Bovespa em zona de congestão

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Por: Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais

Bem que o Ibovespa tentou, mas não conseguiu se firmar acima de 85.500 pontos, quando a situação de recuperação poderia melhor consolidar. Na máxima do dia atingiu 85.416 pontos, mas sempre de olho na reunião do STF no Brasil e na divulgação da ata do FED da última reunião.

No início da manhã, a situação estava pesada do ponto de vista do risco geopolítico depois dos EUA ameaçar mísseis sobre a Síria afrontando a Rússia e sugerindo que se preparasse. Além disso, o secretário do Tesouro americano Mnuchin falou sobre a volta de sanções muito fortes contra o Irã. Ocorre que no início da tarde as agências de notícias passaram a informar que navios russos estavam deixando portos na Síria e a situação acalmou um pouco.

Ainda nos EUA, o presidente da Câmara, Paul Ryan disse que não será candidato nas próximas eleições. Foi divulgado o déficit fiscal de março em alta para US$ 208 bilhões e expansão anualizada de 18%. Os estoques de petróleo subiram na semana passada 3,3 milhões de barris, mas não foi suficiente para inibir nova alta do óleo no mercado internacional.

Houve deflação no índice CPI de março de 0,1%, mas com núcleo em alta de 0,2% e anualizado em 2,1%. Foi divulgada a ata do FED com os membros que dizem que a alta de juros é apropriada; mas com “um par” de membros ainda querendo a estabilidade. A percepção é que a reforma tributária dará impulso significativo ao crescimento, mas enxergam riscos de guerra comercial. O consumo se mantém em ritmo moderado e os gastos das famílias estava baixo por atrasos nas restituições de impostos. Salários mostravam alta moderada e a inflação deve ficar em 2,0% ou mais até 2020. Reduziram a expectativa de crescimento do PIB em 2018.

Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 2,03%, com o barril cotado a 66,84. O euro era transacionado em alta para 1,236 e notes americanos de dez anos com taxa de juros de 2,78%. O ouro e a prata operaram em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o presidente do Bacen, Ilan reforçou a importância de continuar com a reforma fiscal e da previdência para manter inflação baixa. Discurso repetido pelo novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em sua coletiva de imprensa, anunciando a nova secretária executiva, Ana Paula Vescovi (ex-secretária do Tesouro). Guardia destacou base de atuação na disciplina fiscal, produtividade e fortalecimento do mercado de capitais. Falou sobre fechar acordo de cessão onerosa e privatização da Eletrobras. Ambas de grande importância para equacionar contas. Falou ainda sobre regra de ouro que é problema para 2019.

Meirelles falou sobre manutenção coesa da equipe e crescimento econômico disseminado. O Bacen anunciou que o fluxo cambial estava positivo até 06 de abril em US$ 2,69 milhões (melhor resultado do ano), acumulando até essa data fluxo positivo de US$ 5,36 bilhões. Na sequência dos mercados, ainda no cenário local, os DIs terminaram o dia em queda para todos os vencimentos e o dólar depois de abrir em alta passou a cair forte e fechou com queda de 0,72% e cotado a R$ 3,39. Na B3, na sessão de 09 de abril, os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 327 milhões, deixando o saldo do mês negativo em R$ 392,3 milhões e o ano com fluxo negativo de 350 milhões.

No mercado acionário, dia de queda da bolsa de Londres de 0,13%, Paris com -0,56% e Frankfurt com -0,83%. Madri e Milão perderam respectivamente 0,28% e 0,69%. No mercado americano, dia de Dow Jones com -0,90% e Nasdaq com -0,36%. Na B3, mercado em alta de 0,87% e índice em 85.245 pontos, com Petrobras e bancos ajudando na alta.

Na agenda de amanhã, teremos as vendas no varejo de fevereiro e o relatório Prisma. Nos EUA, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior e os preços dos importados de março.

Boa noite.

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