Dólar sobe 0,64%, para R$ 3,80, e BC volta a vender dólares; juro recua

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O dólar comercial voltou a subir hoje e fechou em R$ 3,798, em alta de 0,64%, a terceira seguida. No mercado turismo, a moeda americana também subiu, 0,77%, para R$ 3,95, acompanhando as notícias do exterior, onde o dólar também se valorizou diante de várias moedas, incluindo o euro, o iene e a libra. O real, porém, foi a moeda que mais se desvalorizou entre 11 moedas de países desenvolvidos e emergentes. O dólar comercial acumula alta de 0,45% na semana, +1,74% no mês, +14,54% no ano e de 15,03% em 12 meses. Já o risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS, espécie de seguro de crédito negociado no mercado internacional) do Brasil de 5 anos cedeu para 2,63 pontos percentuais, ante 2,65 pontos da segunda-feira, segundo o BB Investimentos.

Parte da alta do dólar diante de outras moedas foi motivada pela ameaça de guerra comercial entre Estados Unidos e China. Outro fator foi interno, foi a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar a soltura do ex-ministro José Dirceu.

O episódio foi visto como uma tendência de que a decisão será estendida ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se seu recurso for julgado por esse turma no Supremo. Uma apelação do ex-presidente foi enviada ao Plenário do Supremo pelo ministro Edson Fachin, e deve ser analisada em agosto, caso a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, paute a discussão.

Hoje, o ministro Ricardo Lewandowski voltou também a cobrar a rediscussão do tema da prisão em segunda instância, defendendo a revisão da decisão que permitiu a prisão dos condenados. O ministro Gilmar Mendes mudou seu voto e deve mudar o resultado para não permitir a prisão em segunda instância. A liberação de Lula, favorito nas pesquisas de intenção de voto, complicará ainda mais o quadro político e uma candidatura de centro, preferida pelo mercado pois levaria adiante o ajuste fiscal e as reformas.

BC volta a oferecer dólar via linhas externas

Após a alta de hoje, o Banco Central anunciou que vai voltar a oferecer dólares ao mercado, por meio de linhas externas, com prazo de recompra. Os dólares saem das reservas do país para a conta do banco ou empresa para remessas ao exterior, e no vencimento são devolvidos. O BC fez um leilão de US$ 3 bilhões ontem, segunda-feira, dos quais apenas US$ 500 milhões foram comprados. Hoje não houve leilão e o dólar subiu, por isso, amanhã, às 10h30, o BC fará um novo leilão com os US$ 2,5 bilhões restantes. Além disso, continuará rolando o vencimento de contratos de swap cambial de julho, oferecendo 8.800 contratos, no valor de US$ 440 milhões, e que pagam a variação do dólar para os compradores.

Juros caem no mercado futuro e no Tesouro Direto

No mercado de juros, as taxas voltaram a cair, com os sinais da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicando que os juros não devem subir dos 6,5% ao ano atuais tão cedo, apesar da alta do dólar. O contrato de DI futuro para janeiro de 2019 caiu de 6,97% ontem para 6,93% hoje, mais perto da taxa atual. No contrato para 2020, a taxa caiu de 8,50% para 8,43% e, para 2021, de 9,54% para 9,41%. O contrato mais longo, para 2025, recuou de 11,78% para 11,76%.

No mercado de títulos públicos, os juros dos papéis vendidos no sistema do Tesouro Direto também recuaram. Os papéis corrigidos pela inflação, as NTN-B, recuaram, com o vencimento em 2024 passando de 5,60% para 5,52% e, para 2035 e 2045, recuando de 5,90% para 5,86%. O Tesouro suspendeu a venda de papéis prefixados com juros semestrais, as NTN-F, devido à proximidade do pagamento da remuneração no começo de julho. Já os prefixados sem juros semestrais com vencimento em 2021 recuaram de 9,58% ontem para 9,34% hoje e, para 2025, de 11,80% para 11,54%.

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