Incertezas macro não tiram o sono de Jerome Powell

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Durante sabatina ao Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, o presidente do FED (Federal Reserve), Jerome Powell, adotou um tom mais otimista e traçou um cenário de poucas dúvidas sobre a trajetória de longo prazo para a economia norte-americana.

Powell foi fuzilado em vários temas polêmicos, como os impactos de uma guerra comercial, aceleração da inflação em torno da meta de 2% a ser perseguida pelo FED, achatamento na curva de juros futuros norte-americana, pacote tributário (aprovado ano passado), entre outros.

Nenhuma dessas variáveis parece estar tirando o sono de Jerome Powell. O presidente do FED afirmou que, em seu cenário base, a economia norte-americana está a caminho de vários anos de mercado de trabalho forte com inflação ancorada na meta de 2%.

Powell minimizou a guerra comercial, tema em forte discussão no mercado financeiro global, se limitando a dizer que deve avaliar o impacto das tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump quando, de fato (e se), a economia for afetada pelo protecionismo. A postura de Powell pode sinalizar brecha para os Estados Unidos se defenderem elevando tarifas em alguns produtos-táticos, sem causar impacto significativo na economia ou no próprio saldo da balança comercial. Ou seja, pode-se esperar uma redução do déficit na balança, mas, a princípio, nada muito relevante.

Sobre a inflação, ponto chave para a estratégia de política monetária, Powell disse que ainda não é possível declarar vitória sobre o alcance da meta de 2%. O núcleo de inflação (índice de preço preferido pelo FED) alcançou a meta de 2% recentemente no mês de maio, entretanto, o presidente do FED não demonstrou tanta confiança no processo de aceleração da inflação.

Na avaliação do presidente do FED, a inflação subiu nos últimos meses influenciada pela alta mais agressiva nos preços de energia, que por sinal já começaram movimento de correção. Para ser possível declarar cumprimento da meta de inflação, Powell disse que o núcleo deve continuar exatamente em torno de 2% nos próximos meses.

Caso a correção nos preços de energia se materialize nos próximos meses, a inflação poderá apresentar leve recuo abaixo da meta, permitindo ampla manutenção do viés dovish na autoridade monetária norte-americana. Powell se mostrou confiante sobre a manutenção da inflação ancorada na meta de 2%, ao mesmo tempo em que a economia roda ao pleno emprego. Esse cenário cenário-base, na visão dele, pode perdurar por vários anos.

Indagado sobre o achatamento nas Treasurys, o presidente do FED se limitou a dizer que o movimento recente nas taxas de juros não o incomoda. É possível que Powell tenha identificado pressão maior para o fechamento das curvas nos próximos meses, ao invés de enxergar pressão para as curvas voltarem a abrir.

Importante ressaltar que o próprio discurso em tom otimista do presidente do FED é uma variável de influência importante não somente para que a ponta longa continue fechada, seguindo o movimento das últimas semanas, como para que a ponta curta pare de abrir e comece a fechar também.

Por fim, a quase pouco comentada estratégia de desalavancagem do balanço-monstro do FED, já em curso, está funcionando muito bem e sem problemas, na avaliação de Powell. Neste ponto o presidente do FED está com certa razão, até porque a redução da exposição em Treausrys e títulos lastreados em hipotecas tem sido muito pequena até o momento.

Aliás, enquanto a inflação permanecer ancorada na meta de 2%, Powell continuará com a razão na mão. Sem pressa para subir os juros (mantendo o ritmo de aperto em conta-gotas muito gradualista) e sem pressa para reduzir o balanço, talvez até mesmo o mercado continue na mão do FED por mais algum tempo.

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