Fator: cinco motivos que fizeram o Ibovespa cair 0,38% e o dólar subir 0,22%

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O volume negociado hoje na Bovespa foi de R$ 13,938 bilhões, abaixo dos R$ 22 bilhões de ontem, mas acima dos R$ 11 bilhões da média diária do ano. Apesar da queda do petróleo, a ação preferencial (PN, sem voto) da Petrobras subiu 0,97%, ajudando a reduzir a perda do Ibovespa. Banco do Brasil ON (papel ordinário, com voto) subiu 2,45%, Itaú Unibanco PN, 0,11% e Bradesco PN, 0,48%. Já a Vale ON caiu 1,92%, com a possibilidade de queda dos preços das commodities e do minério de ferro caso o juro americano e o dólar continuem subindo.

A euforia do mercado financeiro, que começou nesta segunda-feira (1º) com a forte alta de Jair Bolsonaro, do PSL, e a queda de Fernando Haddad, do PT, nas pesquisas, esfriou. Hoje, o Índice Bovespa fechou em baixa de 0,38%, aos 82.952 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,22%, para 3,90. O mercado até melhorou durante o dia, mas ainda fechou negativo. As razões para a virada na bolsa e o retorno do dólar para o patamar dos R$3,90 não estão só na política brasileira, afirma o Banco Fator em relatório. O banco fez uma lista de cinco motivos para a mudança de humor dos mercados hoje.

O primeiro motivo para a piora do mercado está no cenário externo, hoje marcado pela forte alta dos juros americanos. O juro pago pelo título do Tesouro dos EUA de dez anos subiu 0,17 ponto percentual hoje, alcançando a taxa de 3.23% na máxima do dia, maior nível desde 2011. O efeito no dólar foi de valorização frente às demais moedas, principalmente emergentes, interrompendo os dias de alta do real.

A causa para a escalada dos juros americanos está no bom desempenho do mercado de trabalho, que abre espaço para mais altas na taxa básica de juros do Federal Reserve, o Banco Centra dos EUA. Após os dados da empresa ADP, que indicou 230 mil novas vagas de empregos no setor privado em setembro, o maior número dos últimos 7 meses, a expectativa para a divulgação do dado oficial do governo, o Payroll, amanhã, puxa os juros. Ademais, o presidente do Fed, Jerome Powell, e outros membros do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) têm se manifestado sobre juro neutro e outros temas delicados no atual ambiente.

O segundo motivo é que as commodities, dada a alta dos juros americanos, registraram um dia de queda no mercado internacional. O preço do petróleo, para além dos juros, reage a indicações de um acordo entre Rússia e Arábia Saudita para aumentar a produção. O ministro da energia russo, Alexandre Novak, disse ontem, em entrevista à Bloomberg, que provavelmente o atual nível do preço do petróleo está um pouco alto. O barril do tipo Brent, negociado em Londres, que superou ontem US$ 86, hoje caiu 1,59%, para US$ 84,92.  O enfraquecimento das commodities pesa para os emergentes, lembra o Fator. A queda do petróleo, em especial, afeta a bolsa no Brasil, através das ações da Petrobrás.

Os demais motivos para a baixa no mercado brasileiro são domésticos. O terceiro motivo é que parte das quedas deve corrigir possíveis exageros causados pela euforia com Bolsonaro. Neste sentido, o resultado da pesquisa do Datafolha divulgado ontem gerou o mesmo efeito, voltando a acalmar os rumores de vitória no primeiro turno, o quarto motivo para a baixa.

Dada a iminência de um segundo turno, as preocupações em torno da nova disputa começam a fazer preço, o quinto para a queda do índice hoje. A campanha de Bolsonaro terá que assumir novas direções. O momento pede que o candidato comece a indicar nomes e tornar suas propostas mais tangíveis.

Sua campanha, até durante o primeiro tuno tem sido passivamente bem-sucedida. Passiva, pois parte dos ganhos do candidato vieram da raiva dos eleitores com a atual situação do país ou com o PT, e dos efeitos da facada, como a ampla e inesperada divulgação na imprensa, e não de proposições do candidato ou de seu programa. No segundo turno, Bolsonaro terá que voltar a aparecer, apresentar e defender suas propostas. Esta nova etapa mostrará a capacidade de campanha dele e de sua equipe, e as dúvidas sobre a eficiência de ambos devem começar a afetar o mercado.

As maiores altas do Ibovespa são de Eletrobras ON, 4,93%, e Eletrobras PNB, 4,85%, seguidas de Copel PNB, 2,95%, Banco do Brasil e Kroton ON, com 2,94%. As maiores quedas foram de Suzano Papel ON, 5,51%, JBS ON, 4,74%, Localiza ON, 2,44%, Embraer ON, 2,36% e B2W Digital ON, 2,58%.

Os juros futuros, que estavam subindo pela manhã, perderam um pouco a força na B3, e os contratos mais curtos fecharam em ligeira alta, projetando 6,644% para este ano e 8,17% para o ano que vem (altas de 0,004 e 0,01 ponto percentual), enquanto a para 2025 caiu para 11,22% (menos 0,11 ponto percentual).

No exterior, a alta dos juros americanos derrubou as bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos. Na Europa, o Índice Euro Stoxx 600 caiu 1,08%. O Financial Times, de Londres, recuou 1,22%, o DAX, de Frankfurt, 0,35%, e o CAC, de Paris, 1,47%. Nos EUA, o Dow Jones, que tinha batido recorde de pontos ontem, fechou em baixa de 0,75%, perdendo 200 pontos num só dia, para fechar em 26.627 pontos. O Standard & Poor’s 500 caiu 0,82% e o Nasdaq, 1,81%.

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