Ação do BC ajuda, mas exterior deve derrubar o dólar, que já abriu em baixa

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O anúncio do Banco Central (BC) ontem(02) à noite de venda de contratos de swap cambial, que servem como venda de dólar futuro, deve reduzir um pouco a pressão sobre a moeda americana no Brasil.

A entrada do BC já era esperada desde que o dólar se aproximou de R$ 3,50, e ontem, com a moeda batendo R$ 3,55, a atuação foi anunciada com o argumento de rolagem do vencimento de swaps cambiais em 1º de junho.

Mas o BC deixou claro que não vai se limitar a rolar o vencimento, ou seja, pode aumentar a oferta de swaps se sentir que o mercado continua pressionado. Além disso, afirmou em seu comunicado que o objetivo é “suavizar movimentos no mercado de câmbio”. Não há, porém, prazo ou cronograma dos leilões.

Hoje, a moeda americana abriu em queda de 0,3%, vendida por R$ 3,538. Já o Índice Bovespa indica queda no mercado futuro, de 0,21%. Os juros futuros, por sua vez, têm alta nas taxas de prazos mais curtos e baixa no mais longos, um sinal de que o mercado começa a mudar a visão de que o BC reduziria a Selic mais uma vez este mês. Com o juro mais alto agora, as taxas poderiam ser menores nos prazos mais longos.

A LCA Consultores lembra que desde maio do ano passado, não se observa uma alta na posição de swap cambial do BC. Naquela ocasião, o Banco Central foi mais agressivo ao aumentar sua posição em US$ 10 bilhões num curto espaço de tempo. Desta vez, a ação do Banco Central é mais cautelosa, avalia a LCA.

Dólar em queda no exterior

Mas o que deve mesmo reduzir o dólar é o mercado internacional, que tem sido o principal fator de pressão sobre a moeda brasileira e todas as demais. A moeda está em baixa diante do euro e do iene e os juros dos papéis de 10 anos do Tesouro dos EUA recuam para 2,945% ao ano, depois de terem superado 3% na semana passada. E o Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, cai 0,45% no mercado futuro, enquanto o Standard & Poor’s 500 recua 0,27%.

No exterior, a preocupação com uma alta mais forte dos juros americanos foi substituída pelo receio de uma guerra comercial que pode reduzir o comércio e a atividade mundial. Hoje, autoridades americanas se encontram na China com representantes do governo local para discutir as restrições anunciadas pelo presidente Donald Trump contra produtos chineses. As discussões vão até sábado, mas há pouca esperança de que se chegue a um acordo. Enquanto isso, a China também faz restrições, como medidas para dificultar importação de produtos americanos em seus portos.

Mais detalhes do escândalo sexual de Trump

Novos escândalos envolvendo a vida amorosa do presidente Trump também podem tumultuar um pouco mais os negócios, após um aliado, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani afirmar que o presidente reembolsou o advogado Michael Cohen em US$ 130 mil pagos a uma atriz pornô, Stormy Daniels, para que ela não divulgasse encontros com o então candidato à Presidência. Hoje, Trump admitiu que houve o pagamento e a restituição ao advogado, mas afirma que o dinheiro não veio da campanha para presidente. Ele afirma que o dinheiro foi usado para parar uma campanha de acusações falsas.

Queda na Europa

Na Europa, as bolsas estão em queda, acompanhando o fechamento das bolsas asiáticas que repercutiram os sinais do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) dos Estados Unidos de que a inflação no país está perto do teto de 2% desejado pelo Federal Reserve (Banco Central americano) e indicando que pode subir os juros na próxima reunião, em junho.O Índice Nikkei, do Japão, caiu 0,16% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,34%, enquanto o Índice da Bolsa de Xangai subiu 0,64%. Na Europa, o Índice Euro Stoxx 600 caía 0,37%.

Oferta de US$ 10 bi da Xiaomi

A expectativa do mercado hoje também é com a oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) da fabricante chinesa de celulares Xiaomi, que pode atingir US$ 10 bilhões e ser a maior do setor da China neste ano.

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