguiram poupar em janeiro, enquanto nas classes A e B, o percentual de não-poupadores cai para 54% da amostra. Em média, o valor poupado em janeiro foi de aproximadamente R$ 456.

Rever hábitos de consumo e reservar um tempo para planejar orçamento

Diante desse cenário, o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, analisa que certamente há famílias passando por situações de aperto. Mas acredita que, em todas as faixas de renda, ainda faltam dois ingredientes fundamentais para buscar um maior equilíbrio financeiro: rever hábitos de consumo e parar com todas as outras atividades, ainda que seja uma hora por mês, para se dedicar ao planejamento e organização do orçamento doméstico.

“É fundamental listar receitas e débitos, rever despesas, fixar objetivos e analisar a qualidade do consumo, o que poderá ajudar a melhorar a situação e certamente será muito produtivo”, orienta Vignoli.

Homens guardam mais que as mulheres

A sondagem mostra ainda diferença estatística na comparação entre os gêneros. O percentual de poupadores entre mulheres é de 16%, ao passo que entre os homens atinge 22% dessa população. De forma geral, pouco mais de um terço (36%) dos entrevistados disseram não ter o hábito de poupar dinheiro.

Culpa é do salário baixo

Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, diz que os dados sobre a formação da reserva financeira mostram um alto número de famílias vulneráveis, diante do alto desemprego e a renda menor, que dificultam a formação de poupança.

Mas ela também enfatiza que o consumidor deve olhar para os próprios hábitos. “A boa prática financeira recomenda a formação de poupança para lidar com imprevistos. Quem não tem reserva, na hora da dificuldade precisa tomar crédito, que cobra juros e também pode ser negado”, ressalta.

Quase metade dos poupadores sacaram para lidar com imprevistos

O estudo mostra ainda que no último mês de janeiro muitos poupadores tiveram de recorrer ao dinheiro que possuem guardado. Entre os que têm alguma reserva, 46% precisaram sacar alguma parte já no primeiro mês do ano. Os imprevistos foram a principal razão para o saque, com 13% de citações. Outros 10% retiraram o dinheiro guardado para fazer alguma compra e também 10% para pagar contas.

Maior parte poupa para caso de doença ou outros problemas inesperados

Buscar proteção contra imprevistos, segundo a pesquisa, é o principal objetivo entre os brasileiros que possuem alguma quantia guardada No total, 43% dessas pessoas pouparam parte de suas rendas para se prevenir contra doenças ou imprevistos do dia a dia. Outros 25% buscavam garantir um futuro melhor para seus familiares e uma fatia de 21% para enfrentar uma possível demissão.

Só 12% guardaram recursos pensando na aposentadoria

Somente a partir do quarto lugar no ranking de citações é que aparecem opções relacionadas a consumo, como realizar uma viagem (17%) e reformar a casa (13%). Outra constatação do levantamento é que apenas 12% dos poupadores guardam dinheiro pensando na aposentadoria.

Maioria deposita na poupança, mas um quarto ainda guarda dinheiro em casa

Quanto ao destino dos rendimentos, o indicador do SPC Brasil indica que a maioria (65%) dos poupadores seguem escolhendo um tipo de aplicação de baixa remuneração para depositar seus recursos, que é a caderneta de poupança. Em segundo lugar, 24% dos entrevistados decidiram manter o dinheiro guardado na própria casa, opção não recomendada por questões de segurança e por não render juros. Uma parcela de 20% disseram deixar o dinheiro na própria conta corrente.

Em seguida aparecem opções mais sofisticadas e rentáveis de aplicações, como fundos de investimento (10%), Tesouro Direto (8%) e previdência privada (7%).

Perfil das reservas tem de refletir objetivos

Marcela Kawauti destaca que, para as pessoas que buscam uma reserva para lidar com imprevistos, as aplicações têm de ser de fácil resgate. “Nesses casos, a poupança pode ser boa opção; é melhor do que manter o dinheiro em casa ou na própria conta corrente, onde o risco de gastá-lo é maior e não há rendimentos.”

Já para os que têm objetivos de longo prazo, a recomendação é outra. “É preciso estar mais atento à rentabilidade”, diz Marcela, lembrando que neste caso vale o esforço de buscar opções mais sofisticadas de investimentos, que possam garantir um retorno melhor.

Maioria buscou crédito em fevereiro para pagar dívidas mais caras, diz Guiabolso

Os principais motivos que levaram o brasileiro a tomar empréstimo em fevereiro foram: pagar dívidas caras e refinanciar outros débitos . A informação é de levantamento da plataforma de empréstimos online Just junto a 9.604 pessoas.

O motivo Refinanciar dívidas foi mencionado como a principal razão para a solicitação do empréstimo, com uma fatia de 21,22% dos pedidos feitos. Aparecem em seguida as dívidas caras: Pagar cheque especial foi o motivo apresentado para 12,99% dos empréstimos e Pagar o cartão de crédito, para 12,66%.

Quando se olha a evolução, porém, o motivo Pagar cheque especial teve uma alta de 2,99 pontos porcentuais, enquanto pagar o cartão de crédito diminuiu 3,45 pontos (o refinanciamento ficou praticamente estável).

Cresce a demanda de recursos para reforma de casa e investimento em negócio próprio

Outras razões que tiveram altas expressiva, segundo a pesquisa, foram: Investir na empresa (com 10,77% dos pedidos de empréstimo) e comprar ou fazer reforma a sua casa (com 10,86% das solicitações), os dois itens com aumento de mais de um ponto porcentual. Para os organizadores da pesquisa, o movimento mostra que o brasileiro já estaria começando a ficar um pouco mais otimista com a economia e a se planejar para novos gastos e investimentos.

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