Confiança do Consumidor cai em setembro, especialmente entre mais pobres, mostra FGV

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O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 1,7 ponto em setembro, ao passar de 83,8 pontos para 82,1 pontos. Com o resultado, o índice retorna ao nível de junho passado, quando a confiança havia sido abalada pela greve dos caminhoneiros do mês anterior, diz a FGV. A confiança é um componente importante para a retomada da economia, pois influencia a disposição dos consumidores em gastar e dos empresários em investir.

Cenário eleitoral não mexe com expectativas ainda

O resultado parece estar diretamente relacionado à situação financeira das famílias e à lenta recuperação do mercado de trabalho, afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor. Mas, apesar de adicionar dúvidas, o cenário político-eleitoral não parece ser o principal fator para a queda do indicador em setembro. Na análise por faixas de renda, nota-se uma queda forte da confiança de consumidores de menor poder aquisitivo e uma alta moderada da confiança dos consumidores de maior poder aquisitivo, afirma Viviane.

Situação atual melhora, mas perspectiva é a pior desde fevereiro de 2017
Em setembro, houve ligeira melhora das avaliações sobre a situação atual e piora das expectativas para os próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 0,9 ponto, para 72,3 pontos, recuperando parte das perdas do mês anterior, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou 3,3 pontos, ao passar de 93,0 para 89,7 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2017 (89,0 pontos).
Satisfação com a economia cai
O indicador que mede o grau de satisfação com a economia no momento caiu 1,1 ponto em setembro, retornando ao nível de junho (77,5 pontos). Com relação às perspectivas para os meses seguintes, o indicador que mede o otimismo com relação à evolução da economia recuou 3,4 pontos, ao passar de 103,4 pontos ,em agosto, para 100,0 pontos, o menor desde maio de 2016 (100 pontos).
Famílias acham situação melhor, mas ainda ruim
As avaliações sobre a situação financeira das famílias melhoraram em setembro mas continuam em patamar baixo em termos históricos. O indicador que mede a satisfação dos consumidores subiu 2,8 pontos, para 67,6 pontos. Com relação aos próximos meses, os consumidores projetam uma piora da situação financeira das famílias, com recuo de 3,7 pontos no indicador que passou de 95,4 pontos para 91,7 pontos, o menor desde junho (91,1 pontos).
Ímpeto para consumo cai pelo segundo mês
Pelo segundo mês consecutivo, o ímpeto para compras recuou, confirmando a cautela dos consumidores com os gastos futuros. O indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis caiu 2,5 pontos, para 78,7, menor nível desde a paralisação dos caminhoneiros.
Mais pobre menos confiantes

A queda da confiança em setembro foi influenciada pelos consumidores de menor poder aquisitivo. O ICC dos consumidores com renda familiar mensal até R$ 2.100,00 caiu 3,9 pontos, influenciado pela deterioração das perspectivas futuras. Os consumidores com renda familiar entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, também tiveram perda de confiança no período, e o índice recuou 1,8 ponto, após três altas consecutivas, influenciado pela piora das avaliações sobre a situação atual.

A edição de Setembro de 2018 coletou informações de 1925 domicílios entre os dias 01 e 19 de Setembro. A próxima divulgação da Sondagem do Consumidor ocorrerá em 24 de outubro de 2018.

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