Santander deixa de cobrar taxa de carregamento em fundos de previdência PGBL e VGBL

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O Santander (BOV:SANB11) anunciou hoje que não cobrará mais a taxa de carregamento – percentual pago pelos investidores na aplicação ou resgate dos recursos – de todos seus produtos de previdência, para todos os clientes. A decisão vale tanto para investidores que já têm recursos no banco quanto para novos aplicadores, informou o Santander em nota.

A taxa de carregamento é descontada de cada aplicação feita nos fundos Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) sob a justificativa de cobrir gastos do banco e de desestimular o investidor a sacar logo os recursos. A taxa chegava a 5% de cada aplicação em alguns bancos no varejo, ou seja, de cada R$ 100,00 aplicados, somente R$ 95 caíam no fundo.

A decisão do Santander acompanha a de outros bancos, que também estão deixando de cobrar a taxa em seus fundos de previdência. A concorrência das corretoras independentes, que passaram a oferecer fundos de previdência, facilitada pela portabilidade, está incentivando os investidores a saírem dos grandes bancos, que ainda concentram 95% dos recursos de previdência privada.

Dos ricos para o varejo 

O Santander diz que já não cobrava taxa de carregamento dos clientes do segmento de gestão de fortunas, ou private banking e, a partir de hoje, a isenção será estendida para clientes Select, com renda mensal a partir de R$ 10 mil e R$ 30 mil em investimentos, Van Gogh, com renda entre R$ 4 mil e R$ 10 mil, e do segmento Especial, com renda até R$ 4 mil. “A taxa de carregamento sempre foi uma das mais criticadas pelo mercado, principalmente porque não é cobrada em qualquer outra modalidade de investimentos”, afirma Gilberto Abreu, diretor de Investimentos do Santander. “Com a isenção, queremos aproximar o produto do público em geral e consolidá-lo como uma excelente solução de investimento de longo prazo”, diz.

Previdência deve crescer nos próximos anos

O executivo diz que há uma série de fatores que explicam as apostas no crescimento da previdência privada. A relação entre reservas de longo prazo (previdência) e Produto Interno Bruto (PIB) é muito baixa no Brasil, em torno de 6%. Quando comparada à do Chile, por exemplo, essa proporção é de 70%.

As mudanças na legislação que rege os investimentos dos produtos de previdência, promovidas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) no final do ano passado, permitem também que os gestores sejam mais criativos e entreguem retornos atrativos, oferecendo mais opções de diversificação. A necessidade de reforma da previdência, por sua vez, trará à tona o tema entre a população de modo geral. Há também uma maior percepção do mercado de previdência corporativo como um benefício necessário aos funcionários, avalia Abreu.

Tributação de fundos fechados pode atrair R$ 400 bi para previdência

Abreu estima ainda que a possível tributação dos fundos exclusivos de investimentos atrairia algo em torno de R$ 400 bilhões para modalidades não tributadas. ““Sem dúvida alguma, os produtos de previdência são a melhor modalidade de investimentos em um prazo superior a 5 anos, momento em que a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR), que pode chegar a 10%, faz diferença, independentemente do produto a ser comparado”, afirma.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) os fundos de previdência somaram R$ 766,9 bilhões em patrimônio líquido ao final de julho deste ano, volume 12,3%% maior quando comparado aos R$ 682,7 bilhões registrados em igual período do ano anterior.

Campanhas provocativas

O Santander lançou ontem uma campanha publicitária provocativa sobre a isenção na taxa de carregamento. Com uma linguagem direta, o Banco apresenta o benefício e reforça seu diferencial em relação à concorrência. “Não sabe o que é taxa de carregamento? Pergunte ao seu banco”, diz o texto.

A mensagem está alinhada à utilizada na campanha do Santander Master – que dá 10 dias sem juros no limite da conta corrente –, em que o Banco sugere às demais instituições “parar de chamar de especial o crédito mais caro do mercado”.

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