Pré Market: Mercado retoma otimismo

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No vaivém recente do mercado financeiro, a gangorra passou a pender para o lado positivo hoje, após a notícia de que a diretora financeira da Huawei, Wanzhou Meng, teve o pedido de liberdade condicional aceito via o pagamento de fiança de US$ 7,5 milhões, e de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode intervir no caso para conseguir um acordo comercial com a China. O risco iminente, porém, pode ser o fim do governo May no Reino Unido.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, pode enfrentar um voto de “não confiança” no Parlamento, o que coloca em risco não apenas a posição de liderança dela como também o acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit. Ela ainda tenta conquistar concessões da UE, mas a moção de censura pode ser votada hoje.

Ainda assim, os investidores resgatam o otimismo nos negócios com risco, em meio aos sinais de avanço nas negociações entre EUA e China. As principais bolsas asiáticas fecharam em alta hoje, juntamente com o sinal positivo vindo dos índices futuros em Nova York e na Europa, após a notícia de que o Canadá concedeu fiança para libertar Meng.

A Bolsa de Xangai foi a que subiu menos (+0,3%), enquanto Hong Kong (+1,7%) e Tóquio (+2,15%) tiveram um rali. Nas moedas, o yuan chinês (renminbi) se valorizou, assim como o dólar australiano, ajudados também pela notícia de que Trump estaria considerando a possibilidade de intervir no caso da Huawei, se isso facilitasse um acordo comercial com a China. Ele disse também que poderia se reunir com o presidente Xi Jinping, se necessário.

O noticiário envolvendo Washington e Pequim trouxe de volta a esperança de que as tensões comerciais irão diminuir em 2019 – ao invés de aumentar, amenizando a preocupação quanto a uma desaceleração global mais abrupta no ano que vem. Contudo, outros focos de tensão seguem na lista de preocupações do mercado financeiro.

Além da “novela política” no Reino Unido, o que mantém a libra pressionada nesta manhã, as manifestações sociais na França e o orçamento da Itália, também deixa o euro em alerta. No outro lado do Atlântico Norte, os investidores também estão atentos ao risco de paralisação (shutdown) do governo federal norte-americano.

Ontem, Trump ameaçou paralisar parte das atividades do governo, se a oposição não liberar verba para a construção de um muro na fronteira com o México. O presidente quer US$ 5 bilhões para financiar a obra, mas os democratas afirmam que é possível proteger a fronteira sem a necessidade de um muro.

Assim, os focos de tensão no exterior monitorados pelos investidores tendem a manter os ativos de risco com um comportamento instável e qualquer tentativa de reação do mercado financeiro pode não durar muito tempo.

Somente uma indicação mais suave (“dovish”) por parte do Federal Reserve na condução da taxa de juros norte-americana seria capaz de dar o alívio necessário aos negócios com risco. Mas o plano de voo do Fed está turvo, já que a autoridade monetária não tem considerado a inflação para balizar as decisões – e sim a pressão vinda dos salários e a geração de emprego.

Na agenda econômica do dia, merece atenção o índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI) em novembro, às 11h30. A previsão é de estabilidade no índice cheio, com o núcleo do indicador, que exclui itens voláteis, mantendo o ritmo de alta mensal de 0,2%.

Também na agenda dos EUA, saem os estoques semanais de petróleo bruto e derivados (12h30). O calendário no exterior traz ainda o orçamento do Tesouro dos EUA em outubro, no fim da tarde  (17h), e a produção industrial na zona do euro no mês mês, logo cedo (8h).

No Brasil, o destaque do dia é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, que será anunciada apenas no fim da tarde, pouco depois das 18h. A expectativa unânime do mercado financeiro é de estabilidade da Selic em 6,50%, diante do maior equilíbrio no cenário de riscos para a inflação.

No comunicado anterior, em outubro, a autoridade monetária alertou que os riscos de alta da inflação estavam maiores, em meio à volatilidade eleitoral e ao cenário externo desafiador. Na mensagem ao final da última reunião de 2018, o Copom deve mudar a linguagem, afirmando que a assimetria ficou menor – ou mesmo deixou de existir.

Antes, o Banco Central entra em cena para anunciar os dados sobre a entrada e saída de dólares do país (fluxo cambial) na primeira semana de dezembro (12h30). Os números devem mostrar um ingresso de capital externo, reforçando os sinais de que os estrangeiros estão voltando a alocar recursos em ativos brasileiros.

Esse movimento, se continuar, tendo a “limpar” o quadro técnico do mercado financeiro doméstico, que estava “poluído” pela forte posição comprada dos investidores locais em bolsa (aposta na alta) e vendida em taxas (aposta na queda), com a operação usando o dólar como defesa (hedge). Com os “gringos” voltando, os negócios podem ficar mais saudáveis.

Mas os investidores estrangeiros podem estar apenas realocando recursos antes da virada do ano, preparando as carteiras de investimento para o ano que vem. Os “gringos” foram os grandes vencedores do rali das eleições no Brasil, mas depois embolsaram os ganhos, mostrando certa desconfiança com a agenda reformista do governo eleito.

Esse sentimento, combinado com a sazonalidade típica de fim de ano, quando as empresas filiais remetem lucros e dividendos às suas matrizes no exterior, tem sustentado o dólar acima de R$ 3,90, em uma sequência de altas, apesar das intervenções do Banco Central. Soma-se a isso o nervosismo global recente e a preocupação com a dinâmica da dívida pública local.

Afinal, pouco ainda se sabe sobre as propostas do governo Bolsonaro e da equipe econômica com formação em Chicago para ajustar o rombo das contas públicas e promover as reformas fiscais. O que mais se tem ouvido, nos últimos dias, é sobre a movimentação financeira suspeita feita por um ex-funcionário de Flávio, um dos filhos do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que teria beneficiado também a esposa, Michelle.

Nas mesas de negócios, ouve-se que o caso coloca em dúvida a real capacidade de Bolsonaro de tomar atitudes rápidas e diretas para resolver situações polêmicas. Afinal, se no pessoal, ele se mostra passivo e conservador, imagina-se sua postura em questões urgentes, como a reforma da Previdência.

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