Com dólar acima de R$ 3,60, mercado já vê moeda a R$ 4,00 este ano; em 20 dias, dólar supera juro de 1 ano

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O dólar voltou a subir com força hoje diante do real e chegou a R$ 3,6065 no mercado à  vista e R$ 3,612 no mercado futuro para 1º de junho, aumentando o receio dos mercados e influenciando os juros futuros, mesmo com a oferta de contratos de swap cambial pelo Banco Central. A alta do dólar no mercado internacional e a expectativa de novos cortes de juros no Brasil, além do cenário político incerto, levam o real a se desvalorizar.

Há também a saída de recursos do país, como mostram os dados de fluxo cambial divulgados pelo Banco Central hoje, mostrando uma saída líquida de US$ 640 milhões na conta financeira nos três primeiros dias de maio. Na bolsa, somente no dia 4, o saldo de estrangeiros ficou negativo em R$ 1,368 bilhão, acumulando saída no mês de R$ 2,2 bilhões até 4 de maio, reduzindo o saldo no ano para R$ 2,209 bilhões

Se o dólar comercial superar o valor de R$ 3,61,  o que está bem perto, a moeda americana tem espaço para subir até R$ 4,00, avalia Pablo Stipanicic Spyer, diretor de Operações da corretora Mirae Asset. “Se romper esse nível, o espaço está aberto até os R$ 4,00 considerando o cenário externo, de alta dos juros americanos e as preocupações com o acordo como Irã”, diz.

O título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos voltou hoje para 3% ao ano, indicando que o mercado espera altas maiores dos juros nos EUA, ao mesmo tempo em que aumenta a preocupação com um agravamento da situação do Oriente Médio após o presidente Donald Trump declarar a saída do acordo nuclear com o Irã. A decisão de Trump pode ter o efeito inverso ao desejado, ao fortalecer a linha mais dura e radical no Irã contra o governo atual, moderado para os padrões locais.

Diante dessa pressão, Spyer acredita que o BC deve tomar alguma atitude se dólar oscilar muito abruptamente, sem volume. “Mas não dá para imaginar que o BC vai conseguir segurar o dólar, mesmo com US$ 380 bilhões em reservas”, alerta. “Já vimos isso no passado, US$ 380 bilhões não dão para nada se grandes investidores resolverem apostar contra a moeda brasileira”, afirma, lembrando do episódio em que o megainvestidor George Soros provocou a desvalorização da libra esterlina. “Se o BC oferece, o Soros vem em toma tudo”, diz.

Para ele, o BC pode atuar para suavizar os movimentos e evitar especulação excessiva, mas o que vai prevalecer é a fuga para a segurança (flight to quality) dos investidores com a alta dos juros americanos e não há muito para segurar o dólar. Ainda mais com as indicações do BC brasileiro de que os juros vão cair ainda mais aqui.

Pablo lembra que a alta do dólar desde 18 de abril, em pouco mais de um mês, já chega a 6,67% e supera todo o juro de um ano da Selic. “O dólar comeu todo o juro de um ano em cerca de 20 dias”, afirma.

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