Mercado inicia semana intensa em ritmo lento

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O mercado financeiro inicia a semana com as bolsas tentando manter o ritmo forte observado ao final da última sexta-feira, mas o feriado em Londres esvazia a sessão na Europa, após um pregão indefinido na Ásia. O dólar segue firme, ao passo que o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos avança, mas ainda abaixo de 3%. Já o petróleo do tipo WTI supera a faixa de US$ 70 o barril, à espera da decisão de Donald Trump sobre o Irã no dia 12.

Ainda assim, os investidores seguem indecisos em relação ao cenário para a taxa de juros nos Estados Unidos. Os dados mistos sobre o mercado de trabalho no país (payroll) não reforçaram nem descartaram a possibilidade de um ritmo mais forte de alta no custo do empréstimo neste ano. E a essa dúvida segue pairando nos negócios globais, diante dos sinais de uma economia saudável, com pleno emprego e acúmulo de pressões inflacionárias.

As apostas sobre o total de apertos até dezembro devem ser calibradas com os indicadores e eventos econômicos nos EUA nos próximos dias. Até lá, o fluxo global de recursos tende a seguir volátil, oscilando entre a segurança e o risco ao sabor do noticiário. Mas os mercados emergentes ainda demonstram sinais de fragilidade, sendo que no Brasil o quadro eleitoral segue bastante aberto e indefinido. Atenção especial tem sido dada a Argentina e Turquia.

As atenções lá fora ficam divididas entre o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, amanhã, e os dados de inflação ao produtor (PPI) e, principalmente, ao consumidor (CPI) nos EUA, na quarta e quinta-feira, respectivamente. Já nesta segunda-feira, outros diretores do Fed discursam, ao longo do dia.

Os números sobre o comportamento dos preços no atacado e no varejo combinados com o tom a ser adotado na fala do colegiado do Fed – principalmente, de Jay – nas primeiras declarações após a reunião de maio, tendem a confirmar uma nova alta nos juros norte-americanos em junho. Mas a incerteza quanto ao total de altas tende a perdurar.

Na curva implícita, as apostas de aperto no último mês deste ano caíram para cerca de 40%. Assim, as chances maiores são de aumento no mês que vem e em setembro, totalizando três aumentos em 2018 e adiando a elevação seguinte para janeiro de 2019. Tal cenário ganhou força após o payroll de abril criar menos vagas, com desaceleração no ganho médio por hora. Mas a taxa de desemprego caiu ao menor nível desde o fim do ano 2000.

Ainda no calendário no exterior, merece atenção a decisão de política monetária do Banco Central da Inglaterra (BoE), na quinta-feira. Na China, os números da balança comercial em abril serão conhecidos amanhã e chama a atenção a ausência de uma evolução concentra entre Pequim e Washington sobre as relações comerciais, após uma missão norte-americana ao país asiático. Na quarta-feira, saem os indicadores chineses de inflação.

A agenda econômica desta semana no Brasil também está carregada e começa com as tradicionais publicações desta segunda-feira: Pesquisa Focus (8h25) e balança comercial semanal (15h). Também será conhecido o desempenho da indústria automotiva em abril (11h20). Amanhã, é a vez do IGP-DI de abril.

Na quarta-feira, saem os dados regionais da produção industrial em março. No dia seguinte, serão conhecidos o resultado do mês passado da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA) e um novo levantamento sobre a safra agrícola e a produção de grãos neste ano. Depois, na sexta-feira, é a vez dos números das vendas do comércio varejista em março.

Combinados, os dados de inflação e atividade tendem a corroborar o espaço para uma nova queda na taxa básica de juros, já na semana que vem. Porém, a valorização firme do dólar, que saltou da faixa de R$ 3,25 em março e foi além de R$ 3,50 nos últimos dias, deve levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a interromper o ciclo de cortes na Selic após este mês.

Já na safra de balanços, destaque para o resultado trimestral da Petrobras, amanhã, e da Ambev, na quarta-feira, ambos antes da abertura do pregão local. Entre outros destaques, saem o desempenho contábil do Banco do Brasil, na quinta-feira, e da BRF, na sexta-feira. Lá fora, a temporada de resultados também segue intensa.

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