Dólar sobe para R$ 4,196, maior cotação do real, com cenário político; juros sobem e Ibovespa cai

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O dólar comercial fechou o pregão desta quinta-feira (13) vendido a R$ 4,196, maior cotação desde a criação do Plano Real em 1994, superando o recorde de R$ 4,16 de janeiro de 2016, época do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A alta de hoje foi na contramão do mercado internacional e foi atribuída ao cenário eleitoral, que aponta para um segundo turno entre o favorito isolado nas pesquisas, Jair Bolsonaro, e um candidato de esquerda, Ciro Gomes, do PDT, ou Fernando Haddad, do PT.

A piora de Bolsonaro, que está internado na UTI do hospital Albert Einstein após o atentado a faca sofrido há duas semanas, dificultando sua volta à campanha, e as pesquisas mostrando o crescimento de Ciro e Haddad ajudaram a pressionar o dólar, A preocupação de investidores e analistas é com a posição dos candidatos de esquerda contra as medidas de ajuste fiscal, reforma da Previdência e reforma trabalhista, além de eventuais medidas populistas que aumentariam os gastos públicos e a interferência na economia.

Pagamentos a cabos eleitorais de Alckmin

A cautela dos investidores aumentou hoje à tarde, com a divulgação de que a Polícia Federal teria recebido cópias de conversas via Whatsapp de funcionários de uma empresa de entrega de valores, a Transnacional, com endereços de entrega de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo a assessores do candidato preferido do mercado, Geraldo Alckimin, do PSDB, na campanha de 2014.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, as senhas e valores citados nas mensagens bateriam com os mencionados nas planilhas da Odebrecht sobre pagamentos a políticos. O   destinatário dos recursos seria o advogado Sebastião Alves de Castro, que foi funcionário do ex-secretário do Planejamento e tesoureiro da campanha de Alckmin em 2014, Marcos Monteiro, conforme delação premiada do ex-vice-presidente de infraestrutura da Odebrecht, Benedicto Junior, o “BJ”. Segundo o jornal, Castro confirmou ser amigo de Monteiro, mas negou ter recebido qualquer valor.

Dólar turismo, R$ 4,38

O dólar reflete a preocupação com um eventual descontrole das contas públicas que pode acelerar o crescimento da dívida do governo, hoje em torno de 77% do PIB, e provocar fuga de recursos do país. O dólar turismo também subiu, 1,15%, para R$ 4,38.

Dólar caiu no exterior com alta dos juros na Turquia

No exterior, o dólar perdeu força diante das principais moedas após a alta dos juros na Turquia e a desaceleração da inflação nos Estados Unidos, segundo o Banco Fator. O dólar recuou logo após a divulgação do resultado dos preços ao consumidor (CPI) de agosto nos EUA, que subiu 0,2%, abaixo do esperado pelo mercado, com um resultado em 12 meses de 2,7%. Sem combustíveis e alimentos, o índice em 12 meses desacelerou de 2,4% para 2,2% em agosto.

O Banco Central da Turquia elevou na tarde desta quinta-feira sua taxa básica de juros de 17,75% ao ano para 24%, o que impulsou a lira turca, que chegou a uma valorização superior a 4%. Isso, apesar de o presidente turco Recep Erdogan, em pronunciamento na televisão turca, ter criticado as altas taxas de juros e anunciado restrições para a compra de moeda estrangeira no país. A moeda turca perdeu 40% de seu valor em relação ao dólar este ano, o que pressiona a inflação e exige juros maiores para evitar o descontrole dos preços.

Esta medida, somada ao efeito de baixa do CPI sobre o do dólar americano, possibilitou que a maioria das moedas emergentes apreciassem em relação ao dólar, observa o Fator.

Juros sobem e Tesouro Direto suspende negócios

A alta do dólar pressionou também as taxas de juros futuras no Brasil. Os contratos de juro interbancário (DI) para janeiro de 2019, que dão a projeção deste ano, subiram para 6,88% ao ano, ante 6,78% ontem, uma variação significativa e que aponta uma aposta na alta da taxa básica Selic, hoje de 6,5%, ainda este ano. Para 2021, a taxa subiu para 10%, alta de 0,23 ponto percentual e, para 2025, 12,51%.

O Tesouro Direto teve de suspender os negócios hoje pela manhã em virtude da oscilação dos preços dos títulos públicos. O juro do papel para 2035 corrigido pela inflação, a NTN-B, que ontem pagava 5,78% ao ano mais IPCA, subiu hoje para 5,86% no fim do dia.

Ibovespa cai 0,58% com Via Varejo em alta de 10%

Na bolsa B3, o Índice Bovespa caiu 0,58%, para 74.686 pontos, com volume negociado de R$ 8,550 bilhões, abaixo da média do ano, de R$ 11 bilhões por dia. Os principais papéis do índice fecharam em baixa, com exceção de Vale ON (papel ordinário, com voto), que subiu 0,62%, beneficiado pela alta do dólar, que ajuda as exportadoras. Já as ações preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras caíram 1,27%, enquanto as do Itaú Unibanco recuaram 0,55% e as do Bradesco, 0,40%.

As maiores altas do índice no dia foram de Via Varejo ON, com alta de 10,79%, seguida de Rumo ON, com 1,69%, Braskem PNA, 1,28%, Santander Unit, 0,99% e RaiaDrogasil ON, 0,34%.  Dona das Casas Bahia, Ponto Frio e Eletro, a Via Varejo foi beneficiada após anúncio de que fechou um acordo com a startup financeira de tecnologia AirFox Brasil para prestação de serviços de pagamentos móveis e banco digital.

Segundo a empresa de análise Levante, a notícia é positiva para a empresa. Os clientes da Via Varejo passarão a receber a opção de baixar no celular o aplicativo da AirFox e abrir uma conta para pagar as prestações e fazer transações. Para a Guide Investimentos, o novo sistema pode ampliar a base de clientes que já possuem crediário e abre a possibilidade de novos negócios.

Já a Rumo informou que vai quase duplicar a extensão da Malha Norte que, juntamente com a Malha Paulista, forma o corredor que liga Rondonópolis, no Mato Grosso, ao Porto de Santos, em São Paulo. O investimento estimado é de R$ 6 bilhões.

Já as maiores quedas do dia foram de Marfrig ON, com 5,19% de baixa, Qualicorp ON, 3,83%, Localiza ON, 3,68%, Magazine Luíza ON, 3,32% e MRV ON, 2,72%.

A Arena do Pavini é um espaço voltado para fornecer informação de valor e promover o aprendizado e a discussão dos principais temas relacionados à vida do investidor. O blog de notícias é pilotado por Angelo Pavini, renomado jornalista econômico, com mais de 20 anos de experiência na cobertura do mercado financeiro e de assuntos ligados a finanças pessoais.

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