Bradesco espera crescer crédito em até 13% este ano; retorno deve ser maior, diz presidente

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O Bradesco (BOV:BBDC4) espera ampliar sua carteira de crédito neste ano entre 9% e 13%, quase o dobro dos 7,8% registrados este ano, confirme o “guidance” divulgado hoje junto com o resultado do quarto trimestre. Esse aumento será obtido com o crescimento da economia graças à aprovação da reforma da Previdência, e com menor inadimplência, afirma o presidente-executivo do banco, Otávio de Lazari Júnior.

Ele destaca o retorno sobre o patrimônio do banco, que atingiu 19,7% no quarto trimestre, ante 18% no ano anterior, um percentual que deve crescer ainda mais nos próximos anos. “O retorno mudou de patamar, resultado do crescimento do crédito e da melhora de nossa eficiência, e tem condições de apresentar níveis ainda mais altos”, afirmou. “Com maiores controles de de crédito e crescimento da economia, temos uma visão muito positiva para o futuro”, disse, durante entrevista coletiva sobre os resultados.

Maratona do retorno maior

Ao lembrar que o Bradesco não dá previsões sobre o retorno sobre o patrimônio, Lazari disse que a tendência é de crescimento, mas no médio prazo. “Não é uma corrida de Usain Bolt (recordista mundial dos 100 e 200 metros), é mais de resistência”, afirmou. “Já batemos 19,7%, chegar a 20% é bom, mas se der para chegar a mais, melhor ainda”, disse. “Vamos buscar cada vez mais retorno para o acionista e tenho certeza de que banco está preparado para buscar retornos maiores e o número deste ano deve ser maior”, afirmou.

Sobre aumento de distribuição de lucro aos acionistas, Carlos Firetti, diretor de Relações com Investidores disse que isso depende do nível de capital do banco. “Estamos com um capital equivalente a 13,7% (dos ativos ponderados pelo risco pelo Acordo de Basileia), perto dos 13,5% que achamos confortável, ideal, mas isso não quer dizer que esse seja um teto, podemos acumular mais”, o que significa que o banco pode optar por não distribuir mais lucro e reforçar o capital.

Forte crescimento nos novos empréstimos e qualidade maior

Lazari observa o forte crescimento da originação de crédito por dia útil, as novas operações feitas pelo banco, e que aumentaram 23% no ano e 8% no quarto trimestre para pessoas físicas e 35,7% e 27,4% para empresas. Além disso, as novas operações vêm com uma inadimplência muito mais baixa que nos anos anteriores, o que mostra que os atrasos têm espaço para diminuir ainda mais este ano, afirma Carlos Firetti, diretor de Relações com o Mercado do Bradesco. “Há espaço para queda nas grandes empresas, por exemplo, com a saída de alguns casos específicos”, explica.

Margem deve melhorar com mais crédito

Além disso, o aumento da carteira de crédito deve proporcionar uma melhora da margem financeira do banco, ou seja, do ganho que o banco tem ao emprestar em relação ao custo do dinheiro. No ano passado, essa margem caiu 0,3% e, para este ano, a projeção é de um crescimento de 4% a 8%. “A queda dos juros provoca uma redução dos spreads (diferença entre o que o banco paga ao investidor e o que ele recebe no empréstimo), mas o crescimento da carteira de crédito deve compensar isso”, explica Firetti. “O crédito crescendo e a inadimplência menor e o alongamento dos prazos dão mais estabilidade para a carteira ao longo do tempo também”, acrescenta Lazari.

Ele destaca o crescimento da carteira de crédito no ano passado acima da projeção, de 7%. Esse crescimento veio especialmente de pessoas físicas, em todas as linhas, inclusive cartão de crédito, que sofreu com as mudanças de regras do rotativo. “O consignado liderou, mas crescemos muito também em crédito imobiliário, superando inclusive pela primeira vez a Caixa Econômica Federal”, disse.

Liderança em crédito imobiliário

Segundo ele, o banco deve manter a liderança em crédito imobiliário este ano também. “Sabemos que a Caixa teve algumas limitações no ano passado, mas este ano vamos manter a liderança no crédito novamente”, afirmou Lazari. Para financiar os empréstimos imobiliários, o banco já fez duas captações de Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), recém-regulamentadas pelo Banco Central (BC), de R$ 450 milhões e R$ 750 milhões, e fará mais uma até a semana que vem de R$ 750 milhões. “Vamos chegar a R$ 2 bilhões em LIGs”, disse.

As pequenas empresas também cresceram a demanda por crédito, mas as grandes ainda estão retomando os projetos, diz Lazari. “Temos viajado por todo o Brasil e vemos que os projetos que estavam nas gavetas agora estão em cima da mesa, e queremos expandir nossas operações com as grandes empresas, via crédito ou mercado de capitais ou estruturando projetos”, diz.

Sétimo trimestre de queda da inadimplência

O presidente do Bradesco destacou que o trimestre passado foi o sétimo de queda nas taxas de inadimplência, especialmente em pessoas físicas e pequenas empresas. Nas grandes, a queda foi pequena, e os atrasos ainda estão em patamar elevado, mas há espaço para redução maior nos próximos trimestres.

Reestruturação de corretoras

O banco está ainda reestruturando suas corretoras, a Bradesco, voltada para os clientes do banco, e a Ágora, para os não clientes, com novas plataformas que vão integrar os serviços e facilitar o acesso aos investimentos. As mudanças já surtiram efeito e fizeram as receitas de corretagem crescerem 12,6% em 12 meses. As corretoras têm hoje cerca de 300 mil clientes, mas considerando os correntistas dos segmentos Private e Prime do banco, há mais 1,3 milhão de clientes potenciais.

“Todo esse balanço pode ser refletido pelo resultado operacional, que cresceu 32,9% no trimestre e 24,9% no ano, o que mostra que banco está crescendo no seu negócio, na operação”, disse Lazari. “Entregamos todos os guidances previstos para este ano e a perspectiva de uma melhora na economia nos deixa confortáveis para aumentar as metas do ano que vem”, explicou. Segundo o executivo, as novas metas são “desafiadoras, mas pelo que fizemos em 2018, achamos possível chegar a esse guidance e o banco deve manter a trajetória de crescimento do retorno sobre o patrimônio”.

Crédito depende da “mãe de todas as reformas”

Para ele, o crescimento da carteira de crédito, quase o dobro do ano passado, pode parecer demais, mas ele é necessário para recuperar os níveis perdidos durante os quase três anos de recessão e é possível graças à perspectiva positiva para a economia. “Vamos entrar em um ciclo benigno de crescimento, o país vai entrar na rota do crescimento e algumas coisas importantes vão acontecer, como a reforma da Previdência, a mãe de todas as reformas, que deve ser aprovada ainda no primeiro semestre”, disse Lazari.

Ele espera que as grandes empresas retomem as captações de crédito e no mercado de capitais já no trimestre, na expectativa da aprovação da reforma da Previdência. “A expectativa é que a reforma da Previdência aconteça no primeiro semestre”, disse. “Se acontecer, a expectativa para as operações de grandes empresas é que haja uma aceleração em relação a 2018.”

Com isso, as empresas devem retomar seus investimentos e o governo federal e os regionais também devem dar início a um processo de privatizações que cria mais oportunidades de negócios para o banco, em setores como infraestrutura. “Os governos vão se desfazer de empresas e essas privatizações vão dar dinamismo ao mercado de capitais, onde também estamos presentes, e a alguns setores que serão vendidos”, afirmou.

Bradesco vai olhar privatizações

Questionado se o Bradesco vai participar dos processo de privatização de empresas, especialmente as financeiras, como subsidiárias da Caixa e do Banco do Brasil (BB), Lazari disse que acabou o período de proibição pelas autoridades reguladoras de compras de novas instituições por conta da compra do HSBC. “Vamos olhar, tudo que tiver relação com nossa atividade vamos olhar”, disse. Além disso, como banco de investimentos, o Bradesco pode assessorar clientes na compra ou o próprio governo nas operações. “Podemos ser tanto adquirentes como assessores”, disse.

Fechamento de 100 agências

Sobre o fechamento de agências, Lazari lembrou que o banco fez um ajuste em 2016 e 2017. com a redução de 565 unidades. Em 2018, foram fechadas mais 132, em grande parte com a redução de espaços. “Para 2019, seremos pragmáticos sobre o retorno sobre o capital”, disse. Agências que não forem rentáveis serão fechadas ou reduzidas. Mas o crescimento maior da economia pode limitar essa redução. “Neste ano, podemos fechar cerca de 100 agências, mas a maioria deve ser readequação de tamanho”, diz.

O presidente do Bradesco observa que a rentabilidade dos clientes nos serviços online do banco é muito maior, cerca de 40% mais que nas agências. E o gerente nos canais digitais atende até três vezes mais clientes que na agência tradicional. Por isso, as plataformas digitais do banco cresceram 125% nos últimos anos e o objetivo é triplicar essas plataformas, diz Lazari.

Seguradora reduz sinistros e abre clínicas para reduzir custos

Já na seguradora, Lazari observou a redução na sinistralidade das carteiras, especialmente em seguro saúde, com a criação de clínicas próprias e pacotes de atendimento. “A melhora operacional fez o retorno da seguradora subir para 20,9%”, disse. A melhora na sinistralidade foi importante, com uma queda de 74% para 70,4%, com avanços especialmente em seguro saúde. “Abrimos 9 clínicas e devemos chegar a 22 no fim deste ano, mas temos mais 28 em processo de aprovação”, explicou. O custo do cliente atendido nas clinicas é de 38% a 42% menor que em clínicas terceirizadas”, disse. Além disso, a estabilidade no emprego começa a ter reflexo no número de segurados.

A projeção do banco para o resultado das operações de seguro neste ano é de um crescimento de 5% a 9%, contra -4,9% no ano passado.

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