Semana terá IPCA, recordes e nova carteira do Ibovespa, lua de mel com Bolsonaro, Brexit, Fomc e o muro de Trump

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O ano começou muito bem para o investidor em ações brasileiras, com o Índice Bovespa subindo 4,5% em três dias e atingindo o recorde nominal de 91.840 pontos, apesar da instabilidade nas bolsas internacionais com a disputa entre o presidente Donald Trump e o Congresso que travou a aprovação do orçamento dos EUA e paralisou diversas atividades do governo federal. O dólar comercial caiu, 4%, para R$ 3,72, influenciado também pela lua de mel dos investidores com o novo governo de Jair Bolsonaro, que começou com um discurso liberal e reformista forte, mas acabou tropeçando nos desencontros de anúncios de mudanças.

Powell acalma mercados após emprego forte nos EUA

Os dados de emprego nos EUA mais fortes que o esperado também causaram preocupação, mas foram minimizados pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que afirmou na sexta-feira que o banco central americano não está vendo riscos inflacionários que o obriguem a elevar mais os juros. Ele reconheceu também os riscos de uma recessão nos EUA, como temem diversos analistas, mas diz que as estimativas do Fed para a economia americana são melhores que os do mercado, o que tranquilizou os investidores. A situação, porém, continua delicada, com o Fed correndo o risco de ter um cenário de inflação em alta em meio à desaceleração da economia. Apesar de tudo, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou a semana em alta, de 0,49%.

China anuncia incentivos para combater desaquecimento

Mas os sinais de desaquecimento global prosseguem, não só nos Estados Unidos, como na Europa e na Ásia, como mostraram os números dos índices de gerentes de compras (PMI) de vários países, especialmente o chinês. Como resposta, o governo chinês começou o ano divulgando novos incentivos para a economia na forma de linhas para financiamento de infraestrutura, especificamente em ferrovias, e crédito para empresas, além da redução do compulsório. Enquanto os chineses tentam “pedalar” o crescimento, na Europa, a França volta a enfrentar protestos contra o governo.

Reino Unido volta a discutir Brexit esta semana

E o Reino Unido se aproxima da data de separação oficial da União Europeia sem que o acordo para amenizar o impacto do Brexit tenha sido aprovado pelo Parlamento. Uma retomada das discussões está prevista para esta quarta-feira, dia 9.

Desaceleração mundial terá impacto sobre emergentes

Esses indicadores de desaquecimento têm a vantagem para os países emergentes de manter os bancos centrais da Europa, Ásia e EUA em compasso de espera no processo de elevar seus juros para níveis normais, lembra o economista-chefe da corretora ModalMais, Álvaro Bandeira. Já o Bradesco diz que o vetor final ainda é incerto: uma desaceleração intensa do crescimento mundial tende a reduzir os preços de commodities e afetar negativamente suas moedas. Já o arrefecimento mais suave diminui a intensidade do aperto de juros nos países desenvolvidos, redirecionando fluxos que podem beneficiar esses países.

Trump joga mais pesado na reta final do mandato

Em meio a tanta incerteza, é difícil entender a insistência de Trump com o muro diante do risco de uma onda de desaquecimento mundial. A explicação é tentar manter a popularidade junto ao público mais conservador, cumprindo a promessa de campanha, diante do crescimento da oposição democrata no Congresso, que pode complicar a vida do presidente nos próximos dois anos de mandato. Além da economia desaquecendo, Trump deverá enfrentar o crescimento das denúncias contra sua campanha sobre o envolvimento russo na eleição, que em último caso podem levar a um processo de impeachment.

Lua de mel com novo governo

No Brasil, a lua de mel com o novo governo prossegue dando fôlego para a bolsa e derrubando o dólar. E a instabilidade deve continuar eleva, diz Álvaro Bandeira, lembrando que muitas notícias devem sair até o fim de janeiro, véspera da posse dos novos parlamentares que devem dar sustentação às propostas de reforma do superministro da Economia, Paulo Guedes. E há o cenário externo que vai continuar dando seus sustos, também com os EUA retomando as negociações comerciais com a China.

Toalha na cama e falta de sintonia

Mas o ambiente positivo pode se inverter rapidamente caso continuem os desencontros entre o discurso do presidente e de seu superministro, como ocorreu na semana passada, quando Bolsonaro anunciou um aumento de IOF que depois foi negado pelo chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni. A batida de cabeças pode ser atribuída à própria falta de organização do novo governo, o que poderá ser resolvido com maior conversa do presidente, como em todo início de casamento, como o marido que deixa a toalha molhada na cama.

Mas pode também ser um sinal de divisão de visões dos grupos que formam o governo Bolsonaro, o que poderá criar problemas mais sérios nas difíceis disputas que o Executivo terá para aprovar as reformas da Previdência e fiscal no Congresso nos próximos meses. Um sinal de falta sintonia no governo pode ser muito ruim para as negociações com os parlamentares.

Novas divulgações e ordem unida

Por isso, nesta semana, a expectativa é com as prováveis novas divulgações do governo que revertam essa visão de falta de sintonia. A expectativa é que saiam nesta semana mais informações sobre o projeto de reforma da Previdência, a principal preocupação do mercado, e outras questões igualmente importantes da área econômica e segurança. Também a equipe econômica pode acelerar medidas infraconstitucionais para dar rumo rápido para a economia, já que o governo precisa mostrar resultados com certa urgência, avalia Bandeira.

IPCA deve trazer inflação perto de zero em dezembro

Na agenda econômica local, o principal indicador será o IPCA de dezembro, usado nas metas de inflação do Banco Central (BC), que sai na sexta-feira. O índice do IBGE deverá ficar praticamente estável, com alta de 0,07%, espera o Bradesco, encerrando o ano passado com alta de 3,67%, novamente abaixo do centro da meta e com dinâmica favorável, com núcleos subindo ao redor de 3% nos últimos 6 meses.

Outro indicador importante de inflação, o IGP-DI da Fundação Getulio Vargas (FGV), sai na terça-feira, e deve vir com deflação de -0,68%, segundo o Bradesco. Para o Banco Fator, o IGP-DI de dezembro deve ter deflação de 0,79% e fechar o ano com alta de 6,73%.

Indicador da indústria deve cair

Na terça-feira, o IBGE disponibilizará o resultado da Pesquisa Mensal da Industria (PIM) de novembro. O Banco Fator espera que a produção industrial apresente um recuo de 0,1% no mês e alta de 1,3% em relação ao mesmo mês de 2017. Já o Bradesco lembra que a recuperação da indústria tem sido mais moderada do que aquela observada no comércio, o que pode limitar a velocidade de retomada do Produto Interno Bruto (PIB). “Projetamos queda da indústria de 0,3% em novembro, em linha com expansão do PIB de 0,1% no 4º trimestre”, diz o banco.

Ata do Fomc e inflação nos EUA

Os destaques na agenda internacional serão a divulgação do índice de preços dos Estados Unidos (CPI) de dezembro na sexta-feira, a ata da reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed e a nova discussão do Brexit pelo Parlamento britânico, ambos na quarta-feira.

Para o Bradesco, as atenções dos mercados estarão voltadas para o detalhamento da decisão que aumentou a taxa de juros nos EUA em dezembro e a visão do Fed sobre os possíveis efeitos da piora registrada em alguns ativos financeiros sobre a atividade nos EUA. Dada a desaceleração recente em alguns indicadores, os dados de crédito e da balança comercial na China também merecem destaque.

Nova carteira do Ibovespa

Começará a valer nesta segunda-feira a nova carteira do Índice Bovespa. Na terceira prévia, divulgada na quinta-feira, sairiam do índice Copel PNB (CPLE6) e Fibria ON (FIBR3) e entraria Petrobras Distribuidora (BRDT3).  O indice ficaria assim com um papel a mais, 66 em relação à carteira vigente até sexta-feira. A nova carteira valerá de janeiro a abril de 2019.

Os cinco ativos que apresentaram o maior peso na composição do índice na terceira prévia foram: Itauunibanco PN (10,908%), Vale ON (10,646%), Bradesco PN (8,632%), Petrobras PN (7,801%) e Petrobras ON (4,904%). Para efeitos de comparação, os ativos que apresentaram o maior peso na composição da carteira anterior do índice válida de 03 de setembro de 2018 a 04 de janeiro de 2019 eram: Vale ON (12,886%), Itauunibanco PN (10,442%), Bradesco PN (7,180%), Petrobras PN (6,444%) e AMBEV S/A ON (6,421%).

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