Demanda por investimento das MPEs sobe 10,8 pontos em abril, mas clima de incerteza afeta decisões

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Empresários à frente de micro e pequenas empresas (MPEs), com até 49 funcionários, começam a mostrar-se um pouco mais confiantes para investir no negócio e mesmo para tomar crédito. Pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que, em abril deste ano, o Indicador de Demanda por Investimento das MPEs avançou 10,8 pontos, passando para 40,6 pontos, contra 29,8 pontos em abril do ano passado.

A escala do índice varia de zero a 100, sendo que quanto maior o número, mais propenso está o empresário a realizar investimentos em seus negócios, sem levar em consideração a forma que usará para investir (recursos próprios ou de terceiros).  O levantamento busca saber qual a disposição para investimentos importantes para as empresas, como compra de máquinas e equipamentos, reformas, estoques, além de divulgação e propaganda.

Média sobe para 41 pontos nos primeiros quatro meses do ano

Entre meados de 2015 e final 2016, a média da propensão a investir estava em 25,8 pontos, passando para 29,7 pontos na média do ano passado. Nos quatro primeiros meses deste ano, a média sobe para 41 pontos.

Melhora lenta e gradual indica cautela dos empresários

Na avaliação do superintendente de finanças do SPC Brasil, Flávio Borges, os números indicam que o humor do pequeno empresário tem mudado de patamar nos últimos meses, acompanhando a conjuntura de melhora gradual da economia, como alguma reação positiva nas vendas do varejo e índices de confiança. “Há uma melhora, mas lenta e gradual, mostrando disposição para investir acima dos anos anteriores, mas ainda de forma cautelosa e comedida”, explica.

Bancos começam a baixar juros, mas precisam melhorar acesso a financiamento

Ao mesmo tempo em que as pequenas empresas mostram reação, bancos como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil começam a anunciar redução nas taxas de juros para operações de capital de giro — linhas importantes para que os empresários possam investir em estoques e financiar suas vendas a prazo.

Para Borges, apesar de positiva, a simples queda dessas taxas não implica em uma melhoria de cenário. “É difícil avaliar o impacto disso. Os juros ainda continuam altos. Além disso, não adianta apenas os bancos baixarem taxas, é preciso melhorar a forma de acesso ao crédito para as pequenas empresas”, destaca.

Fatia de interessados em investir nos próximos seis meses sobe de 25% para 34%

Ainda de acordo com o levantamento SPC/CNDL, em termos percentuais, cresceu de 25% para 34% o volume de micro e pequenos empresários que demonstram interesse em realizar algum tipo de investimento em seus negócios nos próximos seis meses.

Quase metade dos consultados não pretende fazer melhorias

Os que não pretendem realizar melhorias na empresa somam 49% dos entrevistados, principalmente porque não veem necessidade (37%) ou porque acreditam que o país ainda não se recuperou da crise (32%).

Mudanças de cenário, como pressões externas sobre o dólar e a paralisação dos caminhoneiros, ainda poderão trazer reflexos sobre o ânimo dos empresários. “A pesquisa ainda não reflete os acontecimentos mais recentes, que geram incertezas, e serão considerados pelas empresas antes da decisão de investir ou tomar crédito”, pondera Borges.

68% dos que vão investir usam recursos próprios

De acordo com o levantamento, considerando a parcela de empresários que pretendem investir, os itens prioritários serão compra de maquinários e equipamentos (29%), reforma da empresa (27%), ampliação do estoque (20%) e investimentos em divulgação, por meio de mídia e propaganda (13%).

Para esses entrevistados, a principal finalidade dos investimentos é impulsionar vendas, opção citada por 55%. Outros 22% devem investir para atender ao crescimento da demanda observado nos últimos meses.

Para quem vai investir, o capital próprio aparece como o principal recurso. A maioria (68%) desses empresários usará o dinheiro do próprio bolso, seja na forma de aplicações ou investimentos (58%) ou a partir da venda de algum bem (10%). Outros 20% mencionam o empréstimo em bancos e financeiras.

Busca por crédito avança oito pontos em um ano, mas continua baixa

Outro indicador mensurado pelo SPC Brasil e pela CNDL é justamente o de Demanda por Crédito da Micro e Pequena Empresa. Nesse caso, o comportamento tem sido mais modesto, de acordo com os responsáveis pelo estudo.

Em abril do ano passado, o índice se encontrava em 12,4 pontos e passou para 20,4 pontos em abril de 2018. Pela metodologia, quanto mais próximo de 100 pontos, maior o apetite para tomada de crédito nos próximos três meses.

Somente 11% dos consultados disseram ter intenção de tomar recursos

Apesar da melhora desse indicador, em termos percentuais, somente 11% dos micro e pequenos empresários consultados manifestaram a intenção de buscar crédito no horizonte de três meses, crescimento de cinco pontos percentuais frente abril do ano passado. Em contrapartida, 76% dos entrevistados não mostram interesse em contratar qualquer linha de financiamento para seus negócios.

31% se preocupam com juros altos e 20% com insegurança na economia

A principal razão apontada por aqueles que não pretendem buscar recursos de terceiros (53%) é a alegação de que conseguem manter a empresa com recursos próprios. Por outro lado, 31% mencionam as altas taxas de juros como motivo para ficar longe de empréstimos, e 20% dizem ainda estar inseguros com as condições econômicas do país. Há ainda 7% que contrataram crédito recentemente e, portanto, não veem necessidade de fazê-lo novamente agora.

Três em cada 10 empresários consideram contratação de crédito difícil

De modo geral, 29% dos micro e pequenos empresários consultados consideram a contratação de crédito difícil, principalmente pelo excesso de burocracia e exigências que as instituições financeiras fazem (56%) — ou por causa dos juros considerados elevados (47%). Os que consideram o processo fácil somam 30% da amostra e, citam, principalmente, o bom relacionamento com o banco (46%) como principal justificativa.

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