Dow Jones cai 1,9% e derruba Ibovespa; Eletrobrás cai 9% após fala de Bolsonaro; dólar e juros sobem

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Preocupações com o mercado internacional e declarações menos enfáticas com relação à privatização e reforma da Previdência do candidato favorito à Presidência, Jair Bolsonaro, derrubaram os preços das ações brasileiras e puxaram o dólar e os juros. Notícias sobre investigações envolvendo o economista Paulo Guedes, responsável pelo programa de Bolsonaro, também preocupam os investidores.

O Índice Bovespa perde 2,35%, para 84.060 pontos, devolvendo parte dos ganhos do início da semana. Os destaques de queda no dia são as estatais, especialmente Eletrobrás, depois que Bolsonaro afirmou que não pretende mexer no setor de geração e criticou as compras de empresas brasileiras do setor por chineses. A ação ordinária (ON, com voto) da Eletrobras lidera as quedas do índice, com -8,8%, enquanto a preferencial série B (PNB, sem voto) cai 7,9%. Mas os papéis chegaram a cair mais de 11% durante a tarde.

O candidato também disse que vai rever as propostas de reforma da Previdência feitas pelo atual presidente, Michel Temer, tornando-a mais suave e assim mais fácil de aprovar no Congresso. Petrobras PN perde 2,98% e Banco do Brasil ON, 4,13%.

Mas os bancos também estão em baixa, puxando o índice para baixo e indicando a venda por parte de estrangeiros. O papel PN do Itaú Unibanco cai 2,81% e o PN do Bradesco, 2,77%. Gol PN cai 9% também, pela alta do dólar, que pressiona as passagens e o combustível. Já a exportadora Suzano Papel ON sobe 3,46%, acompanhando a alta do dólar.

Denúncias contra Paulo Guedes

O mercado acompanha também as notícias de que Paulo Guedes está sendo investigado pelo Ministério Público Federal de Brasília, acusado de crimes de gestão fraudulenta e temerária a frente de fundos de participação que receberam R$ 1 bilhão em recursos de fundações de estatais entre 2009 e 2013. Entre as fundações que teriam investido em Fundos de Investimento em Participações (FIPs) geridos por Paulo Guedes estão a Funcef, da Caixa, a Previ, do BB, o Postalis, dos Correios, e o braço de investimentos do BNDES, a BNDESPar. Os FIPs investiram em empresas de educação ligadas ao economista.

Dow Jones cai 1,9% e Nasdaq, 2,4%

No exterior o Índice Dow Jones cai 1,88%, ou 500 pontos, enquanto o Standard & Poor’s 500 recua 1,9%, no que pode ser o quinto dia seguido de perdas do S&P500 e o pior desempenho desde novembro de 2016. O índice Nasdaq perde 2,42%, com queda dos papéis de tecnologia na expectativa de resultados piores no terceiro trimestre. A queda acompanha a alta dos juros americanos, com o papel de 10 anos do Tesouro pagando 3,23%, maior taxa desde 2011. O juro mais alto reduz o interesse por ações nos EUA e por ativos de mercados emergentes e commodities, e pode desacelerar o crescimento americano e mundial.

Na Europa, Stoxx 600 cai 1,6%

O dia é de baixa também na Europa, onde o Euro Stoxx 600 perdeu 1,61%. O DAX, de Frankfurt, caiu 2,21%, o CAC, de Paris, 2,11% e o MIB, da Itália, 1,71%. Além dos juros nos EUA, as bolsas europeias acompanham com preocupação a situação fiscal da Itália, cujo governo defende déficits maiores.

Alerta do FMI e inflação ao produtor

Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou estudo alertando que a guerra comercial adotada pelo presidente Donald Trump pode reduzir o crescimento mundial e levar a uma nova crise global. Hoje, os preços ao produtor (PPI) nos EUA mostraram uma alta de 0,2% em setembro, enquanto o índice expurgado de grandes oscilações subiu mais, 0,4%. Ontem, o representante do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de Dallas, Robert Kaplan, deu declarações alertando para o crescimento das pressões inflacionárias e o risco da alta dos preços do petróleo nos próximos anos. Já o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, alertou o governo chinês para medidas que favoreçam a desvalorização do yuan para manter a competitividade das exportações da China mesmo com o aumento das tarifas de importação americanas.

Dólar sobe no Brasil

O dólar está em queda em relação ao euro e ao iene e a diversas moedas emergentes. No Brasil, a moeda americana sobe 1,25%, para R$ 3,76 para venda no mercado comercial e 1% no turismo, para R$ 3,91. No mercado de juros, as taxas futuras na B3 para este ano subiram de 6,52% para 6,54% e as mais longas, para 2025, passaram de 10,59% para 10,67% ao ano.

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