Semana mais curta terá comércio e serviços, inflação americana, Bolsonaro e votações no Congresso

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Por Arena do Pavini – A semana será mais curta no Brasil e nos Estados Unidos, o que deve limitar os volumes negociados nos mercados financeiros. Nos Estados Unidos, o Dia do Veterano, ou Dia do Armistício que encerrou a I Guerra Mundial, não deverá parar os mercados, apenas o de títulos do governo, mas pode reduzir o apetite por ações também pois o Federal Reserve (Fed, banco central americano) não funcionará. Sem o Fed e o mercado de bônus, e a suspensão da compensação dos valores entre bancos, algumas instituições americanas não abrirão ou reduzirão seu atendimento. No Brasil, na quinta-feira, será feriado da Proclamação da República, com muita gente emendando a sexta-feira, o que deve reduzir a atividade no mercado, na economia e no Congresso.

Privatização de pré-sal e saneamento e Simples

Se bem que isso pode ser bom, levando-se em conta que o que foi aprovado no Congresso depois da eleição presidencial – aumento dos salários do Supremo Tribunal Federal e incentivos à indústria automotiva – só vão complicar as contas públicas e o trabalho do próximo governo.  Além disso, surgem sinais de atrito entre a equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro e figuras importantes do Congresso, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira, que podem complicar a votação do orçamento do ano que vem.

Mesmo assim, podem ser votadas no Senado a autorização para empresas privadas explorarem áreas do pré-sal e permite à Petrobras vender até 70% de seus direitos nessas áreas. Estará em votação também projeto que muda a regra de cálculo de pessoal e os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal ao excluir da conta os royalties do petróleo, o que beneficiará diretamente o Rio de Janeiro e permitirá mais gastos com funcionalismo.

Os senadores analisam ainda mudanças na regra da Lei da Ficha Limpa, para que quem cometeu crimes antes da aprovação da lei não fiquem inelegíveis, como ocorre hoje. Na Câmara a autorização para privatização de empresas de saneamento e mudanças nas regras do Simples.

Pesquisa de comércio

O resultado da pesquisa mensal do comércio (PMC) de setembro será divulgado pelo IBGE na próxima terça-feira. O Banco Fator espera que as vendas do varejo restrito (sem automóveis e material de construção) cresçam 0,4% em relação a agosto e 1,1% na comparação interanual. Já as vendas no varejo ampliado podem cair 1,50% no mês e subir  2,10% no ano. A mediana das projeções do mercado é de alta de 0,1% nas vendas no varejo restrito no mês e 1,6% em 12 meses. Já a LCA Consultores trabalha com queda de 0,2% no mês e alta de 1,3% nas vendas do comércio restrito e queda de 1,4% e alta de 2,3% no comércio ampliado.

Serviços, prévia do PIB e IGP-10

Na quarta-feira sai o resultado da pesquisa mensal de serviços (PMS) pelo IBGE. A LCA estima crescimento de 0,3% nas receitas mensais de serviços e de 1,6% em 12 meses.  Também na quarta-feira saem os dados de desemprego na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) trimestral do terceiro trimestre, que deve trazer uma taxa de desocupação de 11,6%, segundo a LCA.  Na quarta, sai também o IGP-10, com dados importantes de inflação deste mês. A LCA estima uma queda de 0,06% no mês com a pressão de baixa dos preços no atacado.

Na sexta-feira, sai o índice de atividade do Banco Central, o IBC-BR de setembro. A LCA estima uma queda de 0,2% no mês e alta de 0,8% em 12 meses, reforçando a lenta recuperação da economia brasileira.

Nos EUA, inflação e produção industrial

Nos Estados Unidos, o destaque na agenda econômica será a divulgação dos índices de preços de outubro, com o CPI publicado na quarta-feira (14). O resultado a produção industrial de outubro será divulgado pelo Fed na sexta-feira.

Na Europa, PIB e inflação

No exterior, estarão no radar também a inflação ao consumidor da Alemanha (dia 13), França (dia 14) e zona do euro (dia 16), além do PIB alemão e da zona do euro – ambos na quarta-feira (14).

Instabilidade deve continuar

A instabilidade do mercado,  porém, tende a continuar, tanto por fatores locais quando internacionais, observa Álvaro Bandeira, economista-chefe da ModalMais.  “Basta ver o que está acontecendo no mercado internacional com o preço do barril de petróleo que beirou os US$ 80,00 e agora perdeu o patamar de US$ 60,00”, diz. O mesmo vale para o Índice  Bovespa nos últimos dias, quando, depois de quase chegar aos 90.000 pontos, perdeu mais de 4.000 em quatro pregões.

Ibovespa acumulou queda de 3,14% na semana

O Ibovespa encerrou aos 85.641 pontos na sexta-feira, em alta de apenas 0,02%, acumulando recuo de 3,14% na semana, -2,04% no mês e alta de 12,09% no ano e 17,43% em 12 meses, segundo o BB Investimentos. Já o dólar comercial fechou em R$ 3,7380 para venda, em queda de 0,24%, e acumula alta de 0,27% no mês, 12,76% no ano e 14,70% em 12 meses. O risco medido pelo Credit Default Swap (CDS) do Brasil de 5 anos subiu para 2,01 pontos percentuais, ante 1,98 pontos na quinta-feira. 

Estrangeiros tiraram R$ 1 bi do mercado em quatro pregões

Os investidores estrangeiros, por sua vez,  em quatro sessões da Bovespa, sacaram R$ 1,0 bilhão do mercado, elevando a saída no ano para R$ 6,95 bilhões. “Como bem lembramos anteriormente, a alta foi feita pelos investidores locais, e seria preciso observar o retorno dos estrangeiros”, afirma Bandeira..

Ele destaca que a semana passada foi marcada pela preocupação dos investidores com as declarações de representantes do novo governo, as prioridades mal desenvolvidas, a agenda positiva, confusão e declarações desencontradas. Assim como anúncios de fusão de ministérios e demora em anunciar nomes para compor ministérios e segundo escalão, bem como completar a equipe de transição.

Brexit, Itália, Irã, China

Há ainda as preocupações no exterior com a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, ainda sem um acordo, e a Itália com um déficit público acima do desejado e pressionada pela Comissão Europeia, afirma Bandeira. Isso sem contar os países emergentes desequilibrados e países desenvolvidos tentando normalizar suas políticas monetárias subindo os juros. “Não podemos esquecer Donald Trump e problemas com seus assessores e a interferência russa, sanções espalhadas para todos os lados, com destaque para o Irã”, diz o economista. Ele se refere à decisão do presidente americano de demitir o procurador-geral americano que não quis suspender as investigações sobre a interferência russa na eleição presidencial.

Bandeira espera, porém, alguma melhora no cenário dos EUA. “Passada as eleições de meio de mandato e já conhecedor dos resultados é possível prever que Donald Trump dome sua agressividade e seja um negociador mais suave na área comercial e especialmente com a China”, afirma. Isso permitiria ao Fed subir mais gradualmente os juros e a redução da liquidez do mercado.

Gráficos mostram resistência nos 85.600 pontos

Pela análise técnica, seria oportuno não perder o patamar dos 85.600 pontos, quando o mercado poderia buscar maior desaceleração até a proximidade de 83.500 pontos. Bom mesmo seria retornar e superar a marca de 90.000 pontos para buscar objetivos ainda maiores para encerramento do ano. Mas para que isso aconteça será fundamental a volta do fluxo de recursos estrangeiros e maior assertiva da equipe econômica e novo presidente.

Segunda-feira, 12 de novembro

A Fipe divulga o IPC na cidade de São Paulo na primeira quadrissemana de novembro. O BC divulga o boletim Focus, com as projeções do mercado para a economia. Feriado nos EUA, os mercados funcionam, exceto o de bônus.

Terça-feira, 13 de novembro

O IBGE divulga a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) com as vendas no varejo de setembro, restritas e ampliadas (com veículos e material de construção). O IBGE divulga ainda os dados de abate de animais, do leite, do couro e da produção de ovos do terceiro trimestre. Na Alemanha, saem os dados de inflação ao consumidor (CPI) d e outubro e o Índice ZEW de expectativas de novembro. Ainda na Europa, asai o índice ZEW da região do euro. No Reino Unido, será divulgado o desemprego de setembro. Nos EUA, haverá a divulgação do resultado do Tesouro de outubro.

Quarta-feira, 14 de novembro

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o IGP-10 de novembro. O IBGE anuncia o desemprego na Pnad Contínua do terceiro trimestre e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de setembro. Sai também o relatório Prisma Fiscal de setembro, o indicador de Demanda do Consumidor por Crédito da Serasa de outubro e o Nível de Emprego da Indústria Paulista da Fiesp, também do mês passado.

Na Alemanha, será divulgada a terceira prévia do PIB do terceiro trimestre e, no Reino Unido, a inflação ao consumidor (CPI) de outubro. Na zona do euro, serão conhecidas a Produção Industrial de setembro, o PIB do terceiro trimestre e o emprego.

Nos EUA, saem os pedidos de hipotecas semanais, a inflação ao consumidor (CPI) de outubro e o ganho médio real do trabalhador de outubro. Na China, a agência oficial NBS divulga os preços de novas residências, as vendas no varejo, a produção industrial, o investimento em ativos fixos urbanos e os investimentos imobiliários de outubro.

Quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Feriado no Brasil. Na Europa, sai a balança comercial do euro de setembro.

Nos EUA, o Fed de Nova York divulga o Índice Empire State de manufatura de novembro. Serão conhecidas as vendas do varejo do Conference Board de outubro. O Fed da Filadélfia divulga sua Sondagem Industrial de novembro. Saem ainda nos EUA os estoques empresariais, os pedidos semanais de auxílio desemprego, o fluxo de gás natural e os estoques de petróleo bruto.

Sexta-feira, 16 de novembro

O BC brasileiro divulga o IBC-BR, prévia do PIB, relativo a setembro. Na Europa, sai a inflação ao consumidor (CPI) de outubro da zona do euro.

Nos EUA, o Fed divulga a Produção Industrial americana de outubro e a utilização da capacidade instalada. Saem também dados de perfuração de poços de petróleo e o Tesouro dos EUA divulga o fluxo de capital estrangeiro em títulos americanos.

Sem dada fixa, na China, serão divulgados o Investimento Estrangeiro Direto, o Crédito Agregado e os dados de Novos Empréstimos de outubro.

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