Semana cheia tem ata do Copom, relatório e metas de inflação, IGP-M, desemprego, contas públicas, inflação e guerra comercial nos EUA e Seleção

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Os brasileiros continuam de olho nos jogos e nos craques da Copa do Mundo, preocupados com as várias lesões e com Neymar e a partida de quarta-feira contra a Sérvia, às 15 horas. Já no mercado financeiro local, a agenda cheia da semana desviará o foco para outro campo, no qual os principais jogadores são Donald Trump, o Banco Central e o Comitê de Política Monetária (Copom). De alívio, além da vitória sobre a Costa Rica nos minutos finais, a semana terá o cancelamento da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisaria pedido de liberdade para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrada em campo do craque do PT, favorito nas pesquisas e que critica duramente a política de ajuste fiscal atual, poderia embolar ainda mais a disputa pela Presidência e já pesava negativamente nos mercados na semana passada.

BC faz primeiro leilão de linhas na crise

E o jogo das expectativas começa já nesta segunda-feira, com o BC fazendo o primeiro leilão de linhas externas no mercado de câmbio. Será  a primeira vez que o dólar oferece dólar físico ao mercado desde o início da atual turbulência, indicando que há demanda física para remessa de moeda ao exterior. Até agora, o BC oferecia apenas contratos que pagaram a correção do dólar, os swaps cambiais, o que não tem sido suficiente para segurar a alta da moeda. Também na segunda-feira cedo, saem as projeções do mercado no boletim Focus do BC, logo pela manhã. Na semana passada, o IPCA-15 de junho, prévia da inflação oficial usada pelo BC nas metas de inflação, veio mais alto que o esperado, despertando alguma preocupação.

A inflação será foco em quatro eventos importantes

Na terça-feira, 26, para não competir com o jogo do Brasil na quarta, o Copom divulga a ata da reunião que manteve a Selic (juro básico) em 6,5% e na quinta, 28, sai o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), seguido de entrevista do presidente do BC, Ilan Goldfajn, sobre o documento. Ainda sobre inflação, na terça-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define as metas de inflação para 2021 e para os anos seguintes, o que pode interferir nos juros. Será conhecido também o IGP-M deste mês.

O comunicado da reunião do Copom na semana passada, que manteve os juros em 6,5% ao ano, sugeriu que há ainda um amplo espaço para acomodar choques de preços. A expectativa agora é que a ata e o relatório de inflação esclareçam melhor como o BC vê as chances de que eventuais impactos, especialmente a greve dos caminhoneiros e alta do dólar por conta do cenário externo, ameacem a estabilidade inflacionária, dando uma ideia de quais serão os próximos passos para a definição da política monetária. O mercado continua apostando em um alta dos juros até o fim do ano, com mostra o contrato futuro de DI, que projeta 7% de juros no fim do ano.

Ata e RTI devem detalhar perspectivas e previsão de riscos do Banco Central

Na ata do Copom, os economistas do Banco UBS acreditam que o comitê destacará “que as perspectivas externas se tornaram mais voláteis e menos favoráveis aos mercados emergentes”. De uma perspectiva interna, dizem em relatório, o Copom deverá apontar que “a falta de reformas e outros riscos, como os eleitorais, podem afetar o consenso do mercado sobre o real e sobre a inflação de 2018-19”.

Para o relatório de inflação (RTI), a consultoria Rosenberg Associados estima, em comentário a clientes, que projeções detalhadas devem sinalizar os patamares de câmbio, os quais, por sua vez, podem mudar o atual balanço de riscos para a inflação. O documento, diz a equipe, poderá também trazer “novas informações relevantes, desde revisões do modelo de projeção até novas estimativas de pass through (efeito do repasse das variações cambiais sobre o sistema de preços internos ) e, provavelmente, alguma estimativa de impacto da greve dos caminhoneiros”.

Novas metas de inflação e IGP-M de junho e dados fiscais e de contas externas

Além disso, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne nesta terça-feira para definir a meta de inflação para 2021, e, na quinta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresenta o IGP-M de junho, índice usado em contratos como de aluguel. Estão ainda previstas na agenda econômica divulgações de números importantes sobre desemprego, confiança, contas externas e dados fiscais. Ao longo da semana, a FGV divulga sondagens sobre confiança e ânimo do consumidor, além de pesquisas sobre comércio, indústria e serviços.

Agenda internacional traz dados de inflação e atividade nos EUA e Europa

Na agenda internacional, segundo analistas de bancos e consultorias, os principais destaques devem ser os dados de PIB, inflação e confiança nos EUA e Europa. Para a equipe do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco, os dados de inflação da área do Euro e dos EUA devem mostrar dinâmica contida, “com aceleração gradual em direção à meta”. Na Ásia, o Japão divulga resultados de produção industrial e preços ao consumidor.

Guerra comercial e incertezas sobre preço do petróleo preocupam

Na semana passada, o cenário internacional foi marcado por tensões comerciais desencadeadas por novas medidas protecionistas do presidente americano, Donald Trump, com aplicação de tarifas de importação de 10% para US$ 200 bilhões em produtos comprados da China. O dólar fechou em baixa em relação ao euro, os juros e a bolsa americana andaram de lado, apesar de algum acréscimo na volatilidade, destaca a equipe do Banco Fator. Já a reunião da Organização dos Países do Petróleo (Opep), que decidiu aumentar menos que o esperado a produção na segunda metade do ano, aceleraram o preço do petróleo, que subiu mais de 5% nos Estados Unidos. Mas o banco destaca que o barril está ao redor de US$ 70, e não atingiu o nível dos US$ 80 dólares por barril, visto em meados do mês anterior, e que poderia pressionar a inflação no Brasil e criar mais problemas como a greve dos caminhoneiros.

No Brasil, lembram os analistas do Fator, a semana se encerrou com queda indicador de risco-país, o CDS (Credit Default Swaps – seguro contra inadimplência) e depreciação de 1,39% do real. O BC aumentou o valor de contratos de swap cambial em US$ 2 bilhões, totalizando perto de US$ 33 bilhões injetados no mercado desde o início de junho. E vai reforçar sua atuação no mercado de câmbio com linhas de crédito externo, equivalentes à venda de dólar com compromisso de recompra, no valor de US$ 3 bilhões, na segunda-feira. Além disso, o BC pretende continuar com os leilões de contratos de swap cambial, que funcionam como venda de dólar futuro.

Na política, desdobramentos da Lava Jato devem afetar mais o PT

Na semana em que a seleção brasileira disputa sua última partida da fase de grupos da Copa do Mundo na Rússia, o noticiário político mantém em pauta as articulações visando a eleição à Presidência da República. Influente na disputa de outubro, a Operação Lava Jato continua tendo fortes reflexos nos campos jurídico e político.

Destacam-se os desdobramentos no PT, após a decisão do ministro do STF, Luiz Fachin, de arquivar o pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os petistas não abrem mão da candidatura de seu principal líder e, para complicar, sofrem mais uma vez com a situação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que teve homologado o acordo de delação firmado com a Polícia Federal, podendo causar ainda mais desgastes à imagem do partido.

Alckmin e Ciro busca alianças, mas tucano enfrenta nova denúncia; MDB pode abandonar Meirelles

Em busca de visibilidade e apoios para se credenciar como candidato do centro para a direita, Geraldo Alckmin (PSDB) mantém a expectativa de alianças, destacando-se o DEM, com a possibilidade de um democrata ser o seu vice. O tucano, no entanto, tem contra si a prisão de seu ex-secretário, Laurence Casagrande Lourenço, por irregularidades nas obras do Rodoanel, o segundo caso envolvendo o partido. Outro diretor da Dersa, Paulo Preto,  enfrenta acusações de desvio de recursos que teriam beneficiado campanhas tucanas.

Ciro Gomes segue na mesma linha de buscar apoios, ainda com alguma esperança no DEM, mas pensando mais nos partidos de esquerda e no PSB.

Também em dificuldades, por conta da lenta recuperação da economia, Henrique Meirelles começa a semana com a perspectiva de o MDB, por iniciativa de suas principais lideranças, rever a sua pré-candidatura. Sem a expectativa de um nome competitivo, o governo Temer mantém o foco no Congresso Nacional, que deve se reunir na terça-feira, 26, para apreciar seis vetos presidenciais, segundo o Estadão. A Câmara pode votar o que falta da cessão onerosa da Petrobras e o cadastro positivo se os deputados não emendarem a semana em seus redutos eleitorais para a festa de São João, uma das mais importantes do ano no Nordeste.

Semana deve começar focada no noticiário internacional

Para o economista-chefe da Modalmais, Alvaro Bandeira, a semana que começa deve ficar quase totalmente focada no noticiário internacional e nas práticas comerciais. Em relatório aos clientes, Bandeira diz que “será preciso avaliar os desdobramentos da crise entre os EUA e a China, seguida das reações de outros países, como o bloco da União Europeia”. Bandeira avalia que, aparentemente, China e União Europeia farão uso de boa tática ao colocar foco não em produtos a serem sobretaxados, mas em empresas expressivas americanas, com maior poder de pressão sobre Trump.

Trégua nas discussões sobre política monetária

O economista também avalia, por outro lado, que a situação parece mais calma no plano internacional, com os principais bancos centrais “dando uma trégua” nas discussões sobre juros, tendo já realizado suas reuniões e vendo tempo para os mercados buscarem se reequilibrar — o que não impediria especulações sobre novos passos, especialmente do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu (BCE). Além dos juros, os investidores se preocupam com os incentivos dados ao mercado via recompra de títulos, que o BCE prometeu retirar apenas no ano que vem.

Conselho define na terça-feira a meta de inflação para 2021

A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) de junho, na expectativa da Rosenberg Associados, a despeito da turbulência recente, “deve estabelecer meta de 3,75% para 2021, seguindo a tendência de aproximação para uma meta similar à dos pares brasileiros no mercado emergente – que gira em torno de 3%”. Os analistas lembram que, desde o ano passado, o órgão passou a definir a meta de inflação para até três anos à frente, quando reduziu a meta de 2019 e 2020 para 4,25% e 4%, respectivamente.

IGP-M de junho deve acelerar, com IPA pressionado por efeito defasado da greve

Para o IGP-M de junho, a projeção da consultoria é uma variação de 1,69% na margem (variação mensal), maior do que a do mês anterior, de 1,38%. O destaque, diz a equipe, fica para aceleração do IPA (Índice de Preços do Atacado), pressionado pelos alimentos in natura, efeito defasado da paralisação do final de maio; em contrapartida, o preço dos combustíveis deve arrefecer na margem, reflexo do mercado internacional. “Também por conta da paralisação, o IPC deve subir na variação mensal em junho”, completa.

Atenção aos dados do setor externo, desocupação e indicadores fiscais

A nota de setor externo, referente ao mês de maio, segundo os economistas da Rosenberg deve indicar novo superávit na conta de Transações Correntes, ao redor de US$ 1,6 bilhão — levando em conta um superávit comercial de US$ 5,9 bilhões. “A balança comercial em maio foi afetada pela greve dos caminhoneiros, que pesou mais sobre as exportações do que nas importações”, destacam. Em maio do ano passado, o superávit foi de US$ 2,75 bilhões. Para entrada de investimentos diretos estrangeiros (IDP), a estimativa da equipe é de US$ 3,0 bilhões. Já em investimentos de curto prazo, a saída de estrangeiros da bolsa deve ser destaque.

Greve do final de maio pode ter impactado o desemprego

Ainda de acordo com os analistas da Rosenberg Associados, a desocupação de maio, que a PNAD Contínua deve apresentar na sexta-feira, deve mostrar manutenção do ritmo de queda da taxa do trimestre encerrado em maio em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (- 0,7pp). “A greve ao final de maio pode ter impactado o mercado de trabalho, tanto no ritmo da ampliação da população ocupada como na busca de trabalho; todavia, por serem dados trimestrais, é provável que o efeito acabe sendo limitado.”

Previsão é de déficit para o resultado primário do governo federal

Para os indicadores fiscais, a Rosenberg projeta arrecadação de R$ 109,1 bilhões para maio, a despeito dos efeitos na atividade econômica advindos da paralisação dos caminhoneiros no fim do mês – que deve afetar junho, destaca o relatório da Rosenberg. Já o resultado primário do governo federal, que mostra despesas e receitas, sem os juros da dívida, deve registrar déficit em maio, de R$ 4,0 bilhões, ainda que contando com a diminuição da despesa mensal, devido à antecipação dos precatórios (indenizações devidas pelo governo) em março e abril, e com receita um pouco maior, pelo resgate parcial do Fundo Soberano.

Cadastro positivo e projeto das distribuidoras de energia: focos de atenção para investidores

Acompanhando de perto o comportamento dos mercados de risco e fatores que podem vir a afetá-los, o economista Alvaro Bandeira lembra que, no Brasil, é possível que a Câmara ainda consiga discutir e votar o cadastro positivo e o PL (Projeto de Lei) das distribuidoras de energia — base para começar processo de capitalização da Eletrobrás.

“O cadastro positivo deve ficar mesmo para julho, e a derrota de Petrobras em processo trabalhista, julgado pelo TST, não traz repercussões de curto prazo para a companhia, já que teremos recursos sendo apresentados”, destaca.

Para ele, não se deve esperar por enquanto nenhuma ação mais contundente na área econômica ou decisão na área política. “Nesse aspecto, ainda teremos muitas especulações, antes de o quadro sucessório começar a ficar melhor definido.” Do ponto de vista da análise técnica, relativa ao desempenho da bolsa B3, Bandeira acredita que não se pode perder o patamar próximo de 68.800 pontos, sob pena de acelerar perdas.

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