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Os investidores e o mercado devem seguir em clima de tensão e volatilidade nesta semana, cada vez mais influenciados pelo cenário político interno. Diante das dificuldades fiscais do país, que podem ser agravadas pela piora do cenário externo nos próximos anos com a alta dos juros nos EUA e a desaceleração da economia mundial, a incerteza sobre quem comandará o Brasil nos próximos quatro anos e discursos contrários aos ajustes de alguns candidatos aumentam a busca por proteção e a redução de investimentos locais.

O dólar comercial é o principal termômetro dessa tensão e vai continuar no centro das atenções do mercado. A moeda fechou a sexta-feira vendido a R$ 4,10, em alta de 4,69% na semana, 9,30% em agosto e 24% no ano. A alta da moeda, se mantida, pode pressionar a inflação ao elevar os preços de produtos importados ou exportáveis, como milho, soja, trigo e combustíveis, e obrigar o Banco Central (BC) a elevar os juros, hoje em 6,5% ao ano. Por isso, o mercado se antecipou e os juros futuros na bolsa B3 voltaram a subir, passando a projetar 6,83% para este ano, e a volatilidade dos títulos públicos obrigou o Tesouro Direto a suspender os negócios por quatro vezes esta semana. O Índice Bovespa, por sua vez, resistiu, fechando a semana com alta de 0,31%, mas com queda de 3,73% no mês e de 0,18% no ano, aos 76.262 pontos. A alta dos juros derrubou as cotas dos fundos imobiliários, com o índice Ifix, que acompanha esses fundos, recuando 0,84% na semana e 4,28% no ano.

Início do horário eleitoral, pesquisas, decisões do TSE

As atenções se voltam agora para o início do horário eleitoral na TV e no rádio, na sexta-feira, dia 31 de agosto, com expectativas sobre as estratégias dos programas dos presidenciáveis.. Os investidores estarão atentos ainda a novas sondagens de intenção de voto, ao fraco desempenho dos candidatos que defendem a continuidade do ajuste fiscal e da reforma da Previdência e à delicada decisão a ser tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, que segue na liderança das pesquisas, apesar de preso desde abril em Curitiba.

IGP-M, PIB, Confiança do Consumidor, desemprego e resultado primário

Na agenda econômica doméstica,  o principal destaque é a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) relativo ao segundo trimestre de 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira, dia 31. Saem ainda ao longo da semana o Índice de Confiança do Consumidor (Fundação Getúlio Vargas) e a inflação medida pelo IGP-M, ambos de agosto, além de números relativos a taxa de desemprego, investimento estrangeiro direto, crédito, dívida federal total e resultado primário, todos referentes ao mês de julho.

Na agenda externa, destaque para inflação e revisão do PIB  americano

O foco da agenda internacional devem ser os dados de inflação e confiança nos EUA e na Europa. Será conhecida também a revisão do PIB americano relativo ao segundo trimestre. Para os economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco, o indicador do PIB norte-americano do segundo trimestre deverá “evidenciar um ritmo acelerado de crescimento”.

Na Ásia, serão divulgados os Índice Gerente de Compras (PMI na sigla em inglês) da China, além dos números de indústria e emprego no Japão.

Na semana passada, lembra a equipe de analistas do Banco Votorantim, apesar das tensões relacionadas às negociações comerciais, os principais mercados terminaram o período em tom positivo, especialmente após os sinais do Fed (Federal Reserve, Banco Central dos EUA) de que um aperto gradual da política monetária continua sendo suficiente.

Países emergentes: cenário é de aversão a risco

Já para os países emergentes, escrevem os economistas do banco em relatório a clientes, o quadro continuou sendo de aversão a risco. “O Brasil se destacou por questões políticas locais, ao crescer uma percepção de inviabilidade de candidaturas reformistas”, analisam.

A alta do dólar em relação ao real na semana que passou, chegando a R$ 4,12, pode estar apenas no começo, afirmam parte dos analistas. Isso porque, de acordo com quem ganhar a eleição e com o andamento (ou não) de propostas para ajustar a economia do país, reduzindo o déficit público e mudando a trajetória explosiva de crescimento da dívida do governo, a moeda americana poderá andar muito mais ou cair um pouco.

Tensão na política pressiona alta do dólar para R$ 4,12 e deve afetar preços dos combustíveis

Para os emergentes, destacam os analistas do Banco Fator, pesaram, dentro do cenário geral, as características domésticas, apesar de muitos devolverem na semana passada as perdas da semana anterior, causadas pela tensão na Turquia. “O Brasil, por outro lado, registrou uma desvalorização de 4,70% de sua moeda, o recorde da semana entre os países do grupo, com o mercado reagindo aos resultados das novas pesquisas eleitorais”, enfatiza a equipe em seu relatório. Já a Bovespa (B3) teve semana agitada, somando as tensões externas com as domésticas. As preocupações do mercado em relação ao próximo governo, analisa o Fator,  pesam mais sobre empresas de administração pública, caso da Petrobras.

Vale lembrar que com a alta do dólar para R$ 4,12 no mercado comercial, a Petrobras poderá subir os preços dos combustíveis em breve. Na avaliação da consultoria Rosenberg Associados, os preços internacionais da gasolina em reais já estão quase 11% mais altos neste mês.

Campanha de rádio e TV começa na sexta-feira, 31

No cenário político local, após as repercussões das pesquisas do Ibope e Datafolha relativas aos candidatos à presidência da República, com os diferentes cenários indicando as lideranças de Lula (PT), preso em Curitiba, e Jair Bolsonaro (PSL), as atenções se voltam para o início da campanha na televisão e no rádio, na sexta-feira. A estreia da propaganda dos presidenciáveis será no sábado, 1º de setembro, totalizando 15 programas ao longo de 35 dias.

Lula e Bolsonaro: na mira do TSE e STF

Além da repercussão do horário gratuito, o mercado deve acompanhar de perto a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto e os movimentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com processos envolvendo Bolsonaro e Lula, respectivamente.

Com previsão de julgamento na terça-feira, 28/8, a 1ª Turma do STF decidirá se recebe a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Bolsonaro por racismo, que pode trazer desgaste à sua candidatura. No TSE, o foco é Lula. Alvo de pedidos de impugnação, o ex-presidente e aliados políticos aguardam a definição do rito do processo no Tribunal para definir a estratégia e os próximos passos da campanha.

Alckmin tem o maior tempo de propaganda e faz mudanças nas redes sociais

Mais curto na comparação com campanhas passadas, o horário eleitoral gratuito é aguardado com grande expectativa, especialmente entre os apoiadores do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Ele já fez, na última semana, mudanças no comando da campanha nas redes sociais, após críticas internas por não atacar o candidato Jair Bolsonaro.

Com fraco desempenho nos levantamentos até o momento, o tucano tem, disparado, o maior tempo de propaganda entre os candidatos – 5min32s por programa e um total de 434 inserções. Ele deve apostar nos programas para apresentar suas propostas ao País e tentar garantir presença no segundo turno.

Maioria terá menos de 1 minuto para apresentar propostas

Os demais candidatos, com as exceções de Lula e Henrique Meirelles (MDB), com o segundo e o terceiro tempos de propaganda, terão menos de um minuto de exposição, que devem compensar com mensagens e entrevistas nas redes sociais. O tempo de Lula (ou Haddad) é de 4 minutos e 46 segundos e o de Meirelles, de 3 minutos e 50 segundos.

Meirelles deve evitar Temer e lembrar Lula na propaganda

Às vésperas do início do horário gratuito, os petistas se desdobram entre manter Lula no centro das ações de campanha e dar visibilidade a Fernando Haddad, seu vice e substituto legal, que já participa de caminhadas pelo país. Meirelles, segundo mostra vídeo na internet, deve se apresentar ao eleitor como ministro de Lula.

Previsões de leve alta ou de estabilidade para o PIB brasileiro

Para os economistas do Banco Fator, o destaque da semana será a divulgação do PIB referente ao segundo trimestre deste ano pelo IBGE.

“Nossas projeções apontam para uma leve alta, de 0,3%, no resultado do segundo trimestre contra o primeiro, e  alta de 0,6% sobre o segundo trimestre do ano passado”, afirmam. Desta maneira, o PIB ao final deste ano, na visão da equipe, deve cresce 1,1%. Na avaliação do Depec-Bradesco, o PIB brasileiro “deve ter estabilizado no segundo trimestre frente ao primeiro trimestre”.

Em relação à nota do setor externo, que será publicada na próxima segunda-feira (27), o banco Fator estima um déficit de $ 3,8 bilhões na conta corrente de julho. O Depec-Bradesco, por sua vez, ressalta que os dados de julho do setor externo devem corroborar o cenário de contas externas ajustadas “e condições de financiamento favoráveis para a economia brasileira”.

De olho no IGP-M e na taxa de desemprego

Para o IGP-M de agosto — índice de referência para os reajustes de energia elétrica e contratos de aluguel — que será divulgado pela FGV na quinta-feira (30), a projeção do Fator é aceleração para 0,73%, levando a inflação em doze meses para 8,98%. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) referente a julho, segundo esses economistas, deverá apontar para uma leve baixa na taxa de desemprego, de 12,4% para 12,2%.

Resultado primário do governo central: Fator estima déficit de R$ 13,8 bilhões

O  Resultado Primário do Governo Central, a ser publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) na quinta-feira, deve registrar, na estimativa do banco, déficit de R$ 13,8 bilhões, acumulando primário deficitário em R$ 94,3 bilhões, em 12 meses. Já para o Resultado Primário do Setor Público Consolidado a estimativa é que deve ser deficitário em R$ 14 bilhões no mês de julho e em R$ 87,7 bilhões em 12 meses. O resultado nominal seria, para o Fator, um déficit de R$ 50 bilhões no mês, e a dívida pública líquida sobre o PIB cairia de 51,4% para 50,9%.

EUA e China: clima de tensão comercial continua

Sobre o cenário da semana passada, o sócio e economista-chefe da Modalmais, Alvaro Bandeira, destaca que o ambiente continuou marcado por tensão comercial, com os EUA começando a aplicar tarifas contra a China, de 25%, sobre US$ 16 bilhões, e a China respondendo imediatamente, no mesmo tom, ao entrar com reclamação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Lembra ainda que os investidores mantiveram foco no discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, no encontro de bancos centrais de Jackson Hole, nos EUA. “Powell, como sempre, foi ponderado em suas colocações, dizendo ter bons motivos para esperar economia forte e defender elevação gradual dos juros que indica ser apropriada”, acelerando um pouco mais, com sua fala, a alta dos mercados.

Atenção ao acirramento do protecionismo e aos efeitos da alta do dólar

Para a semana que se inicia, Bandeira vê muitas situações que precisam ser bem analisadas, tanto no segmento internacional como no doméstico.

Em relação aos EUA,  lembra que alguns dirigentes do Fed já se posicionaram na semana sobre não darem margem às interferências de Trump (na política monetária), e indicaram que os juros devem subir, tanto na próxima reunião de setembro como, provavelmente, em dezembro, mantendo a postura gradualista na direção da taxa de juros neutra, estimada entre 2,5% e 3,0%. Portanto, diz o economista, os investidores terão que analisar, além da possível guerra comercial EUA X China, os efeitos do quadro de tensão imposto aos países emergentes pelo acirramento do protecionismo comercial e efeitos do dólar mais forte.

Situação política amplia tensão interna, gerando volatilidade e aversão ao risco

“No cenário local, vamos ter o início das campanhas para presidente, onde as posturas devem endurecer, e também já os primeiros efeitos de programas de TV que começam na virada do mês”, pondera o economista, acrescentando que a tensão interna vai seguir alta, o que significa volatilidade e, eventualmente, mais aversão ao risco, dependendo da posição dos candidatos e seus programas.

Destaca ainda que, para investidores que gostam de correr risco, o momento parece o ideal. “Para os que não gostam, o melhor é buscar proteção na renda fixa, até que se tenha visão mais clara do processo”, sugere.

Análise técnica: ultrapassagem de 78.800 pontos daria tração ao mercado

Pela análise técnica — pela qual se procura estimar as flutuações futuras do preço de uma ação analisando padrões gráficos e de volume das ações — a avaliação do economista é que o Ibovespa não deveria perder o patamar de 75.000 pontos ou cairá ainda mais. “Caso as avaliações sejam positivas, teríamos que ultrapassar o patamar de 78.800 pontos, para o mercado ganhar grande tração, ainda que em movimento de curto prazo”, conclui Bandeira.

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