LCA: crise na Turquia deve diminuir e dólar deve recuar, mas médio prazo depende da eleição

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A reverberação da crise turca sobre o ambiente macroeconômico internacional provocou aumento agudo da aversão global ao risco – que resultou num repique abrupto da taxa média de risco das economias emergentes. Mas, para a LCA Consultores, a recente desvalorização da moeda brasileira associada ao “contágio” da crise turca será gradativamente revertida nas próximas semanas. Já o cenário de médio prazo para a economia brasileira está mais condicionado à evolução do quadro político interno e sua influência na dinâmica fiscal.

Segundo a LCA, o termo “contágio” tem aparecido com grande destaque no noticiário econômico mundial nos últimos dias. O motivo: a reverberação global do aprofundamento da crise na Turquia – país que vem há tempos sofrendo com uma combinação de fatores adversos, incluindo fundamentos econômicos debilitados, políticas macroeconômicas desalinhadas, turbulências políticas internas e agravamento de tensões nas relações exteriores (notadamente com os EUA).

A reverberação da crise turca sobre o ambiente macroeconômico global, diz a LCA, alcançou níveis elevados, primeiro, pela exposição do sistema financeiro europeu aos ativos da Turquia. Assim, a desvalorização da lira turca provocou depreciação (ainda que moderada) das ações dos bancos europeus e da moeda comum europeia. Em segundo lugar, a crise turca provocou aumento agudo da aversão global ao risco – que se traduziu num repique abrupto da taxa média de risco das economias emergentes, como mostra o gráfico abaixo.

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Segundo a LCA, o impacto da crise turca sobre outros mercados emergentes tem sido particularmente agudo porque o pano-de-fundo internacional vem se tornando, no geral, menos favorável aos emergentes – num contexto de reversão de estímulos monetários nas economias centrais e expectativa de desaceleração da economia mundial. Os Estados Unidos estão subindo os juros, para um nível mais “normal”,  e devem revender ao mercado parte dos títulos adquiridos dos bancos para injetar liquidez nos mercados. O mesmo deve ser feito pelo Banco Central Europeu (BCE). E a expectativa é de redução no ritmo de crescimento das economias desenvolvidas, conforme projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Nessas circunstâncias, diz a LCA, os episódios de aversão global ao risco tendem se tornar mais frequentes, mas com impactos transitórios, limitados ao curto prazo, uma vez que a maioria das economias emergentes está mais preparada para absorver choques de natureza externa. A maioria dos países tem reservas internacionais elevadas e baixos déficits de contas externas, dependendo menos dos fluxos de capitais de curto prazo. No gráfico abaixo, que compara o nível de reservas em relação ao PIB com o déficit de contas correntes externas, é possível ver os países mais vulneráveis, que são os que estão mais perto do cruzamento das retas, na parte debaixo da figura.

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A Turquia e a Argentina são dois dos principais emergentes que se apresentam como exceções a esse quadro de menor vulnerabilidade externa; e por isso acumulam, em 2018, forte depreciação cambial e deterioração significativa das expectativas de crescimento econômico, explica a LCA. Por isso, a forte desvalorização das moedas turca e argentina, como mostra o gráfico abaixo.

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A economia brasileira guarda baixo grau de vulnerabilidade externa, lembra a consultoria; e, ao contrário de nosso principal vizinho, acumula avanços significativos no controle da inflação. Mas o Brasil tem na relevante debilidade das contas fiscais o seu “Calcanhar de Aquiles”, que continua a pesar sobre as expectativas de crescimento econômico, alerta a consultoria. No gráfico, o Brasil aparece com alto nível de endividamento (linha vertical) e alto déficit fiscal (linha horizontal), perto da Índia e da Argentina.

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Nesse ponto, a continuidade do ajuste fiscal e, portanto, o perfil do próximo presidente da República e sua capacidade de levar adiante as reformas da Previdência e do Estado brasileiro são os principais fatores para determinar o cenário de médio prazo da economia brasileira.

A LCA diz que seu cenário base continua de vitória de um candidato comprometido com o ajuste das contas públicas, e que poderá contar com uma base de apoio no Congresso minimamente suficiente para avançar com iniciativas capazes de, ao menos, reverter a tendência de deterioração fiscal. “Esse desfecho eleitoral tenderia a ensejar uma descompressão moderada do risco-Brasil e da taxa de câmbio doméstica, mesmo num contexto em que o ambiente externo vem se tonando gradativamente menos favorável aos emergentes”, acredita a consultoria.

Riscos ainda relevantes

“É forçoso reconhecer, todavia, que os riscos nas searas externa e política interna permanecem relevantes, tornando igualmente relevantes as chances de que a conjuntura (externa e doméstica) seja desviada para uma trajetória mais adversa que o hoje contemplamos em nosso cenário base (que, vale lembrar, contempla desempenho algo melhor para a economia brasileira no biênio 2018-19 do que ora antecipa a mediana das projeções de mercado)”, alerta a consultoria.

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