Em crise, Gafisa é alvo de pedido de falência e planeja nova estrutura operacional

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Com queda nas vendas e uma dívida milionária, a incorporadora Gafisa (BOV:GFSA3) foi alvo nesta terça-feira de um pedido de falência de um dos seus fornecedores, a gráfica Leograf. O motivo foi uma dívida de apenas R$ 300 mil e, por isso, dificilmente o pedido será acolhido pela Justiça. Mas o episódio mostra a longa lista de problemas que a construtora vem enfrentando.

Especializada em empreendimentos de médio e alto padrão, a construtora está com pouco dinheiro em caixa, estoques elevados, vendas em ritmo lento e sofre com reviravoltas na sua gestão. Estes problemas não afetam os consumidores e, mesmo que a situação se agrave, há garantias legais que preservam o patrimônio de quem comprou imóveis da construtora.

A passagem do coreano Mu Hak You, dono da gestora GWI, pelo controle da companhia criou ruídos. E, agora, ela ainda pode ter como um dos sócios o polêmico empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades. A desconfiança em relação ao futuro da companhia se reflete na negociação de suas ações. Enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumula alta de 9,3% no ano, as ações da Gafisa amargam queda de 51,5% no período.

— A empresa vai demorar a se recuperar. Precisa primeiro arrumar a casa para voltar a fazer lançamentos — afirmou Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

A GWI já era acionista relevante da Gafisa, mas foi no ano passado que começou a aumentar a sua participação na empresa. Em setembro, quando já detinha cerca de 38% das ações, a gestora assumiu o controle da incorporadora, ficando com a maior parte das vagas no Conselho de Administração.

You também promoveu uma dança das cadeiras na diretoria e indicou Ana Maria Recart, que já havia trabalhado com ele na GWI, à presidência executiva. Sob nova direção, a estrutura da companhia foi enxugada. Além de demissões, lançamentos foram cancelados, houve mudança de sede e os atrasos de pagamento a fornecedores se tornaram frequentes.

Diante desse cenário, You acabou vendendo suas ações em um leilão na B3 (ex-Bovespa) em 14 de fevereiro. A GWI, que tinha mais de 30% da empresa, reduziu sua fatia a menos de 5% — e essa participação pode ter sido dissolvida nas semanas seguintes. A Planner, corretora que intermediava as operações da gestora, passou a ter 18,45% da incorporadora, tonando-se a maior acionista da empresa.

Com a saída de You, a empresa deu nova guinada na última quinta-feira, quando Roberto Portella assumiu a presidência executiva no lugar de Ana Maria Recart. É Portella quem deverá ficar à frente do plano de estruturação operacional da Gafisa, que será votado pelos acionistas no próximo dia 15, em assembleia extraordinária.

Na avaliação de Luis Gustavo Pereira, estrategista-chefe da Guide Investimentos, as decisões tomadas pela antiga administração da Gafisa acentuaram a desconfiança do mercado, o que faz com que os papéis da empresa estejam com comportamento pior do que o das concorrentes.

Os últimos dados da empresa, referentes ao quatro trimestre, mostram as razões para esse derretimento: queda no volume de vendas em razão de uma mudança de estratégia comercial que passou a exigir uma maior entrada por parte do cliente em comparação aos concorrentes.

O balanço também mostrou que além da redução do caixa líquido, que passou de R$ 194 milhões no terceiro trimestre para R$ 137 milhões ao final de 2018, a dívida ficou em situação mais preocupante. Dos R$ 889 milhões em obrigações, um total de R$ 347 milhões vencem até dezembro de 2019, ou seja, 39% do total. Isso justifica a necessidade de um novo plano estratégia para a incorporadora.

Em nota, a Gafisa afirmou que “está concluindo um amplo processo de reestruturação, como já divulgado e reafirmado na divulgação de seus resultados”. “A Gafisa é uma marca sólida e está preparada para voltar a crescer. Na Assembleia Geral Extraordinária que acontecerá em 15/04, estão previstas uma série de pautas, que reforçam esta iniciativa de capitalização, tais como: A contratação de instituição de primeira linha, para elaborar plano estratégico para a companhia e o aumento do limite do capital autorizado”, completa a nota.

Por O Globo 

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