Dólar sobe 2%, para R$ 4,15, maior valor desde janeiro de 2016; alta em 12 meses é de 32%

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Com o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos reduzindo os volumes negociados, os mercados brasileiros tiveram mais um dia de instabilidade com a preocupação em torno das dificuldades da Argentina e da Turquia e as incertezas com a eleição presidencial no Brasil. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 2%, vendido a R$ 4,15 no mercado comercial, do atacado, a maior cotação desde janeiro de 2016. O dólar turismo, das viagens e cartões de crédito, subiu 0,7%, para R$ 4,32 para venda. Com a alta de hoje, o dólar comercial acumula 25,19% no ano e 32% em 12 meses.

Peso argentino cai 4% após pacote e corte de nove ministérios

O real teve a segunda maior desvalorização entre os principais países emergentes, perdendo apenas para o peso argentino, que caiu 4,17% depois que o país anunciou um pacote para zerar o déficit fiscal do ano que vem que inclui tributação sobre exportações e sobre bens de consumo. Exportações de produtos primários pagarão 4 pesos por dólar de imposto e outros produtos, 3 pesos por dólar.

O objetivo é aumentar em US$ 7 bilhões a arrecadação do ano que vem. O governo argentino promoveu ainda uma grande reestruturação e cortou nove dos 19 ministérios. Sobraram dez pastas e mais a chefia de gabinete do presidente. Amanhã a equipe econômica argentina chega a Washington para negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a antecipação do pacote de ajuda de US$ 50 bilhões. O Fundo já antecipou US$ 15 bilhões, mas a crise internacional iniciada pela Turquia fez o país precisar de mais.

Inflação de 18% na Turquia e expectativa de alta dos juros

Já na Turquia, que hoje voltou ao centro das atenções após a inflação atingir 18% ao ano, a lira perdeu 1,45%, um pouco menos que o real e mais que o rand sul-africano. e o rublo russo. O Banco Central da Turquia sinalizou que vai mexer nos juros em sua próxima reunião para combater a inflação, mas analistas temem que a ação seja limitada, já que o presidente Recep Erdogan já afirmou que é contra a subida das taxas.

Pesquisa do BTG mostra Ciro mais forte

No Brasil, além das turbulências externas, o mercado acompanhou a pesquisa encomendada pelo BTG Pactual que mostrou o candidato de esquerda, Ciro Gomes, do PDT, ganhando espaço na preferência do eleitorado. A pesquisa mostrou também que a transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito, mas proibido de disputar a eleição pela Lei da Ficha Limpa, para o vice Fernando Haddad ainda é pequena. Haddad aparece com 5% das intenções de voto.

Mercado projeta 6,94% para juro no fim do ano

Enquanto isso, a alta do dólar no Brasil pressiona também os juros e os contratos futuros de DI na B3 projetam 6,94% ao ano para este ano, 0,3 ponto percentual a mais que no ano passado. par 2025, a taxa subiu mais 0,2 ponto, para 12,31% ao ano. No Tesouro Direto, site de venda de títulos públicos federais para o varejo, os papéis mais longos corrigidos pela inflação, as NTN-Bs, pagavam hoje 5,81% ao ano mais IPCA para os prazos de 2035 e 2045, para 5,77% ao ano na semana passada.

Risco-Brasil volta a subir

O risco-Brasil, medido pelos seguros de crédito Credit Default Swaps (CDS), voltou a subir hoje, para 308 pontos base, ou 3,08 pontos percentuais, acima dos 302 pontos de sexta-feira.

Índice Bovespa cai 0,63% e Via Varejo lidera baixas

Na bolsa, o Índice Bovespa fechou em queda de 0,63%, aos 76.192 pontos, com volume muito modesto, de apenas R$ 4,682 bilhões, menos da metade do volume do mês passado, de R$ 10,701 bilhões. No ano, a média diária é de R$ 11,435 bilhões.

As maiores altas do índice foram das ações ordinárias (ON, com voto) da Suzano Papel, com 3,66%. A empresa anunciou na sexta-feira que concluiu a compra das áreas florestais da Duratex. Já Ultrapar ON subi 3,23%, seguida de Klabin Unit, 2,76%, Ecorodovias ON, 2,82% e Smiles ON, 2,49%. As maiores quedas foram de ViaVarejo Unit, 3,55%, Gol PN, 3,12%, Magazine Luíza ON, 2,91%, e Pão de Açúcar PN, 2,55%.

As empresas de varejo sofrem com a alta dos juros, que tende a encarecer o crédito e dificultar as vendas. Já Gol sofre com a alta do dólar sofre as receitas, com a alta dos preços das passagens limitando as vendas, e das despesas, com o combustível mais caro.

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