Ventos ruins da Europa; Guedes fala com Alcolumbre; Vale enfrenta ações; Klabin e ABC lucram e BRF vende ativos

LinkedIn

Os mercados internacionais começaram o dia hoje pessimistas, em meio a preocupações com o desaquecimento da economia mundial.

Hoje, a produção industrial da Alemanha confirmou as expectativas de analistas de uma piora da principal economia da Europa, com uma  queda em dezembro de 0,4% na comparação com novembro e de 3,9% contra dezembro de 2017. Ainda na Europa, o Banco da Inglaterra manteve sua taxa básica de juros, mas reforçou o pessimismo ao prever o pior desempenho para a economia britânica desde 2009, reduzindo a perspectiva de crescimento do PIB de 1,7% para 1,2% este ano.

Além do Brexit, o BC britânico culpou o desaquecimento da economia mundial pela revisão. Mas, apesar disso, manteve a projeção de que os juros, hoje mantidos em 0,75% ao ano, vão subir este ano após a confirmação do Brexit.

Nos EUA, a falta de definição nos principais assuntos, como aprovação do orçamento federal e a paralisação do governo, se soma à espera em relação ao acordo comercial com a China, que comemora esta semana o Ano Novo Lunar.

Reunião de Guedes com o presidente do Senado

No Brasil, as atenções estarão voltadas para as articulações para a aprovação da reforma da Previdência. Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, terá reunião hoje à tarde com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, provavelmente para traçar a estratégia de discussão com os senadores. Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, esfriou um pouco os ânimos do mercado ao afirmar que o processo de discussão da reforma vai recomeçar do zero, descartando a ideia de fazer emendas ao projeto do governo Michel Temer para acelerar a análise.

Vale, mais complicações para Brucutu

Outro destaque do dia será a Vale, que teve ontem a autorização provisória para operar a barragem de Laranjeiras cancelada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que também determinou a suspensão imediata das operações na Mina de Jangada, por entender que sua licença está unificada à da Mina Córrego de Feijão. A medida complica a tentativa de retomada de operações da mina de Brucutu, que responde por 7% da produção da mineradora.

A Vale destaca, entretanto, que a barragem de Laranjeiras foi construída pelo método tradicional, diferente do utilizado na barragem que rompeu, em Brumadinho , e possui atestado de estabilidade vigente. Para retomar as operações de Brucutu, interrompidas por decisão judicial, agora, é necessário também a concessão de uma nova autorização ou licença para operação da barragem de Laranjeiras, observa a corretora Coinvalores.

A mineradora terá que transferir ainda R$ 13,44 milhões para o governo de Minas Gerais, em caráter de urgência, a fim de cobrir os gastos emergenciais, até agora cobertos pelo Estado. “Os papéis da companhia, portanto, devem seguir pressionados no curto prazo”, diz a Coinvalores.

BRF vende ativos, mas recebe menos

A BRF anunciou hoje a venda de seus ativos na Europa e na Tailândia para a americana Tyson Foods por US$ 340 milhões. Segundo a empresa, o conjunto das medidas que integram o Plano de Reestruturação, incluindo a operação de hoje e as demais iniciativas relacionadas a desinvestimentos, venda de ativos non-core, capital de giro e securitização de recebíveis, deverá resultar na arrecadação de um total de, aproximadamente, R$ 4,1 bilhões, dos R$ 5,0 bilhões que haviam sido inicialmente previstos;

Em função disso, a BRF estima que a relação entre a dívida líquida e a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficará em torno de 5 vezes no quarto trimestre de 2018, incluindo os efeitos de todas as vendas de ativos já anunciadas, e aproximadamente 3,65 vezes no quarto trimestre deste ano, acima das 4,35 vezes e 3 vezes, respectivamente, previstas inicialmente. Haverá ainda um adiamento de 6 meses para o alcance das metas iniciais.

A alavancagem acima da inicialmente prevista era esperada dado atraso na conclusão dos desinvestimentos e vendas de ativos na Argentina a valores mais baixos que o esperado, mas o não atingimento do plano pode ser visto como negativo pelo mercado, avalia a corretora XP Investimentos.

Segundo a corretora, em teleconferência, a BRF reiterou o foco na contínua desalavancagem e a expectativa de fluxo de caixa positivo em 2019. Além disso, a empresa espera melhoria dos resultados operacionais com reversão da queda de margem esse ano e volta à média histórica em 2020. O mercado doméstico já apresenta melhora, com preços mais robustos, enquanto a empresa poderia buscar parcerias para investir na Europa e na Arábia Saudita. Não há previsão de investimentos inorgânicos nos próximos 3 anos – apenas investimentos para manutenção e melhorias operacionais. Por fim, a empresa reiterou que está confortável com sua situação de caixa e que não precisará de caixa adicional após as inciativas alcançadas.

A XP diz que mantém a recomendação Neutra para BRF. Apesar de esperar recuperação de resultados, a corretora vê a ação negociando a 10.5 vezes o valor de Empresa (EV/Ebitda, que mede o valor de mercado mais a dívida da empresa em relação a sua geração de caixa) 2019 e 8 vezes para 2020, valor considerado justo.

Klabin volta ao lucro

A Klabin divulgou hoje seu resultado do quarto trimestre com um lucro líquido de R$ 913 milhões, 879% mais que no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 83 milhões do quarto trimestre do ano passado. No ano, a empresa lucrou R$ 187 milhões, valor 65% menor que os R$ 532 milhões de 2017.

O volume de vendas de papel e celulose ficou praticamente estável na comparação com o trimestre anterior e com o mesmo de 2017, mas a receita avançou 21% na comparação anual, por conta da variação do câmbio entre os dois períodos. Na comparação trimestral a receita ficou estável. Nesse trimestre, houve alguma pressão de custos, o que acabou impactando a margem Ebitda, que veio de 44% no terceiro trimestre para 41%.

A Coinvalores destaca o maior volume de madeira comprada de terceiros e que o impacto positivo pela geração de energia foi menor que no terceiro trimestre, e o custo caixa por tonelada produzida saltou de R$ 628 para R$ 700, o que levou a uma queda de 9% do Ebidta no último trimestre. A alavancagem da Klabin seguiu caindo, chegando a 3,1 vezes o Ebitda, contra 3,4 vezes ao final do terceiro trimestre. A Coinvalores considerou os números abaixo do esperado.

ABC Brasil lucra

Ontem, depois do fechamento do mercado, o Banco ABC divulgou lucro líquido de R$ 121,4 milhões no quarto trimestre do ano passado (+4,6% no trimestre e +9,8% em 12 meses), em linha com o esperado pelo mercado no trimestre, segundo a corretora Guide Investimentos. O resultado foi impactado pelo aumento da Margem Financeira com Clientes (+1,3% sobre 2017) e Patrimônio Líquido (+0,7%;  redução das despesas de provisão de crédito (-41,9%); e compensaram numeros mais fracos da Margem Financeira com o Mercado (-45,3%. O retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 13,3% (-0,3 ponto percentual).

A Carteira de Crédito Expandida (empréstimos, garantias prestadas e títulos privados) encerrou o ano com saldo de R$ 26,2 bilhões (+7,0% sobre 2017). No segmento Corporate, houve expansão anual de 29,6% enquanto no segmento Large Corporate, a carteira apresentou crescimento de 2,4%. O saldo de Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) permanece em 2,9% da carteira de crédito.

Destaque também para as despesas administrativas, que somaram R$ 120,2 milhões no quarto trimestre, crescimento de 3,1%. Para 2019, o banco prevê um crescimento da carteira de crédito expandida de 11% a 15%; e despesas entre 4% e 6%.

Segundo a Guide, os resultados vieram em linha com esperado pelo mercado, e pode haver alguma queda das ações. “Ainda assim, o banco segue mostrando uma continua recuperação da qualidade da carteira de crédito, e provisões, além do eficiente controle das despesas administrativas e expansão da carteira.”

Inflação do IGP-DI segue tranquila

O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,07% em janeiro, percentual superior ao apurado no mês anterior, quando a taxa havia sido de -0,45%, informou hoje a Fundação Getulio Vargas (FGV). O número ficou abaixo do 0,20% esperado pelo mercado. Em 12 meses, o índice acumula alta de 6,56%. Em janeiro de 2018, o índice havia subido 0,58% e acumulava queda de 0,28% em 12 meses.

Copom mantém juros em 6,5% e deixa espaço para cortes

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve  a taxa básica de juros em 6,5% ao ano e repetiu basicamente a visão sobre a tendência de inflação sob controle, economia fraca e a necessidade de juros abaixo do normal para estimular a economia da reunião anterior. O Copom manteve ainda uma porta aberta para novas reduções dos juros, ao afirmar que o balanço de riscos inclui uma queda maior da atividade, que permitiria juros ainda menores, mas condicionados à aprovação das reformas fiscais, em especial da da Previdência.

O Comitê reconheceu que houve melhora no cenário externo de curto prazo, com a perspectiva de que os juros não subam tanto nos Estados Unidos e na Europa, mas ao mesmo tempo cresceu o risco de médio prazo, de desaquecimento ou até recessão nos países desenvolvidos, com as disputar comerciais entre EUA e China e o impasse em torno da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).

B3 quer ampliar uso de ETF pelos investidores

A queda dos juros e a maior procura por diversificação deve incentivar o crescimento do mercado de ETFs (Exchange Traded Funds), fundos com cotas negociadas em bolsa que reproduzem índices de ações ou renda fixa, acredita Felipe Paiva, diretor de Relações com Clientes da B3. Mirando-se no exemplo do exterior, onde esses fundos já respondem pela maioria dos volumes das bolsas, a B3 pretende estimular o uso dos ETFs tanto para facilitar o investimento do varejo quanto para os grandes investidores e gestores de fundos. Ele participou do 3º Encontro Anual sobre Índices e ETFs, promovido pela bolsa e pela S&P Dow Jones Índices.

A diferença é grande. Enquanto no exterior os ETF reúnem um patrimônio de US$ 4,8 trilhões, há hoje no Brasil 16, sendo 13 de ações e índices locais, dois internacionais e apenas um de renda fixa, lançado pela gestora coreana Mirae Asset. O valor total do patrimônio desses fundos chega a R$ 12 bilhões, com R$ 400 milhões negociados por dia, especialmente pelo BOVA11, que reproduz o Índice Bovespa.

Bolsa atinge 858 mil cadastros de investidores em ações

A B3 registrou neste início de ano recorde de cadastros de investidores pessoas físicas em ações, com 858 mil cadastrados, informou o diretor da bolsa, Felipe Paiva. No começo do ano passado, esse número estava perto de 700 mil e, em dezembro, em 813 mil. O número não significa que todos os cadastrados têm ações, mas seu crescimento mostra um aumento do interesse pelo mercado, que passou quase uma década com cerca de 500 mil cadastros.

Deixe um comentário