Vale: Problemas em Rio Preto removem 29 pessoas; Evacuação em Nova Lima afeta turismo

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A forte chuva que atingiu a cidade de Rio Preto, na Zona da Mata, em Minas Gerais, na noite dessa sexta-feira (15) provocou estragos na barragem da Usina Hidrelétrica Mello, que pertence à empresa mineradora Vale(BOV:VALE3). Preventivamente, 29 pessoas que moram na área de influência da hidrelétrica tiveram que ser removidas de suas casas.

Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, a pequena central hidrelétrica (PCH) da Bacia do Rio Paraibuna é operada por uma empresa pertencente ao grupo Vale, que acionou o Plano de Ação de Emergência da barragem na manhã de hoje (16).

Em nota, a Defesa Civil atribui à empresa a informação de que a chuva provocou uma infiltração de água na galeria de drenagem da barragem.

Os moradores de Rio Preto que tiveram que deixar suas casas estão sendo levados para pousadas da região. Todo o processo é acompanhado pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Rio Preto, bem como pela coordenadoria estadual.

Também em nota, a Vale confirmou o acionamento do plano de emergência devido à elevação do nível de água no reservatório da hidrelétrica. A mineradora informou que, desde novembro passado, a barragem passa por obras para ampliar a segurança das instalações.

A companhia afirmou que presta assistência aos moradores de dez propriedades rurais, previamente mapeadas, que precisarem. De acordo com a Vale, algumas das 29 pessoas têm residências em áreas urbanas. “A Vale está monitorando a situação. A barragem e o nível de água encontram-se estáveis. Ainda não há previsão de retirada do alerta.”

Evacuação em Nova Lima afeta turismo e economia da cidade mineira

A evacuação na comunidade de Macacos, em Minas Gerais, no dia 16 de fevereiro, trouxe impactos para a economia da cidade de Nova Lima. Macacos, como popularmente é conhecido o distrito de São Sebastião das Águas Claras, é um dos destinos turísticos mais procurados na região de Nova Lima e atrai visitantes devido à beleza natural, com um cenário composto por montanhas, mananciais e cachoeiras. No carnaval deste ano, época bastante movimentada, a situação foi outra.

Segundo a prefeitura de Nova Lima, a estimativa foi de queda de quase 100% no número de visitantes em comparação com a expectativa inicial. O município ainda não tem um levantamento completo. “São 100 empreendimentos turísticos diretos afetados que impactam aproximadamente 600 empregos diretos, sem mencionar o efeito cascata em outras áreas. A programação de carnaval da forma como estava prevista para Macacos não foi realizada neste ano, uma vez que o governo municipal teve de reavaliar a viabilidade do evento, já que a atenção estava focada no atendimento e na segurança dos moradores”, informou em nota a prefeitura.

A evacuação, ocorrida cerca de duas semanas antes do carnaval, foi motivada por uma reavaliação da Vale em suas estruturas após a tragédia de Brumadinho. De acordo com a mineradora, foram detectados riscos de rompimento da barragem B3/B4 da Mina de Mar Azul e 272 pessoas tiveram que deixar suas casas. Diante da notícia, mesmo pousadas localizadas fora do perímetro evacuado registraram cancelamentos de reservas.

“Das minhas 12 suítes, eu já tinha nove reservadas para o carnaval com os depósitos de 50% já efetuados. E foi tudo cancelado. Um dia depois que a sirene tocou, eles já mandaram e-mails e mensagens de WhatsApp solicitando o cancelamento. E nós ficamos bem no alto da montanha. Não adiantava explicar que nós não estamos na área de risco que foi evacuada. Até porque o hóspede quer fazer um passeio de quadriciclo, quer ir em algum restaurante lá no centro. Com as possibilidades limitadas, ele desiste de vir”, contou Rejane de Oliveira Mello, proprietária da Pousada Farol da Serra.

Ela conta que conseguiu pagar os funcionários, porque a Vale acabou decidindo reservar todos os quartos para o período do carnaval para os moradores que foram retirados. “Muitos moradores que foram retirados das áreas de risco estavam em hotéis de Belo Horizonte. Mas como o carnaval de Belo Horizonte ficou muito procurado, a Vale fechou também com diversas pousadas de Macacos. Eu imagino que a intenção era alojar alguns moradores aqui, pois os hotéis de Belo Horizonte provavelmente já estariam sem vagas para o período. Mas, no fim, nós não recebemos nenhuma pessoa. Não veio ninguém. Mas eles pagaram o período do carnaval”.

Rejane explica, porém, que apesar de a mineradora ter pago o valor da diária normal, o faturamento foi inferior ao planejado. “Nessa época, o valor sobe porque nós fechamos pacotes para todo o feriado. Mas nesse caso, a Vale não pagou o valor do pacote especial”. A dona da pousada diz que o movimento continua fraco.

Situação similar é relatada por Julieta Araújo Lopes, proprietária da Pousada Maria Bonita. No seu caso, a dificuldade é maior já que não foi procurada pela Vale. “As reservas foram todas canceladas e nós tivemos que devolver os depósitos que já haviam sido feitos. Na sexta-feira, véspera do carnaval, tivemos uma procura de última hora e tivemos um número pequeno de hóspedes. Mas longe do esperado”, contou. Ela afirma que a procura continua reduzida e avalia que a retomada das condições anteriores à evacuação será lenta, pois ainda há medo em visitar a região.

Bloqueio

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Defensoria Pública de Minas Gerais anunciaram na última sexta-feira (15) que moveram uma ação pedindo o bloqueio de R$ 2 bilhões da Vale para assegurar a reparação dos danos materiais e imateriais aos atingidos direta ou indiretamente pela evacuação em Macacos. Os órgãos também pedem que a mineradora seja obrigada a garantir integral assistência aos moradores desalojados, incluindo atendimento médico e transporte escolar.

Em outra ação movida pelo MPMG e pela Defensoria Pública, a Justiça já deferiu o bloqueio de R$ 50 milhões da Vale com o intuito de garantir o ressarcimento dos prejuízos causados aos moradores atingidos pela evacuação em Barão de Cocais (MG). No município, 344 moradores deixaram suas casas na madrugada de 8 de fevereiro devido aos riscos com a barragem Sul Superior da Mina do Gongo Soco.

Decisões do TJMG já haviam levado ao bloqueio de R$ 11 bilhões da mineradora por causa dos danos causados na tragédia de Brumadinho. Por sua vez, o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) bloqueou mais R$ 1,6 bilhão para o pagamento de indenizações trabalhistas relacionadas com o rompimento da barragem.

50 bilhões para Brumadinho

O Ministério Público de Minas Gerais pediu à Justiça que a mineradora Vale seja obrigada a garantir o valor mínimo de 50 bilhões de reais para reparação ambiental devido ao rompimento da barragem da empresa em Brumadinho (MG), informou o órgão em nota nesta sexta-feira.

 Além disso, os procuradores pediram que a companhia mantenha, em fundo privado próprio, capital de giro nunca inferior a 100% do valor a ser utilizado, nos 12 meses subsequentes, nas despesas para custeio da elaboração e execução dos planos, programas, ações e medidas necessárias.

Na petição, apresentada à 1ª Vara Cível de Brumadinho na quarta-feira, o MP busca também a adoção de medidas para garantir segurança e estabilidade de estruturas remanescentes do Complexo Minerário Paraopeba.

Há um pleito ainda para suspensão das atividades no Complexo Minerário de Córrego do Feijão que possam incrementar o risco de rompimento de estruturas e para que a empresa contenha o avanço da poluição ocasionada pelos resíduos do colapso, ocorrido em 25 de janeiro.

Com o rompimento da barragem, uma onda gigante de lama atingiu instalações e refeitório da Vale, na hora do almoço, matando centenas de funcionários, além de impactar comunidades, mata e rios da região, incluindo o importante Paraopeba. Mais de 300 pessoas estão mortas ou desaparecidas.

No caso de eventual descumprimento, o MPMG pede que seja fixada multa diária no valor de 500 mil reais.

O novo pedido vem após promotores conseguirem, em janeiro, por meio de ação cautelar, o bloqueio de 5 bilhões da Vale para a reparação do meio ambiente atingido pelo rompimento de estruturas do Complexo Minerário de Paraopeba.

AUXÍLIO AOS BOMBEIROSEm nota na última sexta-feira(15), a Vale anunciou um aporto de 20 milhões de reais para o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, como um reconhecimento ao trabalho realizado após o desastre de Brumadinho.

Serão destinados 15 milhões de reais para compra de equipamentos, melhoria da infraestrutura e capacitação profissional da corporação e mais 5 milhões de reais para a implantação de estruturas para treinamentos na Academia de Bombeiros, de acordo com a mineradora.

Impacto de 12,8 mi/t ano em minério

A Vale informou que tomou conhecimento e cumpriu de imediato decisão judicial que determina suspensão das operações da barragem Doutor e demais estruturas de sua mina de Timbopeba, em Ouro Preto (MG), segundo fato relevante da companhia nesta sexta-feira.

“A suspensão afeta as operações da mina de Timbopeba e representa um impacto de 12,8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Vale informa que atendeu imediatamente a determinação e adotará as medidas cabíveis”, disse a empresa.

A decisão foi motivada por ação civil pública do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, que alegou à Justiça ter recebido informações sobre possíveis riscos no empreendimento.

A Vale defendeu que a barragem Doutor “possui declaração de estabilidade em vigor” e disse que ela foi inspecionada em 14 de março por técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), “que constataram que a estrutura não possui nenhuma anomalia relevante ou situação que comprometa a segurança”.

“Além disso, diz a ANM que, no momento, não se justifica uma interdição e/ou acionamento de Níveis de Alerta/Emergência que requeiram evacuação da população local”, afirmou a mineradora.

 Segundo os procuradores, a ação foi ajuizada após informações que teriam sido repassadas à Vale pela certificadora Tüv Süd, segundo as quais seriam necessárias medidas para evitar “risco social e ambiental” em Doutor.

O MP acrescentou ainda que teria recebido “denúncia anônima de que a barragem encontrava-se em elevado processo de alteamento”.

A decisão judicial, segundo os procuradores, é válida até que medidas de segurança sejam adotadas na unidade.

A segurança das barragens da Vale entrou no radar da Justiça, autoridades e procuradores desde o rompimento de uma de suas estruturas em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, mesmo com a unidade tendo laudo de estabilidade e fora de operação.

 O desastre liberou uma onda gigante de lama que atingiu instalações e refeitório da Vale, na hora do almoço, matando centenas de funcionários, além de impactar comunidades, mata e rios da região, incluindo o importante Paraopeba. Mais de 300 pessoas estão mortas ou desaparecidas.

A tragédia ocorreu ainda pouco mais de três anos após o rompimento de uma barragem da Samarco, uma joint venture da Vale com a BHP, em Mariana (MG). O incidente havia deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e poluiu o rio Doce até o mar do Espírito Santo.

 

Com informações da Reuters

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