Juros disparam e voltam aos níveis de 2017; Tesouro Direto suspende negócios; NTN-B longa paga 5,77%

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Os juros dispararam hoje no mercado futuro e nos títulos públicos, levando o Tesouro Direto, sistema de negociação de papéis federais pela internet para o varejo, suspender as operações até o meio-dia e, depois, novamente às 13h30, com previsão de interrupção até as 15h30. O Tesouro também fez um leilão de recompra de papéis prefixados, as NTN-F, para aliviar a pressão dos investidores que querem se desfazer dos papéis, mas não encontram comprador e aceitam taxas mais altas.

O receio de dificuldades do governo Michel Temer terminar seu mandato ou conseguir aprovar as medidas que precisa para garantir um equilíbrio fiscal mínimo depois do desgaste com a greve dos caminhoneiros, a falta de apoio e a irresponsabilidade fiscal do Congresso no caso e o crescimento do apoio a candidatos contrários ao ajuste fiscal e a fator de maior intervenção na economia, além dos reflexos da greve na economia e na inflação e na própria eleição, levaram o mercado a puxar os juros.

Na retomada dos negócios do Tesouro Direto, as taxas dos papéis mais longos corrigidos pela inflação, as NTN-B, ou Tesouro IPCA+, atingiram 5,77% ao ano mais IPCA para os vencimentos 2035 e 2045, maior taxa desde junho de 2017, ante 5,64% ontem. A mais curta, para 2024, subiu para 5,47%, ante 5,29% ontem, a maior taxa desde 12 de julho do ano passado, quando ainda havia a repercussão da crise política deflagrada pelas denúncias de Joesley Batista. A taxa de 2035 está apenas 0,73 pontos percentuais abaixo da taxa básica Selic, de 6,5% ao ano.

O papel prefixado mais longo, a NTN-F, que paga juros semestrais, subiu para 11,73% hoje, ante 11,10% ao ano ontem, maior taxa desde a criação do vencimento este ano. A LTN, papel prefixado com juros somente no fim, subiu de 10,89% ontem para 11,42% hoje, maior taxa também maior taxa do ano e uma das maiores para um papel longo desde maio do ano passado.

Nos contratos futuros, o juro para janeiro de 2019 passou de 6,78% para 6,84% ao ano, com apostas de algumas casas de que a Selic pode voltar a subir ainda este ano, e não apenas no ano que vem, como a maioria do mercado espera. Os juros mais longos, porém, foram os que sofreram mais, com o contrato para janeiro de 2025 passando de 11,25% ao ano para 11,65% ao ano.

Juro nos níveis pré-impeachment e Selic de 7% este ano

Segundo o economista-chefe da corretora Spinelli, André Perfeito, o cenário base para 2018 assumia que os juros longos prefixados iriam subir na esteira dos ajustes no preço dos ativos à medida que o mercado percebesse que a viabilidade da continuidade das reformas estaria ameaçada e também por conta da perspectiva de que um candidato de centro-esquerda tenha mais chance que um pró-mercado. Mas, segundo ele, os juros longos já atingiram “nosso ‘preço alvo’ e chega nos patamares, pelo menos na parte mais longa, ao patamar pré-impeachment”, de Dilma Rousseff. “Acreditávamos que isso ocorreria apenas no final do ano após as eleições, mas pelo visto o mercado já vai ajustar todos os preços”, diz em relatório.

Perfeito diz que mudou ontem sua projeção para a taxa básica Selic para um aumento já na reunião de outubro levando a taxa dos atuais 6,5% ao ano para 7%.

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