Prévia da inflação oficial, IPCA-15 sobe 0,30% em janeiro, menor desde 1994; em 12 meses, alta é de 3,77%

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial usada pelo Banco Central (BC) em suas metas, subiu 0,30% em janeiro, a menor variação para o mês desde 1994, ano de criação do Plano Real, que estabilizou os preços. Ficou também abaixo do esperado pelo mercado, que trabalhava com um número mais perto de 0,35%.

Mesmo assim, a inflação ficou 0,46 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em dezembro (-0,16%).  Já o acumulado nos últimos doze meses ficou em 3,77%, abaixo dos 3,86% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2018, a taxa foi de 0,39%. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA-15 calcula os preços coletados do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês de referência, e fecha portanto 15 dias antes do IPCA mensal, usado pelo BC como referência para os juros. Assim, serve de indicador da tendência da inflação antes da divulgação do índice oficial.

O grupo Alimentação e bebidas teve a maior variação (0,87%) e o maior impacto (0,22 p.p.) no índice. Já os grupos Transportes (-0,47%) e Vestuário (-0,16%) tiveram deflação de dezembro para janeiro. Os demais grupos variaram entre o 0,06% de Comunicação e o 0,68% de Saúde e cuidados pessoais, conforme mostra a tabela a seguir.

Grupo Variação (%) Impacto (p.p.)
Dezembro Janeiro Dezembro Janeiro
Índice Geral  -0,16 0,30 -0,16 0,30
Alimentação e Bebidas 0,35 0,87 0,08 0,22
Habitação -0,52 0,08 -0,08 0,01
Artigos de Residência 0,44 0,58 0,02 0,02
Vestuário 0,31 -0,16 0,02 -0,01
Transportes -0,93 -0,47 -0,18 -0,09
Saúde e Cuidados Pessoais -0,58 0,68 -0,07 0,08
Despesas Pessoais 0,43 0,43 0,05 0,05
Educação 0,02 0,31 0,00 0,02
Comunicação  -0,07 0,06 0,00 0,00
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

 

Frutas e carnes puxam custo da alimentação em casa

O grupo Alimentação e bebidas teve alta de 0,87% e acelerou em relação a dezembro (0,35%) por conta do grupamento alimentação no domicílio, que passou de 0,22% para 1,07% em janeiro. Contribuíram para esse resultado a aceleração dos preços das frutas, que passou de 1,12% (dezembro) para 6,52% em janeiro, e das carnes, de 0,92% para 1,72%. Outros itens importantes no consumo familiar, como cebola (17,50%) e batata-inglesa (11,27%) também tiveram altas expressivas, embora tenham desacelerado em relação a dezembro, quando subiram 34,16% e 17,80%, respectivamente.

Já alimentação fora mostrou leve desaceleração: de 0,58% em dezembro para 0,53% em janeiro, com destaque para a refeição: 0,39% em janeiro, contra 0,67% em dezembro.

Gasolina recua a derruba custo dos Transportes

Os Transportes (-0,47%) tiveram a maior queda entre os nove grupos pesquisados, embora a baixa tenha sido menos intensa que a de dezembro (-0,93%). A gasolina (-2,73%) caiu pelo segundo mês consecutivo e teve o maior impacto individual no índice: -0,12 p.p. Com exceção da região metropolitana de Salvador, com alta de 2,38% nesse combustível, as demais áreas apresentaram quedas que variaram entre -5,99% (Fortaleza) e -1,38% (Goiânia).

Os preços do etanol (-1,17%) e do óleo diesel (-3,43%) também caíram, contribuindo para o resultado de -2,40% do grupamento dos combustíveis. As passagens aéreas (-3,94%) também tiveram queda em janeiro, frente à alta de 29,61% em dezembro.

Ainda no grupo dos Transportes, destacam-se os aumentos nas tarifas dos ônibus interestaduais (2,63%), dos ônibus intermunicipais (1,12%) e dos ônibus urbanos (1,04%). A alta dos ônibus urbanos foi consequência da variação em Belo Horizonte (4,94%), que refletiu o reajuste de 11% no valor da passagem, a partir de 30 de dezembro, e em São Paulo (2,00%), onde o reajuste foi de 7,5%, desde 7 de janeiro.

Ainda em São Paulo, também houve reajuste de 7,5% nas tarifas de trem (0,75%) e de metrô (0,75%), ambas a partir de 13 de janeiro. No Rio de Janeiro, destaca-se o reajuste médio de 4,26% no valor das tarifas de táxi (1,87%), a partir de 1º de janeiro de 2019.

Energia elétrica cai 0,73%

Em Habitação (0,08%), a energia elétrica (-0,73%) caiu pelo quarto mês consecutivo, embora menos intensamente que em dezembro (-3,61%). As regiões pesquisadas variaram entre a queda de 2,44% em Fortaleza até a alta de 0,66% em Belo Horizonte. Desde o início de dezembro, vigora a bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional na conta de luz.

Ainda em Habitação, destaca-se a taxa de água e esgoto (0,70%), cuja variação reflete reajustes de 6,04% no Rio de Janeiro (3,54%), desde 1º de dezembro, e de 8,60% em Porto Alegre (3,84%), desde 16 de dezembro. A variação do gás encanado (1,69%) reflete o reajuste de 7,20% nas tarifas no Rio de Janeiro (3,18%), desde 1º de janeiro.

O grupo Saúde e cuidados pessoais (0,68%) apresentou o segundo maior impacto positivo no índice do mês (0,08 p.p.), com destaque para os itens de higiene pessoal, que subiram 2,23% em janeiro, depois de registrarem queda de 4,46% em dezembro.

Menor pressão em Curitiba e maior em Salvador

Quanto aos índices regionais, apenas a região metropolitana de Curitiba (-0,08%) teve deflação. Esse resultado ocorreu, principalmente, devido às quedas da gasolina (-3,55%) e da energia elétrica (-1,39%). O maior índice foi o da região metropolitana de Salvador (0,80%), em função de altas das frutas (10,10%) e das carnes (4,60%).

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