Semana curta terá produção industrial, balança comercial, dados fiscais, balanços, Fomc e emprego nos EUA

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Nesta semana, que será mais curta por conta das comemorações do Dia do Trabalho na terça-feira, com os mercados fechados por aqui e feriado também em países como a China e a Alemanha, um dos principais destaques da agenda econômica local deve ser a Pesquisa Industrial Mensal de março, que o IBGE divulga na quinta-feira. Na quarta saem os dados do Índice dos Gerentes de Compras (PMI, ou Purchasing Manager’s Index) da indústria, acompanhados mensalmente pelo HSBC e referentes a abril.

Também na quarta-feira, o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC) anuncia o desempenho da balança comercial referente a abril. São esperados ainda dados fiscais a serem apresentados já na segunda-feira pelo Banco Central e, na quarta, informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre utilização da capacidade instalada do setor, ambos relativos a março; comportamento da produção e vendas de veículos (Anfavea/Fenabrave) em abril e, na quinta-feira, a divulgação do IPC da Fipe, referente a abril, mostrando a variação dos preços ao consumidor em São Paulo.

O mercado estará de olho também no dólar, que segue perto de R$ 3,50 por conta da expectativa de alta dos juros nos EUA acima do previsto inicialmente e da incerteza com a eleição para presidente no Brasil.

Balanços de Itaú, Cielo, Raia Drogasil, Lojas Renner e IRB Brasil

Paralelamente a esses números da economia, a safra de balanços do primeiro trimestre prosseguirá após uma pauta na segunda-feira. Na terça-feira, ignorando o feriado local, o Itaú  Unibanco divulga seus números. Na quarta-feira, saem após o fechamento os balanços de Aliansce, Cielo, Raia Drogasil. Na quinta-feira, dia 3, também após o fechamento do pregão, SulAmérica, Lojas Renner, IRB Brasil divulgam seus dados do primeiro trimestre. Na sexta-feira, dia 4, o Banco ABC Brasil anuncia seu resultado.

De olho em dados de inflação, mercado de trabalho e política de juros nos EUA

Na agenda internacional, lembra a equipe da Rosenberg Associados (RA), o mercado estará de olho em dados de inflação e mercado de trabalho nos EUA, bem como em nova reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), que acontece na terça e na quarta-feira, para definir se sobe o juro básico nos EUA, hoje em 1,75% ao ano. A expectativa é também com o comunicado que acompanha a decisão, divulgada na quarta-feira, que pode dar pistas da visão do Fomc sobre os juros americanos, que assustaram os mercados nas últimas duas semanas e levaram o juro do título do Tesouro americano de 10 anos para 3% pela primeira vez desde 2014.

Na segunda-feira, um dado importante será o deflator dos Gastos Pessoais do Consumidor (PCE), usado pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) como referencial de inflação.

Para os analistas da RA, a inflação americana do primeiro trimestre de 2018 deve indicar aceleração e se aproximar da meta de 2% do Fed, tendo em vista a eliminação do efeito desinflacionário advindo da telefonia de março de 2017 e a aceleração do preço dos combustíveis.

Também antes do Fomc, sai o PMI industrial de abril dos EUA, que vai mostrar dados mais atualizados da indústria americana.

Além disso, destaca a Rosenberg em relatório a clientes, o mercado de trabalho americano, cujos dados saem na quinta (produtividade e custo unitário no primeiro trimestre) e na sexta-feira (desemprego de abril), deve indicar manutenção da tendência de fortalecimento, com especial atenção à evolução dos salários, os quais devem ser o termômetro da aproximação do pleno emprego no país, despertando o receio de pressões inflacionárias.

O Fomc se reunirá desta vez “sem a previsão de novas altas ou a conferência de Jerome Powell, presidente do Fed, com jornalistas, esperando-se atualização modesta do cenário, com o reconhecimento de moderação no desempenho da economia e aceleração da inflação”, estima o informativo da consultoria.

Na quinta-feira, depois do Fomc portanto, sai o PMI de abril de serviços e composto dos EUA.

Na Europa, PIB do Euro, emprego e PMI

Na Europa, as atenções devem estar nos números do PIB do primeiro trimestre, que saem na quarta-feira. Mas, se o PIB aponta para o passado, o PMI da Zona do Euro de abril deve trazer números mais recentes do comportamento da economia. Também na quarta saem dados de desemprego do euro, outro indicador importante para a definição dos juros pelo Banco Central Europeu (BCE).

Na quinta, saem os números de inflação ao consumidor (CPI) de abril e os de inflação no atacado (PPI) de março.

Na política, clima de tensão deve se intensificar no feriado de Primeiro de Maio

Em meio ao feriado de Primeiro de Maio nesta terça-feira, o cenário político indica um quadro de tensão nos próximos dias, mais uma vez com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Michel Temer no centro das atenções.

Os disparos de tiros contra o acampamento de aliados do ex-presidente, na madrugada do último sábado, em Curitiba, que deixaram ferimentos em duas pessoas, deverão ser objeto de protestos e ações políticas por parte do Partido dos Trabalhadores (PT).

O episódio reforça o clima mais tenso deste Primeiro de Maio com a CUT, aliada histórica de Lula, já anunciando que defenderá nas manifestações a liberdade do ex-presidente. O juiz Sergio Moro também está no alvo dos petistas, que pressionam para que sejam retiradas da responsabilidade dele as ações penais contra Lula.

Nova suspeita de corrupção coloca Temer na defensiva

Michel Temer, por sua vez, tem seu nome envolvido desde a última sexta-feira em indícios de corrupção. Segundo a Folha de S. Paulo, investigação preliminar da Polícia Federal indica que o presidente teria usado dinheiro de propina para reformar imóveis da família e ocultado bens em nome de terceiros. Irritado, Temer alega reclamou de perseguição e “que nunca teve a oportunidade de provar a posse legal dos imóveis”. O fato deverá permanecer em pauta em razão do depoimento de sua filha, Maristela, à PF, sobre a reforma em sua casa que teria sido paga em dinheiro pela mulher do ex-coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente.

Balança comercial, dados fiscais e produção industrial

Na avaliação do banco UBS, os números fiscais do mês mostrarão menor déficit público em função de melhor arrecadação, próximo a 1,5% do PIB em 12 meses. E também bons resultados na balança comercial: “Prevemos fortes exportações de soja, elevando os resultados da balança comercial de abril, em 12 meses, para 3,2% do PIB”, diz o banco em relatório. Finalmente, a produção industrial de março pode mostrar uma recuperação parcial dos primeiros números fracos de 2018, com alta de 0,5% sobre o mês anterior ajustado sazonalmente, estima o UBS.

Para os analistas da RA, após a forte alta de dezembro na produção industrial, parcialmente revertida em janeiro, a tendência é de continuar, em fevereiro e março, o crescimento gradual da produção industrial. “Caso nossa projeção se confirme, a produção industrial terá registrado um avanço interanual de 3,8% no primeiro trimestre e de 0,5% em termos dessazonalizados, contra o quarto trimestre de 2017.”

Importações devem crescer mais rápido que as exportações

A balança comercial de abril, pelas projeções da Rosenberg, deve mostrar crescimento tanto nas exportações quanto nas importações, na comparação com o mesmo mês do ano passado. “As importações, porém, crescem em ritmo mais acelerado, o que justifica a queda do superávit em relação ao observado em abr/17 (US$ 6,7 bilhões)”, destaca essa análise.

Mercados de risco: volatilidade e constantes mudanças de sinais

Acompanhando de perto o comportamento da economia, com foco sobretudo nos mercados de risco, o economista-chefe da Home Broker Modalmais, Alvaro Bandeira, lembra que na semana que passou, nos EUA, muitos indicadores foram anunciados e com viés positivo, além da safra de balanços mostrando que as empresas estão recuperando tração. Para o próximo período, ele não exclui a possibilidade de continuar a volatilidade nos mercados de risco e nem constantes mudanças de sinais.

“Porém, reafirmamos nossa crença de que o pano de fundo da recuperação econômica global continuará a ser mais forte que as injunções de curto prazo. Com isso, queremos dizer que a tendência primária continua sendo de alta”, analisa.

Partindo dessa avaliação, e considerando que o processo eleitoral só começará a ser definido depois da Copa do Mundo, “e que qualquer candidato que ganhe as próximas eleições não pode sair muito do script de reformas”, o economista vê o momento como mais propício para aquisições de ativos via fusões e aquisições e compras em mercados primário e secundário.

Para economista, cenário externo segue positivo

Para Bandeira, o cenário externo segue sendo positivo, mesmo considerando reduções e programas de flexibilizações monetárias que possam ocorrer, principalmente em países desenvolvidos, o que já estaria no radar dos investidores há muito tempo.

“Na semana, teremos três dados especialmente importantes. O primeiro deriva do encontro entre o presidente da Coreia do Sul e o ditador Kim-Jong-Un, e o que pode trazer de desdobramentos”, destaca. Acrescenta que haverá ainda encontro da comitiva americana liderada por Steve Minuchin e os chineses, quando pode surgir conclusão para tarifas nas importações dos dois países. E, por último, menciona a reunião do Fed, na quarta-feira, a ser seguida mais adiante pela decisão do Copom em 16 de maio. “Os mercados já aparecerão ajustados e nada indica que a decisão seja diferente. O Fed não deve elevar juros agora e o Copom deve reduzir (a taxa Selic) em 0,25%”, estima, o que levaria o juro básico atual de 6,5% para 6,25%.

Ibovespa tem resistência nos 86.150 pontos

Pela análise técnica, que usa os gráficos para tentar determinar o comportamento dos mercados, diz o economista, o Índice Bovespa terá de superar a resistência dos 86.150 pontos, “para perseguir outra zona de resistência em 87.300 pontos, aproximadamente, para em seguida almejar voltar ao recorde histórico, acima de 88.320 pontos”, diz analista.

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